Branch Warren – Unchained Parte II

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Vídeos de treino sempre me motivaram muito naqueles dias nos quais eu não estava nem um pouco a fim de ir para a academia e levantar toneladas de fero. Montei uma coleção enorme no decorrer dos anos, tenho quase tudo, Dorian, Coleman, Levrone, Flex Wheeler, Nasser, Darren Charles, Cutler. Você fala o nome, eu digo que tenho o DVD. Mesmo tendo tantos títulos, apenas dois vídeos me motivam de uma maneira irreal – Blood and guts do Dorian e o The Unbelievable do Coleman. Felizmente chegou as lojas o DVD do atleta que talvez seja hoje o que tenha o estilo de treino mais brutal desde os tempos de Dorian e de um Ronnie cinco ou seis anos mais novo – Branch Warren. Branch está no circuito profissional há alguns anos apenas e já conseguiu alguns títulos e uma imensa legião de fãs. Seu físico denso e seco talvez não seja o melhor, mais completo, mas com certeza é um dos mais “FREAKS” hoje. Junte esse físico a um estilo totalmente brutal de treinos e você será um príncipe no culturismo.

O segundo dia vai começar, Branch chega à Metroflex gym e pega sua bolsa no porta-malas do carro enquanto os dois parceiros o aguardam na porta.

Enquanto eles entram na academia, passam pela sala de recepção. Nesta rara cena podemos notar uma parede cheia de fotos e recortes de jornal com atletas que provavelmente passaram por lá.

O aquecimento vai começar, hoje é dia de braços. O trio pega uns halteres leves e começa a se aquecer, repetindo o mesmo processo do treino anterior, fato interessante, já que pouquíssimas temos a chance de ver algum atleta profissional

Se aquecendo tão cuidadosamente. Branch imediatamente veste suas cotoveleiras e munhequeiras, aparato que protege suas articulações e alivia as dores causadas por anos e anos de treinos pesados. É engraçado e interessante ver os avisos colados nos espelhos e paredes avisando para os usuários guardarem os halteres no lugar. Ninguém guarda.

Duas séries mais leves de rosca alternada são feitas por cada um dos três antes de começar o treino de verdade.A primeria série é feita com 28kgs. A segunda série é feita com halteres de 34kgs. Branch faz dez repetições com uma forma de execução não muito firme. Ele balança o corpo de um lado para o outro, se inclinando para o lado do braço que vai realizar a repetição. Não se enganem, Branch não é novato e realiza o exercício dessa forma para maximizar seu rendimento. Talvez se eu ou você fizermos o exercício dessa maneira, não conseguiremos tirar muito proveito. Mas um atleta profissional, tarimbado, treinando no limite da intensidade – como Branch faz – consegue extrair o máximo de cada repetição mesmo usando uma forma de execução considerada por muitos “inadequada” .

Antes da terceira série começar, Branch perde alguns segundos procurando o par de halteres que ele usaria. Halteres localizados, a série começa. Branch faz nove repetições, da mesma forma jogada, com 38kgs em cada mão. Ao final da série Branch pega um par de halteres mais leve e continua as repetições em uma drop set, foram mais oito reps com 25 kgs. Com certeza é uma carga de respeito.

O trio de amigos parte agora em direção ao cross-over. Lá será realizado um exercício que parece ser um dos favoritos de Branch, rosca direta no cabo. Warren realiza este exercício neste vídeo e no vídeo The Battle for the olympia 2006, também já havia lido em alguns artigos de treino sobre Branch que ele sempre realiza este exercício. A rosca direta no cabo se tornou mais freqüente na vida de Branch depois que ele rompeu seu bíceps completamente há alguns anos. Ele foi treinar um dia antes da véspera de Natal e rompeu o bíceps fazendo rosca alternada. A cirurgia já ocorreu no outro dia e a recuperação foi exemplar, mas desde então Branch cuida melhor e se previne mais cuidadosamente contra as lesões.

Voltando ao treino, Branch faz a primeira série com uma carga mais tranqüila e consegue 20 boas repetições. A essa altura , com os cotovelos já bem aquecidos, ele retira as cotoveleiras. Podemos notar os enormes braços, já inchados pelo treino, veias por todo o lado, bíceps redondos, tríceps marcados.

Mais uma série, mais vinte repetições. Agora Branch usa uma forma bem explosiva e rápida, isso é powerbodybuilding! Para fechar a fatura no Cross-over Branch manda mais incríveis 20 reps com a pilha toda de pesos. Tudo bem, a forma é explosiva e jogada, mas 20 repetições com todo aquele peso é algo incomum.

O trio de amigos volta ao rack de halteres e Warren inicia a primeira série de rosca martelo. Não dá pra ver qual é o peso do halter, mas imagino que seja algo entre 30 e 35 kgs. Ele realiza o movimento com os dois braços contraindo simultaneamente e uma forma de execução normal, sem jogar e com uma velocidade não tão grande. A segunda é assustadora, halteres de 45 kgs estão nas mãos do monstro. Será que ele vai usar todo esse peso? Já estamos no terceiro exercício de bíceps. A última vez que vi em vídeo um atleta usando um peso desses para treinar braço foi no vídeo do Kevin Levrone, que deve ter sido filmado há uns oito anos no mínimo. Pois é, Branch começa a série, o cara das pernas gigantes também tem muita força nos braços. Desta vez ele faz a série alternando os braços e jogando um pouco o tronco para o lado do braço que vai fazer a contração. O estilo já é mais explosivo e gritos de incentivo são mandados durante a série toda pelos seus companheiros. Após 8 reps e muitos gritos os halteres são jogados ao chão.


Hoje é dia de braço e esses caras gostam mesmo de treinar bíceps, o próximo exercício é rosca scott. Eles pegam uma barra já montada e trazem para o banco. O banco scott da Metroflex é uma peça bem surrada, couro rasgado, meio enferrujada, mas Branch não está nem aí. O que ele quer são braços enormes que fiquem proporcionais com suas coxas irreais. A primeira série, dez repeitções é feita sme muito esforço. Adivinhem o que aconteceu com a barra? Isso mesmo! Foi jogada ao chão. Eles não soltam a barra simplesmente, eles a jogam no chão.

Antes da segunda série começar, podemos ver, ao fundo, duas bandeiras penduradas no teto – uma dos Estados Unidos e outra do Estado do Texas, que é muito parecida com a bandeira do Chile que tem duas faixas horizontais – uma branca e uma vermelha – e um quadrado azul com uma estrela dentro. Por isso o Texas é chamado de Lone Star State. A mesma barra é usada em todas as séries deste exercício.

Hora de treinar tríceps. Branch começa o treino de tríceps fazendo uma série leve de extensões no pulley. Vinte repetições usando quse meia pilha de tijolos. Antes de começar uma série mais pesada Warren certifica-se que as munhequeiras estão bem apertadas. Mais peso é adicionado e mais vinte repetições são feitas. Desta vez Branch abre bem os braços e deixa os cotovelos saírem bem para o lado durante a execução da série. Muitos pensam que isto é errado e o cotovelo deve sempre estar colado ao corpo. Sim, isso é verdade para pessoas normais, mas para atletas como Branch pode ser impossível deixar os braços colados ao corpo, também devemos lembrar que ele tem alguns sérios problemas e dores nos cotovelos e sempre procura posições mais confortáveis durante as séries. A próxima é assustadora. Warren coloca a pilha toda de peso e mais uma anilha de 20 kgs. Ele faz 36 repetições! Incrível! Porém devo dizer que dessa vez não posso aprovar a forma de excução, tudo bem que ele abriu os braços novamente, mas a amplitude de movimento foi bem curta. Após trigésima repetição ele inclinou excessivamente o corpo a frente para fazer as últimas seis. Mas ainda sim fazer 36 repetições com tanto peso é muito assustador.

O próximo exercício eu defino com uma mistura de supino fechado e tríceps na testa. Warren deita no banco de supino, pega a barra com uma pegada um pouco mais larga que a abertura dos ombros e a desce o nariz. Os cotovelos saem bastante para os lados também. Se fosse tríceps na testa a barra deveria chegar pelo menos na testa, se fosse supino fechado ( mesmo com a pegada mais aberta, que pode ser aceitável se você tiver um bom controle do tríceps) a barra cairia no peito. Tentei fazer este exercício e senti uma pressão exagerada no cotovelo, mesmo abrindo o máximo que eu conseguia. Também não me senti a vontade e nem com segurança para usar cargas mais altas, pois caso alguma coisa acontecesse a barra cairia no meu rosto. Exercício estranho, mas deve ser efetivo para ele. A segunda série é feita com 100 kgs para dez repetições. A terceira série termina com 120 kgs na barra para 8 reps. e muitos gritos. Imediatamente após Branch guardar a barra, 20 kgs são retirados e a série continua com Branch fazendo mais 6 repetições. Mais 40 kgs são retirados da barra e a série continua com mais dez repetições. É impressionante a brutalidade dos exercícios e da intensidade de como Branch os realiza.

Rapidamente eles se dirigem a uma estação de pulley para fazer extensões na polia com corda. Agora um peso mais baixo é usado e podemos notar claramente a qualidade na execução das repetições. Três séries de 15 repetições são feitas neste segmento. O treino de tríceps é fechado com três séries de coice. Eles fazem o coice com os dois braços simultaneamente, inclinando o tronco a frente. No banco ao lado podemos ver o dono da metroflex, Brian Dobson fazendo um treininho também.

Encerra-se aqui a segunda parte desta série sobre o DVD Unchained de Branch Warren. Ainda temos os treinos de pernas, costas e ombros. Aguardem!