
O Universo de Hollywood e o universo do culturismo têm algo em comum – Músculos. Essa ligação e sobreposição dos dois mundos sempre ocorreu, mas tem sido muito forte nas últimas três décadas.
Quando Arnold começou a estrelar filmes de ação como “Conan” e ”O Exterminador do Futuro”, as portas se abriram para os atores fortões, o público aprovou e isso virou uma tendência que dura até hoje.
Nos anos 80, Stallone veio junto com Arnold. Depois tivemos Van Damme, Dolph Lundgren. Vin Diesel, Jason Stathan e Dwayne “The Rock” Johnson vieram na sequencia.A partir do final dos anos 90 – e principalmente hoje – ser estrela de filmes de ação em Hollywood sem ter um físico excepcional era impossível. As seleções de atores em filmes como “Os Mercenários” e “Velozes e Furiosos” são a maior prova disso.
E por falar em “Velozes e Furiosos”, esta semana reuni uns amigos em casa para assistir o mais recente filme da franquia. Logo no começo, começamos a nos questionar se o Vin Diesel estaria menor do que estava na época de “Triplo X”. Quando se junta três caras que gostam de musculação para assistir um filme como esses, esse tipo de conversa é inevitável.
“Será que ele era grande mesmo naquela época? Ou será que ele parecia grande por estar ao lado crianças (atores bem menores que ele)?”, disse o sempre contemplativo Gustavo.
“Na verdade, com o The Rock desse tamanho – e ele está enorme – a criança deste filme é o Vin Diesel.” – respondi prontamente.
O mais quieto e pensativo ali era o meu parceiro de competições Henrique. De repente ele logo dispara- “O The Rock está desse tamanho e não vão mostra-lo nenhuma vez sem camisa?”
Nesse momento os olhares se voltam para o Henrique, que se encolhe na poltrona, engole seco e tenta consertar – “É para ver o físico dele, analisar.. só isso.”
Brincadeiras e comentários à parte, apesar de estar gigante – e para o desapontamento de Henrique, The Rock não apareceu nenhuma vez sem camisa – única parte visível nele eram os braços. E pode apostar que ele estava grande e seco. Em uma das cenas, ele aparece dirigindo seu carro, a câmera mostra o ponto de vista do carona. O tríceps direito dele estava trincado, quase rasgando a camiseta. Mesmo estando de roupa o tempo todo durante o filme, pudemos notar a grande qualidade de físico apenas pelos braços.
Isso finalmente nos traz ao final dessa longa introdução. O grande ponto nisso tudo é que os braços são pontos fundamentais em um físico bem estruturado e desenvolvido. É desnecessário dizer que é importante manter o balanço e proporção entre todos os grupos musculares. Mas o foco hoje é braço, mais precisamente tríceps.
O Triceps
O tríceps é um grupo muscular geralmente negligenciado por alguns. Os homens têm a impressão de que tendo bíceps bem desenvolvidos já é o suficiente. As mulheres, de uma forma geral, até treinam tríceps na tentativa de “tonificar” aquela região – mas quase nunca treinam pesado o suficiente para atingir bons resultados por receio de que seus braços fiquem muito grandes. Não se preocupem garotas. Não é bem assim.
O tríceps provê cerca de 2/3 do volume muscular do braço. É um músculo bem mais volumoso que o bíceps. Nos homens, ele vai ajudar a dar mais volume e esticar as mangas da camiseta. Nas mulheres, ele ajuda a dar um visual mais harmônico e enxuto nos braços.
A discussão sobre qual seria o melhor tipo de treino ou quais os melhores exercícios sempre vai existir. Tenho meus métodos e crenças baseados em ciência e prática de quase 20 anos de treino e outros tantos ajudando pessoas atingirem seu verdadeiro potencial físico.
Um exercício que sem dúvida deveria fazer parte do arsenal de qualquer pessoa que treina seriamente com pesos é o tríceps coice com halteres. Ele é um exercício muito simples, mas que traz alguns segredos essenciais para sua boa execução.
O tríceps é um músculo que tem três cabeças – cabeça longa, cabeça medial e cabeça lateral – que se unem e convergem em um tendão único logo acima do cotovelo e se inserem na ulna (um dos dois ossos longos do antebraço), logo abaixo do cotovelo.As cabeças medial e lateral se inserem no úmero, a cabeça longa se insere na escapula.
O fato da cabeça longa estar inserida abaixo do cotovelo e logo após a articulação do ombro, na escápula confere a ela uma propriedade distinta das outras duas. Sua contração e grau de ativação irá variar de acordo com a posição do braço em relação ao ombro. Ou seja, se os seus braços estiverem alinhados com seu tronco, como em um exercício de tríceps na polia, a cabeça longa é ativada de certa maneira. Se os seus braços estão formando um ângulo de 90° com seu tronco, como no tríceps testa, a cabeça longa é ativada de forma diferente. Se os seus braços estão elevados, como no tríceps francês, a cabeça longa novamente sofrerá um tipo diferente de estímulo.
Estou tentando ser o mais simplista e sucinto possível aqui. Poderíamos nos aprofundar nesse tema e discutir por páginas aqui. Mas não é o foco desse texto. Antes de discutir o exercício em questão, vou falar sobre outro ponto fundamental na compreensão do tríceps coice.
A insuficiência ativa –
Para que eu possa explicar e detalhar bem o tríceps coice, é preciso que estejamos familiarizados com o termo “Insuficiência Ativa”. Resumidamente, a Insuficiência Ativa de um músculo ocorre quando tal músculo está tão encurtado durante uma contração voluntária que ele perde a tensão. Você sente a contração de uma maneira forte, quase uma câimbra, mas no final das contas, a tensão no músculo alvo é perdida.
Faça o teste – com o punho cerrado e o braço ao lado do tronco, estenda seu cotovelo ao máximo. Segure assim enquanto tenta levar sua mão para trás a para cima ( como em um movimento de se preparar para dar a tacada com um taco de sinuca, mas sem dobrar o cotovelo). Sentiu a contração fortíssima, desconfortável até?
Triceps coice sem segredo
O tríceps coice tem algumas variações. Ele pode ser feito com um braço por vez, ou com os dois simultâneos. Também é possível realiza-lo no cabo, o que muda significativamente o braço de resistência e função do exercício. Esse é outro assunto que tornaria o texto longo demais e deverá ser discutido em outro artigo.
Vamos simplificar e falar do tríceps coice tradicional, com halteres e unilateral.A posição inicial Apoie o joelho esquerdo em um banco e se curve a frente, apoiando a mão esquerda também sobre o banco, de modo que suas costas fiquem paralelas com o chão. A perna direita fica apoiada no chão o tempo todo. Segure o halter com a mão direita e posicione o braço na linha do tronco, na verdade, lute pra manter o cotovelo um pouco acima da linha do tronco durante toda a série.
Comece o exercício estendendo o braço até que ele bem perto de sua extensão máxima. Não é necessário nem saudável que se “estique” o braço até o limite. Segure na posição de contração por dois segundos e desça lentamente até que o antebraço fique perpendicular com o chão. Ao terminar a série com o braço direito, inverta a posição e faça a série com o braço esquerdo. Sempre tente começar com o seu braço mais fraco.
Pontos importantes –

O primeiro ponto a se notar é a importância de se manter o cotovelo elevado durante toda a série. Nessa posição, a cabeça longa do tríceps fica bem contraída, entra em Insuficiência ativa e não consegue gerar tensão suficiente. Isso acaba recrutando em um grau muito maior a cabeça medial e principalmente a lateral.
Outra observação é em relação à biomecânica. É importante manter o braço paralelo com o chão, ou um pouco mais elevado para otimizar a alavanca. Nessa posição aumentamos o braço de resistência e se impõe mais tensão durante todo o arco de movimento. Na posição de alongamento – com o antebraço perpendicular ao o chão – o halter está logo abaixo do cotovelo (ponto de apoio da articulação) o torque de resistência gerado nesse momento é zero. A medida que vamos estendendo o braço e nos aproximando da contração máxima- com o braço quase completamente estendido – o braço de resistência vai aumentando ao longo do movimento até que chega em seu comprimento máximo na parte final da repetição.
Se permitirmos que o braço desça e se posicione abaixo da linha do tronco, perdemos tensão muscular e amplitude de movimento – o movimento fica mais curto.Imagine que na posição correta, o antebraço sai da posição perpendicular com o chão e descreve um arco de praticamente 90° até a posição final. Se o braço descer, e fica abaixo da linha do tronco, o antebraço ainda sairá da posição perpendicular com o chão, mas acabará descrevendo um arco menor que 90° até chegar na posição de extensão quase completa do cotovelo. Além disso, o braço de resistência no final do movimento será menor, o que irá gerar menos tensão no músculo.
O tríceps coice é um exercício que parece simples, mas acaba sendo complexo se quisermos extrair o máximo de resultado dele. Não é o tipo de exercício no qual vamos poder usar uma tonelada de carga. Prefiram usar cargas mais leves, que permitam a execução perfeita do exercício e procurem aproveitar ao máximo cada repetição.
Fazendo tudo isso, o tríceps coice se tornará um de seus melhores amigos na busca por um físico melhor!
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