A nova Federação: PDI

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por Miguel Chain

Lee Priest vai competir no Olympia este ano? A IFBB vai perdoar sua suspensão? Por que ele foi suspenso??? A nova federação, chamada Pro Division Inc. (PDI) vai conseguir sobreviver e ter o mesmo prestígio que a IFBB??

Para explicar toda a história de Lee Priest e da nova Federação de culturismo que apareceu ano passado (2006), seria legal fazer uma viagem ao passado para ver o que aconteceu quando alguém decidiu desafiar a toda poderosa IFBB e fundar uma federação concorrente.

A IFBB é hoje e tem sido por anos a mais dominante federação de fisiculturismo no mundo. Formada em 1946 e comandada pelos irmãos Weider, a IFBB e sua divisão Profissional tem sofrido críticas da comunidade e dos atletas no sentido de que a federação não trata seus atletas como eles merecem. Os prêmios e contratos em dinheiro estão defasados altamente em relação aos outros esportes e parece que a federação faz pouco para que isso mude. Nos últimos meses ouvimos rumores sobre uma nova Federação estaria sendo formada e estaria fazendo convites a alguns atletas profissionais. O que eles oferecem? Dinheiro e exposição maior na mídia.

Infelizmente para os atletas a IFBB não permite que eles participem de competições organizadas por outras federações. Nos anos 90 houve a última grande tentativa de criar uma federação tão forte e dominante quanto a IFBB, a WBF (World Bodybuilding Federation). Esta é uma história que muitos não conhecem então vamos a ela.

Em 1990 surgiram boatos que Vince McMahon, presidente da World Wrestling Federation (WWF) estava planejando montar uma nova federação de fisiculturismo. Ele negava tudo e dizia que iria apenas fazer uma revista, a Bodybuilding Lifestyles e que Tom Platz faria parte da equipe.

Logo após o Mr Olympia de 90 foi feito o anúncio de que a WBF seria formada. Seria uma revolução no mundo do fisiculturismo, com maiores prêmios e Shows. Meses depois foram anunciados os nomes dos primeiro treze atletas a compor os quadros da WBF: Aaron Baker, Mike Christian, Vince Comerford, David Dearth, Berry DeMey, Johnnie Morant, Danny Padilla, Tony Pearson, Jim Quinn, Mike Quinn, Eddie Robinson, Gary Strydom, e Troy Zuccolotto.

Vince tentou levar o esporte fisiculturismo para o mundo e para isso acontecer ele achava que os atletas deveriam ser naturais, ou seja, sem nenhum tipo de droga para melhorar sua performance no palco. Para conscientizar e os atletas e tentar transformar este sonho em realidade, a WBF contratou Mauro DiPasquale, médico e ex-atleta basista. Ele foi um dos primeiros a escrever sobre o uso de esteróides pelos atletas e foi um dos pioneiros junto com Dan Duchaine no campo da literatura sobre esteróides.

A WBF e sua política anti-drogas não deram certo, os atletas não tiveram tempo hábil entre o anuncio da abertura da federação e o primeiro Show (4 meses) para se prepararem adequadamente, os dois Shows realizados não foram muito bem e os atletas começaram a ficar insatisfeitos.

Vince McMahon havia perdido em pouco mais de dois anos a soma de US$15.000.000,00 e não tinha mais como manter os salários dos atletas. Era o fim da WBF.

O pior foi a cena que marcou o retorno destes atleta as IFBB. Foi em 93, Nova Yorque, NIGHT OF CHAMPIONS. Este show sempre foi conhecido por ter uma abertura sempre com cenas teatrais. Este ano a cena foi a seguinte: o cenário de fundo era um cemitério e os atletas ressuscitavam enquanto alguém cantava uma música chamada “Welcome Back” , “Bem-Vindo de volta” em português. Foi uma coisa tão repugnante, anti-profissional e anti-esportiva que Dorian Yates se recusou a participar do Show naquela noite.

Com o fim da WBF os atletas conseguiram retornar ao quadro da IFBB com uma pena muito mais branda do que se esperava. Foram multados em 10% de seu salário anual, prêmios em shows e a aparições como guest posers. Na verdade a pena foi maior, mas invisível, atletas como Aaron Baker, que tinha um enorme potencial nunca mais conseguiram boas colocações nos campeonatos mesmo estando em ótima forma. Com certeza houve uma perseguição política que punia os atletas no palco, triste fato.

Com toda esta história acho difícil os atletas se disporem a participar de outra federação que não seja a IFBB. Ruim com ela Pior sem ela.

Mas o que pensavam que nunca ia acontecer, aconteceu. Wayne DeMillia saiu da IFBB e resolveu montar sua própria federação. Com certeza ele não podeira cometer os mesmos erros de Vince McMahon .

Wayne baseou as regras de sua federação em ações que visam proteger e recompensar os atletas. Era claro para Wayne que ele não poderia bater de frente com a IFBB, assim como fez a WBF.

Para começar, Wayne não convidou nenhum Pro da IFBB. Todo e qualquer atleta profissional de qualquer federação poderia se filiar à PDI. Além disso haveria Pro-qualifiers freqüentes. Isso deixa a porta aberta para atletas de federações como NABBA e NPC competirem. O calendário já tem cinco anos previstos e todos os shows agendados. Os prêmios sobem a cada ano. Diferente da IFBB, onde os prêmios nem sempre sobem. O primeiro lugar do Ironman Pro por exemplo, recebe US$10.000,00. Este valor não muda há uns dez ou doze anos.

A PDI também anunciou que seus padrões de arbitragem seriam diferentes dos da IFBB, o Posing round, etapa onde os atletas apresentam sua coreografia, valerá mais pontos. Os primeiros colocados de cada show serão submetidos ao exame anti-dopping. Com certeza não será um exame tão rigoroso, pois isso faria com que os atletas se apresentassem muito aquém do esperado, assim como aconteceu na WBF.

O fato mais marcante até agora foi o Night of Champions, que sempre foi um campeonato clássico na IFBB e é disputado há mais de vinte anos. O problema é que o nome Night of Champions, é de propriedade de Wayne DeMillia. Então a IFBB passou a chamar seu show de New York Pro. O NOC passou a ser disputado pelos atletas da PDI. Desde o começo do ano vários boatos envolvendo nomes de alguns atletas de ponta da IFBB andaram soltos pela internet. Muitos garantiam que Lee Priest e Vince Taylor iriam para a PDI. Na última hora Vince Taylor, atleta veterano, decidiu reconsiferar sua decisão e desistiu de ir para a PDI. Lee Priest se manteve firme e disputou o primeiro Show da PDI há alguns dias.

Polêmica a parte, a PDI pode está sendo uma boa opção para atletas top de federações como a NABBA se divulgarem um pouco mais para o mundo e para os EUA, pois a PDI terá com certeza uma exposição maior à mídia. Nos primeiros Shows, muitos atletas europeus competiram. Vamos esperar e ver como Wayne deMillia e sua federação continuarão suas vidas. Espero que A PDI tenha vindo para ficar e que se torne uma boa opção para aqueles que não quiserem competir na IFBB por algum motivo. Infelizmente até agora poucos campeonatos foram realizados e parece que a PDI não vai decolar. Temos que esperar um pouco mais para saber melhor. Espero que a PDI não cometa os mesmos erros que enterraram a WBF. Quem sabe daqui uns anos possamos ver nosso esporte andando lado a lado aos outros em termos de reconhecimento e profissionalismo.