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  • DC USA TOUR 2008 – Treinando na Gold’s Gym

    DC USA TOUR 2008 – Treinando na Gold’s Gym

    Era apenas nosso terceiro dia nos EUA, três noites praticamente sem dormir. Mas eu estava na Gold’s Venice, ao lado de Silvio Samuel, Charles Glass, Bob Cicherillo, Will Haris e cia.  Como eu poderia não treinar???

    Era dia vez de treinar peitorais e biceps. Se treinar na Metroflex havia sido mágico, pisar e tocar nos pesos da Gold’s foi indescritivel.  À medida que eu ia fazendo minhas séries de aquecimento, passavam pelos meus olhos imagens de vários profissionais treinando aqui, Dennis James, Chris Cormier, Flex Wheeler, Jay Cutler; Eu havia assistido aos seus DVDs centenas de vezes podia me lembrar dos halteres e das máquinas que eles usavam. Eu lembrava de um treino de peito do Chris Cormier, onde ele usava uma máquina muito interessante que era uma mistura de supino com crucifixo. Os braços articulados da máquina se movimentavam para cima, durante o movimento de pressão, e depois eles se movimentavam um ao encontro do outro, como no movimento de crucifixo.

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    Silvio Samuel e Miguel Chain

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    Bob Cicherillo e Miguel Chain

    O que eu faria? Comecei com supino inclinado com halteres. Reservei um dos inúmeros bancos inclinados disponíveis e fui procurar os halteres. Comecei com um par de 70 libras, mais ou menos 31 kgs. Fiz uma boa série de 12 repetições. Os halteres daquela sala da Gold’s são maciços e emborrachados; o chão também é totalmente coberto por um carpete de borracha muito espesso, tão espesso que dá para sentir nossos pés afundando um pouco a cada passo. No final da primeira série, joguei os halteres ao chão Um deles pulou e foi parar  uns dois metros longe.

    Descansei um pouco. A adrenalina corria por minhas veias. Olhava aqueles quadros com fotos dos melhores atletas do mundo. Comecei a próxima série com os mesmos halteres de 70 libras. Desta vez somente dez repetições foram realizadas.

    A última série daquele exercício seria feita com um par de halteres de 80 libras ( 36 kgs aproximadamente). Seria uma série muito dificil devido às circunstâncias. Poscionei o peso sobre minhas coxas e o levantei até a posição inicial.  Meus braços tremiam antes mesmo da série começar.  Comecei a série e percebi que seria dureza. Fiz oito repetições, tentei a nona, mas não consegui. Muito bom.  Desta vez me esforcei para colocar os halteres no chão com mais cuidado.

    Segundo meus planos, o próximo exercício a ser feito seria o supino inclinado com barra. Comecei a procurar pelos bancos de supino com barra. A academia tem grandes salas, unidas por grandes portais, amplos e largos.  Estava na primeira sala, aquela onde todos os equipamentos são vermelhos. Me dirigi à segunda sala, procurei pelos bancos e nada.  Me aprofundei mais pela academia e acabei chegando na terceira sala. Nesta sala, mais da metade da área era ocupada por equipamentos de cardio – esteiras, bicicletas, steps, stairclimbers – eram filas e filas de aparelhos.  O restante da sala era ocupado por halteres, algumas gaiolas e bancos de supino.

    peito gold's gym

    peito gold's gym

    peito gold's gym

    Me dirigi a um dos bancos, coloquei o peso na barra. Total de sessenta quilos. A primeira série foi bem tranquila, 15 repetições fáceis. Na barra havia uma anilha de 45 libras de cada lado. Cada uma das anilhas equivale a 20,4 kgs. Se eu colocasse mais uma daquelas de cada lado, ficaria com mais ou menos 100 kgs na barra. Seria peso demais para mim.  Mas esperem. Eu estava em Venice Beach. Naqueles bancos, Flex Wheeler, Cormier, Lou Ferrigno haviam feito supino. Havia uma certa magia no ar.  Resolvi colocar as anilhas e tentar a série com 100 kgs.

    Nada mal, me surpreendi. Consegui fazer sete repetições. Talvez os espíritos da Gold’s estivessem me ajudando.  Mas era claro que se eu tentasse continuar com aquele peso, a terceira série acabaria sendo muito curta.  Decidi diminuir a carga. Deixei pouco mais de oitenta quilos na barra. Foi o suficiente para que eu quase me matasse para conseguir fazer dez repetições.

    Sempre que assisitia qualquer um dos DVDs da série “The Battle for The Olympia” e via alguém treinando peitorais na Gold’s havia uma máquina em especial que chamava muito minha atenção. A tal máquina era uma mistura de supino com crucifixo. Meio difícil de explicar. Imaginem uma máquina articulada de supino reto normal. Em geral, o braço dessas máquinas permite somente que você o movimente para cima e para baixo. Eles são fixados de uma maneira que, quando o braço está abaixado ( na posição onde o peitoral está alongado) as mãos fiquem longe uma da outra. À medida que vamos empurrando o peso para cima, obrigatoriamente os dois braços vão se aproximando um do outro até que, quando estivermos na posição final do exercício ( peitorais totalmente contraídos) as mãos estão próximas uma da outra.

    Sem problemas em relação a isso. Mas aquela máquina era diferente. Uma diferença básica. Os braços, além de se moverem na vertical ( movimento de subir e descer), também podem se mover na horizontal. Ou seja, a qualquer momento durante a série eu posso juntar ou separar meus braços.

    Sei que vocês devem estar aí coçando a cabeça e tentando imaginar a máquina, por isso vou colocar uma foto que tirei na Koloseum Gym ( Milos Sarcev ) de uma máquina identica.   O grande lance dessa máquina é que eu posso começar a fazer o movimento do supino com os braços em uma posição relativamente aberta e juntar as mãos no final. Se estivesse usando a barra livre, ao chegar na parte de cima do movimento, minhas mãos não poderiam se aproximar uma da outra. Se estivesse usando halteres, o movimento seria um arco, enquento sobe-se o peso, fecha-se os braços, e no final da repetição as mãos estão bem próximas uma da outra. Isso favorece uma contração mais forte na região central do peitoral, na inserção do músculo com o (osso ) esterno.

    koloseum gym

    Essa é a máquina. Foto tirada na Koloseum Gym.

    Mas essa máquina é diferente até nisso. Com ela, também podemos começar o movimento com uma pegada relativamente aberta. A principal característica é que, ao chegar no topo do movimento, é necessário fazer mais força ainda para que as mãos se aproximem uma da outra. Por isso digo que ela é uma mistura de supino com crucifixo – é preciso fazer força para cima, na hora de empurrar o peso ( assim como no supino ), e no final do movimento, é preciso fazer força para trazer uma mão próxima a outra. Fiz três séries com mais ou menos sessenta quilos nesta belezinha.

    O último exercício de peitoral foi o cross-over. Usei uma estação de cross-over que também só havia visto em DVDs de treino. Bem interessante. Fechei o treino de peitoral com três séries de cross-over.

    Mesmo estando esgotado, ainda fui treinar biceps. Já pensava na visita que ia fazer à MaxMuscle logo após o treino. O treino de biceps foi curto. Três séries de rosca alternada e três séries de rosca direta na barra W. Fim de treino. Percebi que Charles Glass e Aiman também havia terminado sua jornada. Fui lá falar com eles.

    Após o treino, enquanto conversava um pouco com Charles Glass e Aiman, Silvio Samuel, Bob Cicherillo, Dave Bourlet ( sócio de Jay Cutler na Max Muscle Venice) e Will Harris se juntaram a nós. Todos já haviam terminado seus treinos. Eu disse que era do Brasil. Eles confessaram não se lembrar de nenhum culturista brasileiro. Charles ficou meio de lado e não falou nada. Bob Cicherillo e Will Harris foram muito simpáticos e perguntaram da viagem, se estava dando tudo certo e tudo mais. Inevitavelmente, a conversa mudou de rumo. Mr Olympia era o assunto. Bob perguntou a Silvio se ele iria ficar entre os cinco primeiros. Silvio, cansado do treino só concordou com a cabeça. Dave, sócio e amigo de Jay disse que ele conseguiria o terceiro título, que estava no melhor de sua forma.  Em mais alguns minutos de conversa, mais algumas fofocas ( bondosas e maldosas) sobre outros competidores acabaram saindo.

    Minutos depois Charles Glass foi treinar outro cliente, Bob Cicherillo e Dave foram almoçar e Will Harris me convidou para ir conversar um pouco fora da academia enquanto ele esperava uma cliente chegar. Claro que sim Will!

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    Assim que chegamos no lado de fora da academia, nos dirigimos até um dos bancos situados no estacionamento, debaixo de uma árvore que nos presenteava com uma generosa sombra.  De cara, perguntei porque Will não estava classificado para o Olympia. Só para refrescar nossa memória, estávamos a menos de uma semana da realização do Olympia naquele dia. E Will Harris havia ficado em quarto lugar ( de forma totalmente injusta) no Europa Super Show, atrás do então desconhecido Fouad Abiad, apenas quatro semanas antes. Caso Will tivesse ficado em terceiro lugar, a frente de Fouad, ele teria uma vaga no Olympia 08. Eu ainda disse a ele que estava chateado com aquilo, pois eu esperava vê-lo no palco do Olympia. Sempre achei o fisico de Will muito bom, não é um top, mas deveria estar todo ano no Olympia.

    Ele me respondeu com um sorriso, dizendo que o maior título que ele podia conquistar é a admiração dos fãs. Ele disse que quando um fã de outro continente como eu, chega para ele e diz aquelas palavras, era como se ele tivesse sido campeão. Ainda, Will disse que sabe que o fato de ele sempre dizer o que pensa a respeito das decisões da IFBB, árbitros e dirigentes o atrapalha muito nos campeonatos. “Tenho certeza que sou marcado e os árbitros não me dão as colocações que mereço por isso.” Reporta o simpático Gigante. Ele disse ainda que eu não poderia deixar Venice sem experimentar as panquecas integrais no FireHouse Cafe.

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