Como um escritor de Bodybuilding eu já escrevi centenas de artigos sobre treinamento e fiz dezenas de entrevistas com atletas e treinadores de ponta do Mundo todo. Obviamente, também passei incontáveis horas lendo e estudando todos os aspectos inerentes ao treino com pesos.
Com toda essa bagagem, posso dizer que tenho uma certa experiência e bagagem técnica para poder treinar tanto algumas pessoas cujos objetivos sejam apenas estéticos quanto atletas de competição.Quem me acompanha sabe que também participo de algumas competições.
Tudo o que pude aprender lendo e através de meu contato com os maiores treinadores do Mundo (Hany Rambod, Chris Aceto, Charles Glass, Milos Sarcev, Brian Dobson, Dennis James, Ricardo Pannain, Waldemar Guimaraes só para citar alguns) eu uso em meus treinos e artigos.
Claro que o powerlifting é um esporte diferente do Bodybuilding, mas a base é bem parecida – Ferro e trabalho duro.A metodologia e bases de treinamento diferem, claro. Mas no final das contas, tudo se resolve na academia e grande parte dos ensinamentos do Powerlifting podem ser usados no bodybuilding e vice-versa.
Em três anos competindo no Powerlifting, conquistei alguns títulos como o Tri-campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro de Levantamento terra. Em 2012 fiquei em terceiro lugar no Mundial de Lev. Terra WABDL em Las Vegas.Este ano, estou a 15 dias do Mundial de Lev. Terra WABDL. Foi um ano dicifil, complicado. Ano passado competi seis vezes, duas no Culturismo Clássico e quatro no Powerlifting.
Este ano, devido a algumas lesões, competi apenas o Paulista de Lev Terra (fui campeão, batendo meu record pessoal – 260Kgs) e me preparo para Mundial.Devido a uma lesão no ombro no primeiro semestre, tive apenas 10 semanas de treino para me preparar para o Paulista. Duas semanas antes do Paulista, uma lesão por esforço repetido apareceu em meu joelho. Competi no sacrifício, mas consegui ir muito bem.
Após o Paulista, comecei fisioterapia intensiva para que a condição de meu joelho melhorasse. Foram dez semanas sem treinar pernas nem Lev. Terra na academia. Tentei manter a força no quadril e eretores de coluna usando vários tipos de Good Morning – em pé com a coluna arqueada, em pé usando flexão e extensão de coluna, em pé usando as barras de segurança do gaiola e saindo da parte baixa do movimento, Good morning sentado e por aí vai.Fui liberado para treinar terra e outros exercícios acessórios importantes a cinco semanas da competição.
Dentro das possibilidades que eu tinha em mãos, e com todas as planilhas de treinos das preparações anteriores e dados de minha evolução, tracei os planos para essas últimas cinco semanas. Montei um cronograma com algumas metas semanais – não metas obrigatórias, mas apenas números que serviriam de guia e parâmetros de comparação para medir como eu deveria estar.
O plano era um plano sólido, a estrutura de treinos estava bem montada, com bastante cuidado com o volume de treino e descanso. A dieta e suplementação foram planejados com o máximo de atenção. Tudo esquematizado para extrair o máximo de resultados.
Mas oque fazer quando as coisas não correm como planejado?
Nosso corpo é uma máquina complexa. Nem sempre responde como deveria ou como gostaríamos. Apesar de todo o planejamento e determinação, meu corpo simplesmente não respondeu adequadamente aos estímulos.Por estar pressionado pelo pouco tempo, tive que aumentar a intensidade dos treinos antes da hora certa. Havia alguns riscos nisso. Eu sabia que minha musculatura responderia bem a esse tipo de volume e intensidade de treino. Mas temia que meu sistema nervoso sucumbisse.
Os treinos de esforço máximo, onde escolhemos um exercício ou dois e fazemos a máxima carga possível naquele dia com 1, 2 ou 3 reps e os treinos de velocidade, onde usamos cargas moderadas com resitencia acomodativa (faixas elásticas e correntes) simplesmente fritam o sistema nervoso e precisam de um tempo de adaptação relativamente maior.E foi o que aconteceu comigo. O tempo de descanso curto entre treinos tão intensos detonou meu sistema nervoso central. Junte isso com o stress e tensão de saber que está indo enfrentar os melhores do mundo sem estar nas condições ideais e terá um problemão.
Geralmente periodizamos tudo em ondas de 3 ou 4 semanas para que o sistema nervoso tenha o tempo de se recuperar. Isso não seria possível desta vez. Mas semana passada fui pego em cheio. Foi como se tivessem me acertado na cabeça. Os treinos não renderam, eu estava cansado, mas agitado ao mesmo tempo. Não conseguia dormir direito.
As vezes, as coisas não saem como esperamos. Nessa hora é preciso ter clareza e sabedoria. Nessas horas eu penso e repenso tudo. Analiso as coisas e procuro entender o que deu errado. Converso muito e me aconselho com o Gustavão, meu amigo e parceiro de treinos. Ele sempre enxerga bem a situação e tem o conhecimento técnico para me aconselhar devidamente.A partir daí, mudo os planos e me adapto a situação. E tudo volta a andar como deveria.
Faltam 11 dias para a minha competição. Ainda tenho um ou dois treinos importantes dentro desse período. A partir de agora é importante me preparar e descansar. Planejar os passos e pedidas que farei no campeonato.Embarco dia 04 de Novembro, vou competir dia 10 de Novembro, mais ou menos as 23hrs horário de Brasilia. Depois, devo treinar em uma das Gold´s em Las Vegas e rumar para Venice Beach. Espero poder preparar um bom material para vocês.
Vou tentar manter todos informados via Instagram e posts no site. Espero que torçam por mim!
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