Sobre Bodybuilding e Powerlifting

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Faz tempo desde a última postagem no blog. Mas esta semana eu fiz questão de escrever algo. É a última semana de treinos antes do Brasileiro de Levantamento Terra IPO/GPA/FPLBI. Será um grande evento em Guarulhos, com muitos atletas de todo o país e ainda por cima teremos meu amigo Gilson Pereira Santos como Mestre de Cerimônias.

Diferente do ano passado, este tem sido um excelente ano. Meus treinos têm corrido muito bem e sem lesões.

 Eu treino há quase vinte anos (completo vinte anos de treino em Fevereiro de 2015), enquanto eu treinava apenas com o foco no Bodybuilding, nunca tive lesões maiores.  Durante meu primeiro ano de competições no Powerlifting, 2012, também tudo correu bem. Eu ainda levava como um hobby e não treinava com tanto volume.  Quando vi que era possível chegar a um nível internacional no Levantamento Terra, comecei a fazer uma transição em meus treinos, inserindo cada vez mais elementos do powerlifting.

Esse momento de transição alavancou minha evolução como deadlifter, mas me trouxe algumas lesões devido ao fato de que eu ainda não havia conseguido alcançar um equilíbrio no volume e outras variáveis de treino.

DEadlift

Eu queria bater recordes e conquistar títulos internacionais. Era possível. Mas não gostaria de deixar a parte estética do meu físico para trás. Então comecei a estudar, ler tudo o que podia sobre os soviéticos, os búlgaros, comprei livros e mais livros, paguei seminários e algumas consultorias.  Dediquei horas e mais horas estudando e absorvendo o máximo de informação possível.

Em dois anos dedicando três ou quatro horas diárias estudando todas as variáveis envolvidas no powerlifting posso dizer que hoje, considero ter quase tanto conhecimento sobre o PL quanto tenho sobre o Bodybuilding.

Meu sistema de treinos evoluiu. Desenvolvi um treinamento hibrido entre bodybuilding e Powerlifting. Tenho conseguido aumentar minha força, velocidade e performance enquanto amadureço minha massa muscular. E o melhor de tudo, as lesões não acontecem mais.

Precisamos sempre evoluir na vida. Sempre é importante tentar melhorar e aprender coisas novas. Por mais que se domine um assunto, sempre é possível aprender mais. Hoje, todo o conhecimento que adquiri sobre powerlifting e bases de treinamento com pesos para esportes me ajuda a ser um bodybuilder melhor, me ajuda a treinar meus clientes com muito mais eficiência e segurança.

É óbvio que não tenho a melhor das genéticas para Bodybuilding, muito menos para powerlifting.   No Levantamento terra, meus braços são curtos, meu tronco e pernas são longos, o que piora minha eficiência biomecânica. Não tenho boa genética para ganhar massa muscular.

Tudo isso me obrigou a estudar e aprender todo o processo de ganho de massa e ganho força/potência nos mínimos detalhes.  Como minha genética não é boa e eu escolhi treinar sem esteroides, eu não podia errar em nada.  Tinha que usar todas as armas no que se refere a treino e nutrição/suplementação.

Aquela fase com lesões me obrigou a trazer meu background em fisioterapia (cheguei a cursar 5 semestres de Fisioterapia antes de resolver trocar de área) à tona. Fui obrigado a cair de cabeça em todo tipo de técnica de reabilitação e o mais importante – pré-habilitação, ou prevenção de lesões.

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Nessa parte, o bodybuilding é mais tranquilo. Se você tem uma dor em algum lugar, é possível mudar de exercício e evitar aquele movimento. É virtualmente possível encontrar caminhos paralelos para se estimular a hipertrofia, mesmo quando se tem uma lesão um pouco mais séria.
Seus joelhos doem no agachamento?  Vamos fazer leg-press e hack e procurar um posicionamento dos pés que não cause dor. Vamos baixar um pouco o peso e realizar as reps de forma mais lenta.  Seu ombro dói no supino? Vamos fazer supino com halteres. Continua doendo? Supino na máquina. Em raros casos e lesões muito graves somos obrigados a parar.
Bodybuilders podem treinar por décadas sem se alongar e mesmo assim não terão tantos problemas.

No powerlifting, caso você não esteja com a flexibilidade muscular e mobilidade articular em ordem, vai se machucar mais cedo ou mais tarde e mesmo que não se machuque, seu desempenho não será ótimo.

Todos esses conceitos acabam sendo utilizados na rotina de treinos de bodybuilding e trazem melhorias na recuperação e desenvolvimento da musculatura.

Sempre fui ensinado que no bodybuilding o foco não é a carga. E que usar cargas elevadas seria muito perigos e poderia trazer lesões. Eu sempre concordei com essa ideia. Mas agora eu concordo apenas em partes.

No bodybuilding focamos o músculo. No powerlifting focamos no movimento.  Ou seja, no bodybuilding, quando vamos fazer um agachamento, devemos pensar em contrair fortemente o quadríceps, femorais e os glúteos .  O movimento de “subir” no agachamento é consequência da contração muscular.  No powerlifting, o foco é o movimento. No agachamento, vamos nos esforçar para subir, a contração muscular será consequência do movimento.

Sempre fui ensinado e sempre li que no bodybuilding, a carga é secundária. Concordo com isso e tenho certeza de que a contração consciente e forte do músculo é vital. Mas é possível inserir elementos do powerlifting, com movimentos explosivos e cargas mais altas a nosso favor. Obviamente, o treinador terá que considerar fatores como adaptação, experiência, periodização e volume de treino para se obter resultados ótimos.

Pretendo falar e discutir mais sobre isso aqui no DC em breve.

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