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  • DC USA TOUR 2008  – Metroflex Gym – Videos

    DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym – Videos



    DC USA TOUR 2008 – Olympia WEEKEND


    A VIAGEM

    Todo fã de musculação, e conseqüentemente de culturismo, sabe que os EUA são a casa do esporte nos últimos 50 anos pelo menos. É lá que a história da competição mais tradicional e importante de nosso esporte – o Mr. Olympia – tem sido contada.

    A evolução do nosso esporte em todos os aspectos nas últimas décadas ocorreu na América. É nos EUA que o Bodybuilding como esporte e como cultura se desenvolveu. Temos dezenas de campeonatos todos os meses, inúmeras federações – que vão desde as mais influentes do mundo como IFBB e NPC até pequenas, porém importantes federações drug tested – Lá são editadas as maiores publicações como revistas e livros.

    Os EUA foram o palco do surgimento e desenvolvimento maciço da indústria da suplementação alimentar ( a partir dos anos 80 ) através de nomes como Bill Philips, Michael Zumpano e Scott Conelly. Nessa época a produção e consumo de suplementos se intensificou. Novas marcas surgiram, pesquisas mais profundas foram realizadas, substancias e seus benefícios à saúde foram descobertos.

    Os melhores atletas e academias também estão nos EUA. Lá fica a elite do bodybuilding mundial e qualquer atleta não-americano que almeja sucesso tem que se mudar para lá. Em todos esses anos de Mr. Olympia – 42 para ser exato – só dois homens obtiveram sucesso e fama na IFBB morando fora dos EUA, Dorian Yates e Markus Ruhl.

    Tudo fez com que a cultura Bodybuilding se desenvolvesse muito na América do Norte. Praticamente todos os nossos ídolos estão lá, as academias legendárias estão lá. Academias onde físicos espetaculares foram forjados ao longo das décadas; lugares sagrados onde se pode sentir o espírito do esporte incrustado nas paredes a halteres.

    Existem lojas imensas de suplementos, uma variedade incrível de produtos e até restaurantes que servem exclusivamente comida para Bodybuilders.

    Como amante do Bodybuilding, sempre tive o sonho de conhecer os EUA, as academias legendárias onde a história do esporte era escrita a cada dia, conhecer pessoalmente os atletas e lugares que só conhecia através de revistas e vídeos.

    Tenho pilhas e pilhas de revistas americanas, dezenas de livros, milhares de fotos salvas no meu PC. Sou um fã incondicional e sempre sonhava em treinar na Gold´s Gym de Venice beach, na Metroflex Gym em Arlington; tomar um café da manhã no FireHouse Café e muitas outras coisas.

    Após tantos escrevendo para revistas importantes no Brasil e para o meu próprio site, tive a oportunidade de conhecer muita gente e fazer muitos amigos Brasil afora que compartilhavam o mesmo sentimento sobre o bodybuilding. Em conversas com fãs por e-mail, ou pessoalmente nos diversos eventos dos quais presencio, percebi que esse não era um sonho exclusivamente meu. Todo aquele que treina seriamente e gosta de bodybuilding tem essa vontade de conhecer como são realmente as coisas nos EUA. Como são as academias, como são as lojas de suplementos, como são os atletas pessoalmente e como vive a comunidade bodybuilder e principalmente – como seria presenciar o Olympia Weekend.

    A partir daí surgia o projeto do DC USA TOUR 08. Uma realização única no Brasil, que foi viabilizada pela Probiótica. A Probiótica é a empresa que mais investe na área cultural da musculação no Brasil. Vou explicar melhor; A Probiótica é a empresa que mais investe em revistas, apóia publicação de livros, patrocina campeonatos e atletas, promove eventos com seminários gratuitos em todo o Brasil e muito mais.

    O que vocês verão a seguir é um retrato das academias legendárias, lugares praticamente exclusivos para bodybuilders como lojas e restaurantes e finalmente o Olympia Weekend 08 e todos os eventos envolvidos. Passamos por três estados, sete cidades e muitas aventuras. Espero que gostem!


    Capitulo 1 – A Quente Arlington – TX

     

    Tudo pronto! Eu tinha o projeto, o roteiro, o visto, as passagens. É hora de embarcar! Malas prontas. Nossa equipe consistia em duas pessoas – eu e a minha namorada Carolina. A primeira missão consistia em chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.

    Para isso contamos com uma ajuda extra – Meus pais nos deram uma pequena carona de São Carlos – SP até Guarulhos. Para aqueles que não são familiarizados com as distancias foram 240 km de um lugar ao outro.

    Nosso vôo partiria à Meia Noite do dia 15 de Setembro. Para uma tranqüilidade e paz de espírito maior, chegamos ao aeroporto mais ou menos as 21 hrs. Nesse momento a ansiedade já era bem grande e não via a hora embarcar. Poucas horas me separavam do meu sonho.

    Já dentro do avião, mais relaxado, morrendo de sono, pensava e imaginava como seria nosso primeiro nos EUA. O primeiro destino seria Arlington, no Texas.

    Chegamos ao Texas pela manhã. Foram onze horas de vôo na classe econômica (bem apertado), mais duas horas e meia para sair do avião, pegar as malas nas esteiras e passar pela imigração no aeroporto. Depois de tudo isso estávamos liberados e felizes! Podíamos ficar em pé, esticar o corpo cansado e respirar ar puro.

    Estávamos no Aeroporto Dallas / Fort Worth. Arlington ficava há algumas milhas de distância. Sem esperar muito, nos dirigimos até a locadora de carros e pegamos nosso veiculo. Em pouco tempo estaríamos em Arlington. A primeira coisa que fizemos foi procurar comida. Estávamos famintos. Paramos em um Shopping para comprar suprimentos e comida e seguimos em frente. Encontramos nosso hotel, deixamos as malas e já saímos!

    O tempo era curto em Arlington, só tínhamos dois dias para conhecer e treinar na academia mais hardcore do mundo – A Metroflex Gym.

     

    Metroflex Gym – A Academia mais Hardcore do Mundo

     

    A Metroflex Gym se tornou famosa no inicio do século graças à Ronnie Coleman. Ronnie é considerado o maior culturista de todos os tempos e o cara que treina mais pesado também. Em 1997, Dorian venceu seu último Olympia. Pouco tempo depois, ele declarou que não voltaria a disputar o titulo em 1998. Isso deixou as portas abertas para grandes nomes que perseguiam o “Sandow” há anos – Kevin Levrone, Paul Dillet, Nasser – mas principalmente para o príncipe Flex Wheeler. Flex era o favorito disparado ao titulo. Finalmente ele alcançaria o que o seu potencial fantástico podia proporcionar – o titulo máximo no culturismo , o Mr. Olympia.

    Para todos, só um desastre ou um fato inacreditável ( como o surgimento de um ET ) poderia tirar o Sandow das mãos de Flex em 98. Pois é, o Extra Terrestre apareceu mesmo. Seu nome era Ronnie Coleman. Em uma apresentação sem precedentes, Ronnie chegou ao palco com um físico impecável e conseguiu o impossível – superar Flex Wheeler. Ronnie era o mais novo Mr. Olympia.

    Nos próximos meses, todos queriam saber quem era esse cara, onde ele vivia, onde treinava? As respostas a essas perguntas foram aparecendo pouco a pouco. Em 2000, já com alguns títulos na bagagem e firmado como superstar, Ronnie lança seu vídeo “The Unbelievable”, onde ele mostra com mais clareza suas origens, seu local de treino. Nesse vídeo podíamos testemunhar sessões de treinamento brutais em uma academia com um aspecto diferente do que estávamos acostumados a ver. O cenário mostrava halteres imensos, maquinas feitas sob medida, música em um volume ensurdecedor e muita teia de aranha e poeira. Esse ambiente hardcore, que simboliza o espírito de treino de quase todo bodybuilder fez uma legião de fãs. Todos queriam saber mais da Metroflex e queriam saber como seria treinar em um lugar desses. Durante anos este filme serviu de combustível para treinos intensos de pessoas de todo o mundo. Difícil encontrar alguém que treine sério e não conheça Ronnie ou a Metroflex Gym devido a esse vídeo. Eu também, vi esse filme centenas de vezes. Estudava, analisava cada centímetro da academia, cada detalhe. E imaginava se um dia poderia pisar naquele chão, usar aqueles halteres.

    O lugar é uma academia situada na área industrial de Arlington. O prédio fica situado em uma viela perpendicular à Cooper Street, uma das principais vias da região. Na vizinhança temos oficinas mecânicas, principalmente de caminhões e maquinas pesadas, cemitérios de carros, caminhões e outras maquinas pesadas, depósitos de ferragens parecidos com desmanches de enormes maquinas industriais e revendas de automóveis. A academia tem como vizinho, uma oficina mecânica. Ao chegar à pequena ruazinha de acesso à academia, já podíamos ouvir a musica alta saindo do prédio. Chegamos lá pouco depois do almoço, o calor era grande – provavelmente entre 35 e 40 graus.

    Parei o carro bem em frente à academia, podia ouvir claramente a musica que vinha de dentro do prédio. Era a trilha sonora de Rocky. Desci do carro, olhei para a fachada da academia. Lá pude ler “Metroflex Gym” , “House of Mr. Olympia”. Esperei alguns segundos até que a tremedeira das pernas passasse. Mais alguns segundos para me certificar realmente se estava no lugar certo, se não era sonho ou delírio. Não era. Eu estava lá mesmo!

     

    Encontrando Brian Dobson – O Criador

     

    Entrei pela famosa portinha de vidro que dá acesso ao “escritório” da academia. Na mesa da recepção estava ninguém menos que o dono da academia – Brian Dobson. “Ei Brian, sou um fã de sua academia. Vim do Brasil só para poder treinar aqui uns dias.” Brian sorriu e me estendeu a mão com uma alegria imensa. “Então seja bem vindo!” respondeu prontamente. A partir daí começamos a conversar, ele me falou sobre a academia, sobre ele, sobre Ronnie. Me perguntou do Brasil, como era a musculação por aqui.

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    Brian Dobson é o dono da Metroflex Gym há muitos, muitos anos. Foi ele quem descobriu Coleman. Ele quem visualizou o potencial incomparável do ex-policial. Ao longo dos anos, Brian foi treinando e moldando o físico de Ronnie, rumo ao profissionalismo e ao topo do mundo. Dobson está no ramo há mais de 30 anos, treinando, competindo e organizando campeonatos de Bodybuilding, Powerlifting e Strongman. Para muitos, o fato de uma academia tão pequena, escondida nos arredores de uma cidade mediana no estado do Texas produzir tantos campeões em diferentes modalidades permanece um mistério. Como Brian conseguiu isso? O que tem de tão especial naquela academia?

    Ele define a Metroflex como um local de formação de campeões e não uma academia comum de fitness. Treinar duro é regra por lá. E se você estiver a fim apenas de passar o tempo, ou de conversar, seu lugar certamente não é a Metroflex. Somente treinos hardcore são permitidos. Essa é a filosofia da academia – “Go hard or Go Home” se encaixa perfeitamente.

    Sabemos que só é possível ultrapassar todos os limites do corpo em relação aos objetivos do bodybuilding treinando intensamente e insanamente toda vez que vai á academia. Não são permitidos dias leves. Perder um treino? Nem pensar.

    O próprio rei da intensidade e regularidade, Dorian Yates, relata o motivo de seu sucesso – regularidade e intensidade, todo santo dia. Ele disse que às vezes Shawn Ray ou Flex Wheeler podiam querer descansar uma semana após o Olympia; ou que em determinado dia eles poderiam escolher passear no parque e não treinar. Pular uma ou duas refeições.

    Dorian dizia que ele nunca perdia uma refeição, nem um treino. Tudo era levado ao máximo sempre. Yates, ainda, diz que é fácil ter consistência por algumas semanas. Mas o que vai te trazer o melhor físico possível é ter consistência por anos.

    É nesse contexto que a Metroflex se transforma no maior celeiro de campeões da América. Lá, treinar intensamente é estimulado ao extremo. Brian tenta fazer com que tudo seja voltado para que se crie um ambiente favorável a isso. A música alta, o dia inteiro, as centenas de fotos coladas em todas as paredes (inclusive nos banheiros), a quantidade incalculável de peso – anilhas, halteres. A atitude das pessoas que treinam lá é essa. Treinar sempre no limite.

    Já se passaram quase 90 minutos e ainda estava conversando com Brian Dobson no balcão da recepção. Ele falou muito sobre sua segunda paixão – caçar. Mostrou fotos e troféus de caça. Outro assunto interessante foi Miguel de Oliveira. Ele me mostrou uma foto do brasileiro colada na parede da recepção. Brian me disse que Miguel costumava treinar lá de vez em quando. Certa vez, decidiram treinar pernas juntos. “I kicked his ass that day!” Disse Brian com um sorriso estampado no rosto. Ele disse que deu pau em muito atleta profissional nos treinos.

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    A essa altura o papo já estava se aprofundando sobre bodybuilding profissional. Branch havia saído minutos antes de nós chegarmos. Perguntei sobre Coleman. O rosto de Brian mudou de feição. Comentei com ele que Ronnie havia feito uma visita ao Brasil meses antes. Ele disse que Ronnie e suas atitudes não estavam sendo muito bem vistos pelos fãs americanos. Ele confessou que passou um tempo chateado com Ronnie.

    Depois que ele perdeu (o Olympia 2006) para o Jay, ele foi até um programa de rádio e disse que não admitia perder para um “garoto Branco”. Esse episódio realmente foi polêmico na ocasião. Lembro que as criticas sobre Coleman foram pesadas e até insinuações de racismo foram feitas. Segundo Dobson, essa declaração ofendeu muita gente, inclusive a ele. “Ele ofendeu os brancos quando disse aquilo. Ofendeu a mim também; sou um ‘garoto branco’ e sempre o ajudei muito. Não foi justo o que ele disse.” Desabafou o dono da Metroflex.

    Mas todo mundo comete seus erros, nem sempre perder é fácil. Segundo Brian, todo mundo faz besteira pelo menos uma vez na vida. “Ele se arrependeu e eu o perdoei.”

    É claro que não fiquei me aprofundando muito e cutucando Brian, esses são problemas pessoais dele e ele contou somente o que achava ser cabível. Mas ao longo de nossa comprida conversa, pude perceber uma certa magoa dele em relação ao Ronnie. Ele até disse que Ronnie não deveria ter vencido em 2005. É difícil e complicado saber realmente o que houve entre eles. Mas quando perguntei ao Ronnie (em sua passagem pelo Brasil em Maio 08) como iam os treinos na Metroflex, ele respondeu só que treinava em sua academia particular em casa agora, nada mais. Seu mais recente DVD “Invincible” de 2007 teve todos os treinos filmados em sua casa.

    O clima estava ficando meio pesado; Então rapidamente mudei o rumo do assunto. Vamos falar de treino! Eu disse ao Brian que a Metroflex (por intermédio de Ronie e seus vídeos) trouxe alguns exercícios esquecidos de volta à vida, como o avanço andando (walking Lunges) e a remada cavalinho (T-Bar Row). Novamente, o rosto de Brian se iluminou e um enorme sorriso se abriu. Nesse momento pude perceber o amor e o entusiasmo desse homem pelo esporte.

    Ele me explicou que muitos acham que ele inventou o avanço andando. Isso não é verdade. A história por trás do avanço é a seguinte. Brian sempre adorou caçar. Ele viaja a várias partes do país para caçar. Já veio caçar na Argentina até. Anos atrás (muitos anos mesmo) eles iam caçar ursos nas montanhas geladas. Isso exigia fazer longas caminhadas em terrenos acidentados e altamente íngremes. Para chegar ao topo das montanhas, eram necessários passos largos e altos, para vencer o terreno inclinado demais. Um dia, na academia, ele se lembrou desse exercício e achou que poderia se beneficiar dele em suas caçadas. Eles tinham um espaço de 60 metros bem em frente à academia, onde poderiam realizar o exercício sem perigo de serem atropelados. O pessoal da academia o viu fazendo, começou a realizar o exercício e sentiu melhorias na região posterior das coxas. A partir daí todos os competidores e não competidores da Metroflex começaram a fazer o infame exercício.

    Perguntei se foi esse exercício que havia dado aquela qualidade muscular, estriações e separação entre glúteos e flexores de joelhos em Ronnie. Brian disse que Ronnie sempre teve aquela qualidade muscular, mas tinha vergonha de mostrar. Sempre que Brian o aconselhava a puxar a sunga e mostrar os glúteos, suas estriações e separação extrema com os flexores, Ronnie dizia: “Eu não vou mostrar minha bunda para o publico!” Quando Ronnie resolveu ouví-lo, história foi feita.

    Ainda sobre o avanço, perguntei quem era o mais impressionante naquele exercício. Dobson disse que Branch sempre usava uma boa carga e realizava uma boa execução. Coleman usava costumeiramente oitenta e poucos kgs andando 50 metros e voltando, totalizando 100 metros. Às vezes, em situações extraordinárias, Ronnie se supera. Nas filmagens de seus vídeos ele sempre usava carga maior do que de costume por exemplo. “Certa vez eu consegui fazer os 100 metros com 160 kgs nas costas. Claro que a execução não foi perfeita, mas consegui fazer.” Se gabava. Ronnie ficou sabendo e também fez com os mesmos 160 kgs.

    Ao falar sobre a remada cavalinho, inevitavelmente o assunto Ronnie Coleman voltou à tona. Brian garante que este exercício é responsável por construir os melhores dorsais da América. Mas Brian disse que foi nesse exercício que Ronnie supostamente rompeu seu grande dorsal. Existem controvérsias sobre o estado de aparente atrofia do dorsal e tríceps direitos. Alguns dizem ser um pinçamento de nervos, mas Brian é incisivo afirmando que o dorsal foi rompido durante uma série pesada de remada cavalinho.

    Brian disse que ele mesmo já rompeu seu dorsal durante uma série de barra fixa com peso pendurado na cintura. Interessado, descobri que músculos rompidos não são tão raros na Metroflex. Brian me contou alguns casos. Muitas vezes, uma lesão é o preço que se paga por tentar chegar (e na maioria das vezes ultrapassar) os limites do corpo.

    A conversa foi se desenrolando, mas Brian precisava ir embora. Foram três horas de papo. Falamos de Culturismo, de comida, caça, sobre o Brasil, sobre o Texas e mais algumas coisas. Agradeci Brian pela imensa atenção. Ele, muito religioso, disse que foi um prazer e que se sente abençoado por Deus quando alguém de tão longe vem o visitar e conversar com ele. Brian é uma pessoa muito gentil, fez questão de dar a maior atenção possível. No outro dia, ele iria viajar e caçar, mas deixou Chris, seu braço direito à nossa disposição. Disse a ele que iria treinar lá por dois dias e perguntei o preço. Ele disse que a minha presença, representando o bodybuilding brasileiro, era uma honra e fez questão de não cobrar absolutamente nada.

     

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  • DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym  Parte 2 – Fotos

    DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym Parte 2 – Fotos

    Metroflex por dentro:

    Era hora de treinar, só tínhamos dois dias em Arlington. Depois de 13 horas de avião e aeroporto, mais seis horas andando pela cidade e conversando com Brian, era hora de treinar. Ou tentar pelo menos. O cansaço era enorme a essa altura. Meio da tarde, uma noite praticamente sem sono, enfiado numa poltrona apertada de avião. A última refeição decente havia sido há umas 28 horas. Nesse período só refeições rápidas e shakes. Mas lá estava eu, na academia mais hardcore do mundo. Óbvio que eu iria treinar.

    Antes disso, fui checar a academia, explorar o prédio e ver com os meus próprios olhos tudo o que eu só havia visto por foto ou vídeo.

    A academia é bem menor do que aparenta nos vídeos de Coleman e Branch Warren. Basicamente temos uma sala de recepção, onde fica Brian Dobson, sua escrivaninha, um armário com portas de vidros cheio de suplementos e fotos, muitas fotos coladas nas paredes. Ao lado, temos uma outra salinha bem pequena com mais fotos, desta vez o foco não bodybuilding, mas as caçadas de Brian e seus amigos. Depois, existe a sala de musculação propriamente dita, cheia de maquinas, ferro e muito peso.
    Já antes de entrar na sala de recepção, já temos uma idéia do que nos espera. Ao sair do carro já podemos ouvir a música arrebentando os auto falantes. Não espere ouvir Mariah Carrey, Ricky Martin ou qualquer coisa parecida. Para Brian a música é um fator essencial para que a mente entre no estado adequado de excitação para um treino brutal. Rammenstein, Metallica, AC/DC, Tupac e DMX além das trilhas sonoras de todos os filmes de Rocky, o Lutador são escolhas certas na Metroflex.
    Na salinha de recepção já podemos notar as paredes. Coladas nelas temos dezenas e dezenas de fotos e muita teia de aranha. As fotos são um show a parte na Metroflex. Elas estão por toda a academia, inclusive banheiros. Nesta sala, temos muitas fotos bem antigas de Coleman e Branch Warren. Nosso Brasileiro Miguel de Oliveira também está lá, assim como praticamente todo culturista que já pisou na terra. Tom Platz, Flex Lewis, Markus Ruhl e a lista é enorme. As fotos são principalmente tiradas em treinos ou sessões de pose na própria academia. Ainda nesta salinha, podemos ver um forno microondas pré-histórico para que o pessoal esquente suas refeições.

    Ao adentrar na sala principal da academia, já nos deparamos com uma parede roxa, cheia de pôsteres (para variar) e muitas frases de motivação escritas pelos próprios membros da academia.

    “Intensity, Intensity Intensity”

    “IF the mind is willing, the body is able.”

    “Success is more attitude than aptitude.”

    “Hard can beat talent when talent doesn´t work hard.”

    “IF it doesn´t scare you – it´s not heavy enough.”


    Essas são apenas algumas, existem paredes inteiras com inscrições como essas e se um dia você estiver desanimado lembre-se destas frases. A minha preferida não estava rabiscada na parede, mas sim em um quadro:

    “Train Like a Champion Today.”

    Era isso o que eu pretendia fazer! Continuando a visita pela academia, pude ver algumas esteiras e bicicletas amontoadas em um canto. Todas cobertas de poeira e teias de aranha. A visão me remetia a algum filma de ficção cientifica, onde ruínas de uma civilização antiga eram encontrados. Todas as esteiras devem ter no mínimo uns 25 anos e a maoria tinha um bilhete pregado dando um aviso:

    “Out of order” Fora de serviço, ou simplesmente quebrada. O papel com o aviso parecia tão velho quanto a própria esteira. O que demonstra a vontade (ou falta de) de consertá-las. Tenho certeza que o pessoal de lá não sente falta delas.

    Agora eu tenho uma visão completa da academia, o chão tem tapetes espessos de borracha, mas nem sempre eles cobrem toda a superfície. Logo abaixo dos tapetes de borracha, areia é o terreno. A cada passo dado, a cada halter jogado no chão, uma nuvem de poeira espessa se levanta. Me dirigi aos racks de halteres. Eles ficam bem em frente ao espelho. Acima do espelho mais fotos, desta vez o destaque são competições. Avisos colados ao longo dos racks pedem em vão aos usuários que guardem os halteres no lugar após seu uso.
    Os halteres são outro espetáculo á parte nesta pequena academia. Eles vão desde 10 libras ( 4,5 kgs) até 250 libras (115 kgs aproximadamente). Temos os famosos halteres hexagonais, mostrados nos DVDs de Ronnie e Branch, temos os halteres redondos, que parecem que vão desmontar a qualquer segundo. Um fato bem inusitado é que aqui, todas as barras são tortas. O numero de pessoas que usa muito peso nas barras é grande por lá. Por isso, ao longo dos anos, as barras foram se entortando. Mas mais curioso que isso é o fato de que até os halteres têm suas pequenas barrinhas entortadas! Sim! Você por acaso não acha que alguém vai usar um halter de 40 kgs e colocá-lo no chão cuidadosamente na academia mais hardcore do mundo, acha? Ao final de cada série, os halteres são carinhosamente jogados ao chão. Com isso, eles foram entortando com o tempo.
    À medida que andamos em direção ao lado dos halteres mais pesados, maior se torna a bagunça, muitos deles estão amontoados no chão. Tentei tirar o monstruoso halter de 115 kgs do rack, mas ele nem se moveu do lugar!

    Andando um pouco mais às frente, cheguei à parede onde estão fixadas as duas barras paralelas usadas para fazer mergulho. Quem viu o vídeo de Branch Warren, onde ele faz mergulho para peito com várias correntes no pescoço sabe do que estou falando.

    Continuando a peregrinação pela academia, avistei um banco de supino curioso. Ele foi feito com suportes para halter. No lugar de um suporte para guardar a barra, existem dois suportes para que se coloquem os halteres. Isso ajuda quem adora fazer supino com halteres, pois permite que se pegue o peso já em uma posição favorável. Poucos academias no mundo poderiam se dar ao luxo de ter um banco de supino exclusivo para o uso de halteres. Para a maioria não é economicamente viável.
    A academia possui uma quantidade enorme de máquinas bem antigas, muitas delas feitas sob encomenda para a Metroflex, outras delas reminiscentes da era Nautilius. Por outro lado, encontramos algumas das melhores peças de equipamento que o dinheiro pode comprar como Leg-Press Nebula, o qual Ronnie usa no vídeo “The Cost of Redemption” fazendo séries de 8 – 10 reps com mais de 1100 kgs. Não treinei pernas na Metroflex, mas experimentei esse leg-press e posso dizer uma coisa – Ele é bem pesado.
    Além desse leg-press, também experimentei, em umas duas séries, a cadeira extensora que Ronnie usa no mesmo vídeo. Ele faz umas 20 repetições com a pilha toda e mais duas anilhas de 45 libras (20 kgs) presa na máquina. Não sou um monstro, nem um gigante, mas sou bem forte nas pernas. Em um bom dia consigo fazer agachamento com 180 kgs para 6 a 8 repetições bem fundas. Sentei na tal cadeira extensora, obvio que o aquecimento nem o foco mental estavam em treino de pernas, mas coloquei metade da pilha e consegui fazer 8 repetições. Claro que se eu fosse treinar pernas, estivesse descansado, comido bem etc conseguiria fazer talvez umas 12 reps com metade da pilha. Isso colocou em perspectiva para mim como Ronnie é extremamente forte.

    Em um outro canto da academia, perto de um banco de supino oficial para powerlifting, estavam uma dezena de barras de todos os tamanhos e formatos, uma caixa enorme de madeira cheia de pegadores, ganchos, presilhas tudo quebrado. Tentei revirar um pouco as coisas para ver o que encontrava, mas preferi não fazer por receio de encontrar a aranha que havia feito todas aquelas teias pela academia. Talvez eu encontrasse coisa pior! Melhor deixar a “caixa” sossegada.

    No mesmo canto, pude encontrar algumas bolas de concreto, barras que se assemelham troncos de arvore e outros materiais especificos para treinos de strongman. Para combater o calor, imensos ventiladores industriais são distribuídos pelo prédio. Um pouco mais ao lado, encontraria uma coisa que me surpreendeu de verdade. As correntes:

    Presa á parede, uma espécie de trave dá suporte a várias correntes penduradas. As correntes tem mais ou menos 1,60 m de comprimento e cada um de seus gomos é imenso. A espessura e peso de cada corrente varia e elas são posicionadas por cima dos ombros para aumentar o peso corporal em exercícios livres como mergulho ou barra fixa. Volto a citar o DVD de Branch Warren. Nele, o texano faz algumas séries de mergulho na paralela com até três correntes enormes no pescoço. Temos correntes de até 60 kgs ali. Achou a idéia das correntes meio rústica? Lembre-se que estamos na Metroflex.

    Um pouco mais ao lado das correntes, fica outro ponto famoso da Metroflex. É naquele lugar que são realizados o terra e o agachamento nos vídeos de Coleman. Ao fundo, encostado na parede, um banquinho bem simples de madeira. É nele que Ronnie se senta para amarrar as faixas elásticas em torno dos joelhos logo antes de uma série pesada agachamento.

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    Bem à minha frente, estavam os dois postes onde se apóia a barra de agachamento. A academia tem um ou dois racks – espécies de gaiolas – para que se apóie a barra com segurança na hora do agachamento. Mas a grande maioria prefere usar estes postes com suportes hidráulicos que mais parecem um macaco para trocar pneus de carreta. Provavelmente postes comuns, encontrados por aí nas academias não suportariam a pressão de “trabalhar” na Metroflex. Agachamentos com mais de 280 kgs são acontecimentos quase que diários por lá. Por isso a necessidade de um equipamento especial.

    Estamos chegando perto de outro canto da academia, passo por mais um daqueles ventiladores industriais enormes. Bem no canto da sala descansa uma barra. Uma de suas extremidades está fixada em uma espécie de suporte articulado junto à parede. Na outra ponta, duas anilhas estão colocadas. Nesse canto é realizada a remada cavalinho, ou T-Bar Row.

    Este é mais um local imortalizado pelos vídeos e certamente mais um local inusitado. É óbvio que assistir aos treinos de um Mr Olympia vai te influenciar positivamente sempre. Você vai querer usar as técnicas dele e os mesmos exercícios que ele. Por isso a remada cavalinho é outro exercício que 100% das pessoas que treinam na Metroflex fazem.

    Muitos juram que este exercício, junto com o levantamento terra, é o responsável pelo desenvolvimento dos melhores dorsais da América. O chão, bem onde as anilhas colocadas na barra descansam, é afundado. Um buraco arredondado causado por anos uso. Como ninguém treina leve e ninguém guarda os pesos com carinho após uma série. Durante anos, toneladas de peso foram sendo jogados naquele mesmo ponto do chão, causando uma deformação, uma valeta.

    Há alguns anos, sabemos que era preciso que alguém pisasse na extremidade livre da barra para que ela não se levantasse. Mesmo apoiada no canto da parede, ela poderia se soltar e levantar quando muita carga é utilizada. Quem já fez esse exercício sabe do que estou falando. Portanto, era sempre necessário um parceiro que pisasse na barra para você. Outro ponto que os donos de academia não gostam muito é que o atrito da ponta da barra acaba arrebentando tudo na parede – rodapé, piso, reboque etc. Claro que isso não é problema por lá.
    Quando cheguei lá, notei algo bem interessante. Eles haviam construído um suporte no canto da parede. São três faces de ferro, soldadas. Uma fica no chão, as outras duas encostadas na parede. Nesse suporte, existe uma luva, onde encaixa a ponta livre da barra. Essa luva tem duas articulações que permitem que a barra se movimente livremente para cima e para e para os lados. A foto ilustra melhor.

    Andando um pouco mais, tentando me desvencilhar das teias de aranha, cheguei ao local onde estão quase todas as maquinas de perna. São uns dois suportes de agachamento tipo gaiola; um leg press 90º muito antigo; maquinas Smith que também não parecem ser novas. Testei uma delas e o deslizamento é perfeito, tudo balanceado e dá pra treinar muito bem nela. Logo ao lado duas panturrilheiras gigantescas. Uma com pilha de tijolos de pesos e outra onde é preciso colocar anilhas.

    No meio de tudo isso, encontrei um pull-over Nautilus, com cinto de segurança para amarrar o sujeito firme no lugar. Já bem perto de uma das portas da academia, cheguei a uma espécie de cemitério de máquinas. Nesse local ficam amontoadas diversas maquinas muito antigas, provavelmente quebradas e sem condições de uso. No mesmo local temos um pneu gigante de trator usado em competições de Strongman e até alguns barris de chopp!!

     

    A essa altura, tive que esgueirar por entre as maquinas para ter acesso a um dos banheiros. Temos dois banheiros lá, um reservado, onde ninguém tem acesso; e esse outro que fui conhecer. Nenhum dos dois tem chuveiro ou qualquer utensílio que nos traga as palavras higiene ou conforto à mente.
    Na parede fora do banheiro, mais frases de incentivo rabiscadas. Dentro do banheiro fotos e mais fotos dos atletas. Para quem viu o vídeo, percebeu minha expressão de alegria ao entrar no banheiro. Lá dentro podíamos encontrar pôsteres de Dorian, Arnold, Ronnie. Como deve ser a sensação de fazer força juntamente com seus maiores ídolos? Um pequeno espelho, um vaso meio sujo e um desentupidor de privada é o que podemos encontrar lá dentro. Ah, e claro, mais um quadro com uma frase de incentivo – bem em frente ao vaso sanitário – “Do it for your health.”

    Após esse pequeno tour pela academia mais hardcore do mundo, finalmente era hora de treinar.

     

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  • DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym  Parte 3

    DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym Parte 3

    Treinando em Território Sagrado

    O primeiro treino nos EUA. Primeiro treino na Metroflex. Como seria? Isso vinha me perseguindo há alguns meses. Lá estava eu, quase 14 horas de aeroporto, seis horas vagando pela cidade e conversando na academia. Uma noite praticamente sem sono, última refeição decente havia sido há 30 horas. Quem treinaria sob esse cenário? Não seria possível. Mas eu estava em Arlington, na Metroflex Gym, tinha pouco tempo por lá. É claro que eu treinar, mesmo que desmaiasse no meio do treino eu ia treinar.

    O engraçado é que mesmo com essa situação de esgotamento físico, eu parecia novo e queria muito treinar. O ambiente, o som, a academia realmente hipnotizam e te fazem treinar. Mantendo as proporções, isso me lembrou quando estive em Londrina, alguns anos atrás, para treinar na IronWorks. Academia que era do Waldemar Guimarães na época. Eu me lembro que fiquei lá por alguns dias. Passava o dia todo na academia, observando a tudo e a todos. Alguma coisa naquela academia me fazia querer treinar o tempo todo. A qualquer hora, eu queria treinar.

    Esse é o tipo de ambiente criado por essas academias únicas, alguma coisa no ar te deixa motivado 100% do tempo. Naquele dia o calor estava especialmente alto, o tempo seco. A academia não estava lotada, então me troquei e fui treinar.

    Meu primeiro treino por lá foi ombros e tríceps. Comecei com um aquecimento leve, usei o menor par de halteres e fiz algumas séries de elevação e elevação frontal. Comecei o meu treino como de costume. Sempre priorizo a cabeça medial dos deltóides pois é principalmente ela que confere aquele aspecto arredondado aos ombros.

    O primeiro exercício foi elevação lateral. Fiz três séries deste exercício, sentado e com 100% de perfeição na forma de execução. A primeira série foi realizada com 20 libras (9kgs) para 12 repetições bem feitas e bem lentas. Usei a mesma carga na segunda e terceira séries, tendo feito 10 reps em cada uma.

    O segundo exercício foi um clássico. Desenvolvimento com barra. Quem não se lembra de Coleman fazendo este mesmo exercício em seu vídeo “The Unbelievable”? Claro que usei cargas ridiculamente menores que as dele. Sentei no banco, peguei a barra, sem anilhas ainda, e comecei uma série de aquecimento, só para regular os ajustes do banco e suporte. Nesse instante, enquanto eu realizava aquelas fáceis repetições, visualizava Branch Warren e Coleman fazendo este mesmo exercício, neste mesmo banco , com esta mesma barra.
    Não sou muito forte em ombros, na verdade não sou muito forte em nada. Depois que realmente estreitei os laços da relação entre mente e músculos, parei de abusar dos pesos. Na verdade, a questão intrínseca é que precisamos contrair os músculos, e não levantar o peso. O peso é apenas um meio para se chegar ao final – estimular a musculatura. É claro que aquela busca primitiva, quase inconsciente de tentar levantar as maiores cargas possíveis ainda está embutida em minha mente; mas agora entendo o verdadeiro sentido de “maior carga possível.”
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    Com isso em mente, pensei começar o exercício usando a barra de 45 libras ( aprox 20 kgs) mais uma anilha de 25 libras de cada lado, que totalizariam mais ou menos 45 kgs. Para a primeira série estava bom. Depois eu iria aumentando o peso até chegar ao total de 60 kgs. Acreditem, é o suficiente se a forma de execução e qualidade de contração forem perfeitas.

    Procurando as anilhas de 25 libras me dei conta de uma outra característica da Metroflex. Não existem anilhas pequenas por lá. Só temos as anilhas de 45 libras (aquelas grandonas que vemos nos vídeos e fotos) e algumas poucas de 35 libras (15 kgs). As anilhas menores provavelmente estão escondidas no meio do entulho de maquinas velhas no canto perto do banheiro.

    Comecei a primeira série coma barra e uma anilha de 35 libras de cada lado, totalizando uns 50 kgs no total. Foram 12 reps perfeitas, descendo bem a barra. Na série seguinte, resolvi manter a carga. Só iria aumentar o peso na última. Consegui apenas 8 reps com muita dificuldade. O calor era imenso, o ar seco, a academia abafada. Resolvi dar um intervalo de descanso um pouco maior que o comum. A carga não foi aumentada. Na terceira série, fechei os olhos e visualizei mais uma vez os monstros Branch e Ronnie na tentativa de reunir forças para uma boa série. Consegui 7 repetições e quase desmaiei.

    Era hora de partir para o terceiro exercício – a remada alta com pegada aberta. Realizo este exercício com a pegada bem aberta para focar a contração dos deltóides e não do trapézio. Utilizei a mesma barra com a qual havia feito o desenvolvimento. Foram três séries de 12 , 10 e 10 reps. A essa altura, o cansaço, calor absurdo e falta de alimentação adequada estavam começando a pesar. Mas nada ia me tirar dali até que eu terminasse meu treino. De jeito nenhum.

    Precisava fazer alguma coisa para a parte posterior dos ombros. Crucifixo inverso com halteres estava fora de questão. As circunstancias pediam uma maquina, onde eu pudesse ficar apoiado e só me preocupar em contrair os deltóides. Andei pela academia e encontrei um PEC-deck. Ele estava ajustado na posição de crucifixo para peitoral. Eu precisava ajustá-lo para a posição de crucifixo inverso. Enquanto olhava para a maquina com uma expressão de duvida, pensava como iria fazer o ajuste. Será que eu teria que soltar alguma trava e girar os braços até que se posicionem do outro lado. Ou teria que trocar os braços da maquina por outros?

    A resposta veio em poucos segundos. Um cara que estava treinando pernas em uma maquina ali perto veio até mim e me ajudou com os ajustes. Era um cara alto, grande e moreno. Seu nome era Mark e ele treinava lá há muitos anos. Agradeci a gentileza e ofereci ajuda caso ele precisasse.

    O crucifixo inverso na maquina foi muito bom. Consegui isolar bem a parte posterior do músculo. Foram 3 séries de 10 repetições com cerca de um terço da pilha de tijolos.

    Agora só faltavam algumas séries de encolhimento para trapézio e poderia começar a treinar tríceps. Novamente, me dirigi ao rack de halteres. Eu iria realizar o encolhimento de ombros com halteres. Peguei um par de halteres hexagonais, inteiriços, pesando 100 libras (45kgs) cada. Ainda estava me acostumando com o fato dos halteres estarem curvados, provavelmente de tanto serem jogados no chão. Com eles fiz três séries de 10 reps de encolhimento. Depois de cada série, como manda a tradição, o peso era gentilmente jogado no chão.

    Me dirigi até uma estação de polias com cross-over que fica bem no centro da sala. A intenção era fazer tríceps no pulley, mas não conseguia encontrar a barrinha correta. Mais uma vez, sem eu nem mesmo pedir, meu amigo Mark veio até mim e deu uma força. Agradeci novamente e ele só respondeu: “Go Hardcore Man!” Isso me motivou a terminar o treino. Faltava pouco agora.
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    Fiz as três mais difíceis e suadas séries de tríceps no pulley da minha vida. Sinceramente não me lembro o peso que utilizei, sei que fiz 10 reps na primeira série, oito na segunda e apenas 7 na terceira, mesmo dando um intervalo maior de descanso.


    Terminei o treino, ainda ali perto dos halteres, com tríceps coice bilateral. Ou seja, me inclino até o tronco ficar praticamente paralelo com o chão e realizo o movimento do coice como dois braços simultaneamente. Foram três séries também utilizando halteres de 20 libras. Com isso terminava nosso primeiro dia em Arlington, nosso primeiro dia do Tour pelos USA. Com certeza muita coisa ainda nos aguardava.

    Treinando costas como Ronnie Coleman

    Voltamos à Metroflex no dia seguinte. Brian já havia partido em sua viagem de caça. Só voltaria em alguns dias. Felizmente ele deixou à nossa disposição seu braço direito, Chris. Ele é um cara alto e grande. Certamente Chris tinha um braço com mais de 50 cm, porém não posso dizer que ele era do tipo “rasgado”. Enfim, ele nos ajudou e tratou da melhor forma possível.

    Depois de uma boa noite de sono e algumas refeições decentes, estava na hora de mais um treino em um dos lugares mais sagrados para os bodybuilders. Era dia de costas. Como ir até a Metroflex Gym e não treinar costas? Seria um sacrilégio!
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    No segundo dia, aquela emoção e excitação inicial já haviam se dissipado a níveis mais adequados. Eu conseguia ver melhor as coisas na academia, perceber mais detalhes. Depois de um breve aquecimento, me dirigi ao tablado onde fica o suporte especialmente construído para que se faça remada curvado com barra. Já havia uma barra lá – torta, é claro – e só precisei colocar as anilhas.

    Meu treino de costas seria o mais básico possível, para aproveitar alguns pontos interessantes e únicos da Metroflex. Comecei com a remada curvada com barra, arma importantíssima na trajetória de praticamente todos os Mr Olympia, especialmente dos últimos quatro até então – Jay, Ronnie, Dorian e Haney. A primeira série foi leve, com 60 kgs. Nas últimas séries usei 100 kgs e consegui fazer entre 8 e 10 repetições.

    A essa altura, o relógio marcava 10 da manhã em Arlington. O calor novamente nos castigava. Ao terminar as séries na remada curvado, fui até o canto mais famoso da academia para fazer a remada cavalinho. Talvez esse fosse o momento que eu mais aguardava em toda a viagem. O grupo muscular que eu mais gosto de treinar são os dorsais. Meus exercícios preferidos são Remada cavalinho e agachamento respectivamente. Por isso eu não via a hora de treinar costas na Metroflex. Nos vídeos nós vemos Coleman e Branch fazendo esse exercício com aquela mesma barra. Mas a barra deles sempre estava com anilhas até o final. Geralmente 10 ou 12 anilhas de 20 kgs são colocadas nesta barra pelos dois. A minha realidade seria um pouco diferente.

    Comecei com 40 kgs, duas anilhas de 45 libras. Fiz uma série curta para “sentir” como estava o peso. Foi leve. Coloquei mais uma anilha de 45 libras (20 kgs); agora a coisa começava a ficar desafiadora. Fiz oito repetições bem feitas. Os intervalos eram bem curtos, curtíssimos. Podemos observar isso no vídeo. A terceira série tinha que começar. Adicionei mais 20 kgs à barra, que agora contava com 80 kgs. Em um bom dia, com o sono em dia, alimentação ok eu consigo usar 100 kgs para umas seis repetições. Naquela ocasião, 80 kgs foi o mais pesado que consegui para fazer boas 9 reps.

    Para fazer o próximo exercício me dirigi até o rack com os halteres. Era hora de fazer remada com halteres unilateral. Comecei com um halter hexagonal de 80 libras (36 kgs), a segunda e última série foi com um halter de 45 kgs. As duas séries tiveram uma média de 6 a 8 repetições. Foram séries curtas; mais curtas do que eu gostaria. Agora, eu iria fazer mais três séries de remada no cabo. Desta vez eu iria diminuir o peso e tentar fazer mais repetições. Utilizei uma maquina de remada que fica anexada ao Cross-over.
    Na primeira série, usei um terço da pilha de pesos e fiz 11 ou 12 reps com ótima qualidade. Na segunda série coloquei mais ou menos meia pilha de pesos. O descanso foi curto, como de costume, mas o calor e clima extraordinariamente seco estavam drenando toda a energia. Fiz sete ou oito repetições na segunda série. Mas sabia que podia fazer melhor. Resolvi fazer uma terceira série, que inicialmente estava fora dos planos. Aumentei um pouco mais a carga, respirei fundo e consegui uma ótima série com oito repetições. Se o Branch estivesse lá, certamente ele iria se orgulhar de mim.

    O último exercício de costas do dia seria puxada pela frente no pulley com pegada aberta. No mesmo cross-over, além do acessório de remada baixa no cabo, temos um puxador pulley. Fiz a primeira série com oito tijolos de carga. Dez repetições macias e suaves. A segunda e última série, foi feita com a mesma carga, dez ou onze repetições muito boas também.

    Depois de aproximadamente 50 minutos acabava-se o treino. O calor infernal nos castigava duramente. A experiência de treinar na Metroflex, local sagrado para todos nós, foi de tirar o fôlego. Nunca vou me esquecer das emoções marcantes – avistar a academia de longe, ainda do carro, conhecer pessoalmente Brian Dobson, ver ao vivo os equipamentos, halteres e barras da Metroflex e treinar lá. A atenção que recebi de Brian e Chris e a ajuda de Mark demonstram que lá existe um sentimento de fraternidade, são uma legião de fanáticos por levantar peso e fazem questão de honrar os seus “Irmãos de Ferro.”

    Era hora de seguir em frente, nos despedir da Metroflex. Nosso vôo para Los Angeles partia no outro dia bem cedo, mas ainda havia um lugar para visitar. Precisávamos conhecer o restaurante mais famoso de Arlington para os fãs de musculação – o “Black-Eyed Pea”.


    Almoço à Moda Texana

    Na verdade eu já havia ido ao Black-Eyed Pea no dia anterior. Mas descobri que era uma filial. Ronie ia no principal, situado na Cooper Street, a mesma da academia. A comida lá foi a melhor que eu comi nos EUA em toda a viagem.

    O restaurante tem uma decoração característica do Texas, com a fachada toda em madeira. O estado do Texas é conhecido como estado da estrela solitária, alusão feita á sua bandeira, que é formada por duas faixas horizontais branca e vermelha e um quadrado azul com uma estrela dentro. A comida é simples, mas deliciosa. O restaurante tem como público alvo famílias texanas comuns. Nas duas oportunidades que estivemos lá, muitos casais de idosos estavam presentes.

    Quando cheguei no restaurante da segunda vez, disse ao garçom que eu só estava lá por que era um fã de Ronnie Coleman. Ele imediatamente chamou a gerente do lugar. Pensei: “Será que falei uma besteira? Será que Ronnie é Persona non grata aqui agora?”
    A gerente chegou e o garçom disse a ela que éramos fãs de Ronnie. Ela abriu um belo sorriso. Disse que Ronnie ia sempre lá. Sempre se senta no mesmo lugar e sempre pede o mesmo prato. Ela ainda disse que estava quase na hora de ele chegar. Ele vem quase todo dia aqui. De vez em quando, duas vezes por dia. Iríamos comer, sem pressa, e esperar um pouco. Quem sabe ele não chega.

    A entrada é uma cestinha com bolo de milho e pão de milho, quentinhos, direto do forno. Eu não gosto muito de milho. Mas aquele pãozinho e o bolo são simplesmente deliciosos. Junto vem uma manteiga, mais macia, aerada. Muito bom. Pouco tempo depois, um rapaz vem até a mesa. É ele o garçom preferido de Ronnie. O rapaz fala um pouco sobre o Mr Olympia e seus hábitos alimentares pouco comuns. Ele come “muito” segundo o rapaz.

    Parece que todos os pratos vendidos em restaurantes dos EUA têm batata frita como acompanhamento. Pedimos a mesma coisa do dia anterior – Frango grelhado, arroz amarelo – que não era nem um pouco gostoso, brócolis e batata frita. Eles não servem e nem fazem arroz branco no Black-Eyed Pea. Quando pedi arroz branco, a garçonete não fez uma cara muito boa. Disse que só tinham os arrozes temperados.

    Depois de uma ótima refeição, esperamos um pouco mais para ver se Ronnie aparecia. Ele não apareceu. Fomos dar uma volta rápida pela cidade e depois voltamos ao Hotel para fazer as malas. Na manhã seguinte precisávamos voltar para Dallas/Fort Worth e pegar nosso vôo para a ensolarada Los Angeles. Califórnia aí vamos nós!

    Vejam os Vídeos:

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  • DC USA TOUR 08 –  Capitulo 2 – A Ensolarada Califórnia

    DC USA TOUR 08 – Capitulo 2 – A Ensolarada Califórnia


    Na Quarta-Feira, 17 de Setembro de 2008, acordamos bem cedo – mais ou menos quatro da manhã. As malas já estavam prontas, mas precisávamos tomar um café reforçado no hotel, dirigir 50 km até o aeroporto, devolver o carro e embarcar no avião para Los Angeles. Seriam mais três ou quatro horas de vôo. Enquanto esperávamos, junto ao portão de embarque, podíamos ver alguns típicos Businessmen texanos vestindo belos ternos, botas e chapéus de vaqueiro. A TV começava a mostrar as primeiras consequencias da crise mundial.

    Mais um vôo tranquilo, sem qualquer problema. A segurança no aeroporto era imensa, com agentes por todos os lados e uma dura fiscalização. Pousamos em Los Angeles, no aeroporto internacional LAX. Mais um aeroporto enorme. Mais uma vez, pegamos as malas e fomos procurar a locadora de carros. Um microonibus nos levou até lá. Arlington é uma cidade grande, mas não muito. O Texas tem um clima de interior, as pessoas são mais simpáticas, atenciosas. Em Los Angeles tudo é diferente. O contraste entre o Texas interiorano e uma das maiores e mais importantes cidades do mundo é bem grande. O simples ato de conseguir algumas informaçoes de localização era dificil.

    Chegamos à locadora, pegamos nosso carro com tanque cheio, GPS e fomos embora diretamente para Venice. Tinhamos muita coisa à fazer pouco tempo. Passava um pouco da hora do almoço, Estávamos há uns 40 km de Venice. Decidimos almoçar por lá mesmo, no FireHouse Cafe.

    Mesmo com o trafego pesado, conseguimos sair rapidamente de Los Angeles e rumar para a vizinha Venice. Pouco tempo depois, o GPS indicava que estávamos há apenas 300 metros da academia. Eu já podia avistar a fachada do prédio. Lá estava escrito “The Mecca of Bodybuilding”. Mais uma vez, a tremedeira nas pernas começava. Bem na minha frente estava a academia mais importante da história. Nos anos 70, 80 e início dos 90, se você quisesse ter sucesso no bodybuilding, era praticamente obrigado a mudar para Venice e treinar na Gold’s Gym.

    Paramos o carro no estacionamento dos fundos e fomos até lá. Antes de entrar parei bem na frente. Olhei para o prédio tentando me certificar que não estava sonhando. Era mesmo verdade. Lá estava a Gold’s Gym, Meca da musculação mundial. Local onde centenas de campeões foramconstruídos. Vários pensamentos vieram à minha cabeça. Como seria treinar lá? Como se comporta o pessoal de lá? Quem será que eu iria ver ali? Até agora eu havia encontrado Brian Dobson, dono da Metroflex e perdido a chance de encontrar Branch Warren por uma questão de minutos. Não havia visto nenhum profissional ainda. Nesse momento, no meio deste turbilhão de pensamentos, vejo Bob Cicherillo conversando com um colega na porta da academia. Ia até lá conversar um pouco com ele, mas percebi que ele iria treinar. Não quis incomodá-lo.

    PhotobucketAo entrar pela porta senti imediatamente o espirito do culturismo. Olhei rapidamente ao redor e imaginei todos os atletas, todas as histórias que eu havia lido. Pensei em Arnold, Franco, Zane, Ed Connors, Dave Drapper, Mike Quin, os Barbarian Brothers, Samir Bannout, Cris Dickerson, Tom Platz, Flex Wheeler, Shawn Ray, Chris Cormier, e todos aqueles homens e mulheres que viveram suas vidas dedicadas ao culturismo e que passaram anos treinando ali, naquele mesmo chão que eu estava pisando. O folclore baseado nas histórias de Venice é riquissimo, não é dificil encontrar livros ou histórias na internet sobre as peripécias de Arnold e sua turma, as trapalhadas dos Barbarians Brothers e as disputas épicas entre Chris Cormier e Flex Wheeler, quando eles treinavam juntos.

    Photobucket Logo na entrada da academia fica uma lojinha com roupas e alguns suplementos. A variedade de roupas é enorme, calças, bermudas, camisetas, moletons, jaquetas bonés. Se você usa tamanho “P” ou “M” não vai encontrar nada que te sirva. Tudo lá é grande. O tamanho menor é o “G”, seguido de XG, XXG, XXXG e até o espantoso XXXXG! A menos que seu nome seja Ronie Coleman ou Jay Cutler, você vai ficar ridiculo em uma camiseta tamanho XXXXG.

    Nesse recinto podemos encontrar uma geladeira cheia de shakes proteicos Ready to Drink e algumas barrinhas de proteína ao lado. Perto dali, um forno microondas para uso dos alunos e treinadores que não podem perder a hora das refeições. Como vemos, tudo lá é feito para facilitar a vida de quem treina sério.

    Bem do lado da lojinha, temos o balcão de atendimento e uma pequena cerquinha que separa a sala de entrada do restante da academia. Enquanto eu falava com o atendente, podia avistar Bob Cicherillo e seu amigo em um canto, Charles Glass e Silvio Samuel em outro, todos treinando. Um pouco al lado também pude ver o IFBB Pro libanês/alemão Aiman Faour. Pedi para entrar na academia para conhecer o local.

    A academia é simplesmente enorme. Tem tantas máquinas que praticamente é impossivel ver a parede do outro lado da sala. A academia se divide em três grandes salas. A primeira sala tem muitas máquinas, mas também é onde se encontram os maiores halteres e mais peso livre. Nessa primeira sala temos os quadros ilustrando todos os vencedores do Mr Olympia, Ms Olympia, Masters Olympia e NPC Nationals.

    Aos poucos, a Gold’s foi atraindo muitas pessoas fora da cena do culturismo, pessoas que apenas queriam treinar sério e obter resultados. A Gold’s não é simplesmente mais uma academia. Ela é um centro de fitness e treinamento capaz de atender desde competidores de culturismo profissional, atletas de ponta da NFL e NBA até artistas de Hollywood.

    Pessoas que vivem em cidades litorâneas geralmente acabam expondo mais o corpo. Isso cria uma preocupação maior com o físico. Em Venice, Los Angeles e outras cidades vizinhas isso não é diferente. É impressionante o número de pessoas com um fisico excelente que podemos ver na Gold’s. Claro que temos um ou outro mais gordinho. Mas em geral, todos que treinam lá estão muito bem. Sejam homens ou mulheres, praticamente todos têm um volume muscular considerável e uma boa definição. É raríssimo ver alguém com o fisico que se enquadra no “Off Pesadão”.

    PhotobucketComentei essa impressão que tive com o treinador Charles Glass. Ele concordou e disse que todos lá pensam e agem como bodybuilders. Muitos podem nem competir, mas nem por isso se consideram menos bodybuilders. Ele ainda ressaltou isso com palavras mais ou menos assim: Se você se considera um culturista, é sua obrigação se manter em uma condição razoável o ano todo. Não precisa se manter em condição de competição como ele faz ( aponta para o Silvio Samuel, que estava há alguns metros tomando um shake). Silvio tem uma genética superior que o permite isso. Mas para nós, mortais, ficar em uma condição razoável, com abdomem aparecendo e veias nos braços é perfeitamente possível desde que se tenha dedicação.

    Falando em dedicação e treinamento, Charles Glass é praticamente parte da Gold’s. O simpático rastafari, IFBB Pro e competidor nos anos 80, se tornou simplesmente o maior e melhor treinador de bodybuilding do mundo. Charles é formado em engenharia mas sua paixão pelo culturismo supera tudo. Profundo conhecedor de biomecânica, Charles usa as máquinas, bancos e barras a seu favor ( e de seus clientes) na hora de construir os melhores físicos do planeta.

    Glass não é um simples treinador que pega um cara normal e o transforma em gigante deformado. Ele é capaz de pegar um fisíco de ponta, praticamente sem falhas e torná-lo ainda melhor. Se você pega um carro mal cuidado, sujo por dentro e por fora, com pneus carecas, vidros quebrados, pintura riscada etc é muito fácil deixá-lo mais bonito. Com pouco esforço e um pouco de dinheiro você transforma seu carro velho e mal cuidado em um novo. Agora é muito mais complicado pegar uma Ferrari zero Km completa e tentar modificá-la para melhorar sua aparencia e performance.

    É isso que Charles Glass faz – ele melhora o que já é ótimo, faz o impossivel. A lista de clientes famosos de Charles é extensa – Chris Cormier, Flex Wheeler, Dennis James, Gunter, Troy Alves e Silvio Samuel são alguns deles.

    Além dos bodybuilders, Charles tem uma legião de clientes que simplesmente querem obter o melhor fisico através do treinamento e sabem que somente com ótima t;ecnica no treino conseguirão seus objetivos. Por isso Charles trabalha tanto. Ele chega na Gold’s as quatro ou cinco da manhã e não sai de lá antes das sete ou oito da noite.

    Mesmo sendo muito ocupado, Glass é sempre muito simpático com os visitantes da Gold’s Gym. Quando o avistei pela primeira vez, ele estava terminando um treino com Silvio Samuel. Ao acabar o treino me aproximei e perguntei se podia tirar uma foto e se ele teria um tempo livre para conversar um pouco comigo. Ele disse que poderia fazer isso rapidamente logo após treinar seu próximo cliente – Aiman Faour, IFBB Pro. Dito e feito. Como eu teria um tempo razoável até que Charles ficasse livre, resolvi treinar.

     

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  • DC USA TOUR 2008 – Treinando na Gold’s Gym

    DC USA TOUR 2008 – Treinando na Gold’s Gym

    Era apenas nosso terceiro dia nos EUA, três noites praticamente sem dormir. Mas eu estava na Gold’s Venice, ao lado de Silvio Samuel, Charles Glass, Bob Cicherillo, Will Haris e cia.  Como eu poderia não treinar???

    Era dia vez de treinar peitorais e biceps. Se treinar na Metroflex havia sido mágico, pisar e tocar nos pesos da Gold’s foi indescritivel.  À medida que eu ia fazendo minhas séries de aquecimento, passavam pelos meus olhos imagens de vários profissionais treinando aqui, Dennis James, Chris Cormier, Flex Wheeler, Jay Cutler; Eu havia assistido aos seus DVDs centenas de vezes podia me lembrar dos halteres e das máquinas que eles usavam. Eu lembrava de um treino de peito do Chris Cormier, onde ele usava uma máquina muito interessante que era uma mistura de supino com crucifixo. Os braços articulados da máquina se movimentavam para cima, durante o movimento de pressão, e depois eles se movimentavam um ao encontro do outro, como no movimento de crucifixo.

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    Silvio Samuel e Miguel Chain

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    Bob Cicherillo e Miguel Chain

    O que eu faria? Comecei com supino inclinado com halteres. Reservei um dos inúmeros bancos inclinados disponíveis e fui procurar os halteres. Comecei com um par de 70 libras, mais ou menos 31 kgs. Fiz uma boa série de 12 repetições. Os halteres daquela sala da Gold’s são maciços e emborrachados; o chão também é totalmente coberto por um carpete de borracha muito espesso, tão espesso que dá para sentir nossos pés afundando um pouco a cada passo. No final da primeira série, joguei os halteres ao chão Um deles pulou e foi parar  uns dois metros longe.

    Descansei um pouco. A adrenalina corria por minhas veias. Olhava aqueles quadros com fotos dos melhores atletas do mundo. Comecei a próxima série com os mesmos halteres de 70 libras. Desta vez somente dez repetições foram realizadas.

    A última série daquele exercício seria feita com um par de halteres de 80 libras ( 36 kgs aproximadamente). Seria uma série muito dificil devido às circunstâncias. Poscionei o peso sobre minhas coxas e o levantei até a posição inicial.  Meus braços tremiam antes mesmo da série começar.  Comecei a série e percebi que seria dureza. Fiz oito repetições, tentei a nona, mas não consegui. Muito bom.  Desta vez me esforcei para colocar os halteres no chão com mais cuidado.

    Segundo meus planos, o próximo exercício a ser feito seria o supino inclinado com barra. Comecei a procurar pelos bancos de supino com barra. A academia tem grandes salas, unidas por grandes portais, amplos e largos.  Estava na primeira sala, aquela onde todos os equipamentos são vermelhos. Me dirigi à segunda sala, procurei pelos bancos e nada.  Me aprofundei mais pela academia e acabei chegando na terceira sala. Nesta sala, mais da metade da área era ocupada por equipamentos de cardio – esteiras, bicicletas, steps, stairclimbers – eram filas e filas de aparelhos.  O restante da sala era ocupado por halteres, algumas gaiolas e bancos de supino.

    peito gold's gym

    peito gold's gym

    peito gold's gym

    Me dirigi a um dos bancos, coloquei o peso na barra. Total de sessenta quilos. A primeira série foi bem tranquila, 15 repetições fáceis. Na barra havia uma anilha de 45 libras de cada lado. Cada uma das anilhas equivale a 20,4 kgs. Se eu colocasse mais uma daquelas de cada lado, ficaria com mais ou menos 100 kgs na barra. Seria peso demais para mim.  Mas esperem. Eu estava em Venice Beach. Naqueles bancos, Flex Wheeler, Cormier, Lou Ferrigno haviam feito supino. Havia uma certa magia no ar.  Resolvi colocar as anilhas e tentar a série com 100 kgs.

    Nada mal, me surpreendi. Consegui fazer sete repetições. Talvez os espíritos da Gold’s estivessem me ajudando.  Mas era claro que se eu tentasse continuar com aquele peso, a terceira série acabaria sendo muito curta.  Decidi diminuir a carga. Deixei pouco mais de oitenta quilos na barra. Foi o suficiente para que eu quase me matasse para conseguir fazer dez repetições.

    Sempre que assisitia qualquer um dos DVDs da série “The Battle for The Olympia” e via alguém treinando peitorais na Gold’s havia uma máquina em especial que chamava muito minha atenção. A tal máquina era uma mistura de supino com crucifixo. Meio difícil de explicar. Imaginem uma máquina articulada de supino reto normal. Em geral, o braço dessas máquinas permite somente que você o movimente para cima e para baixo. Eles são fixados de uma maneira que, quando o braço está abaixado ( na posição onde o peitoral está alongado) as mãos fiquem longe uma da outra. À medida que vamos empurrando o peso para cima, obrigatoriamente os dois braços vão se aproximando um do outro até que, quando estivermos na posição final do exercício ( peitorais totalmente contraídos) as mãos estão próximas uma da outra.

    Sem problemas em relação a isso. Mas aquela máquina era diferente. Uma diferença básica. Os braços, além de se moverem na vertical ( movimento de subir e descer), também podem se mover na horizontal. Ou seja, a qualquer momento durante a série eu posso juntar ou separar meus braços.

    Sei que vocês devem estar aí coçando a cabeça e tentando imaginar a máquina, por isso vou colocar uma foto que tirei na Koloseum Gym ( Milos Sarcev ) de uma máquina identica.   O grande lance dessa máquina é que eu posso começar a fazer o movimento do supino com os braços em uma posição relativamente aberta e juntar as mãos no final. Se estivesse usando a barra livre, ao chegar na parte de cima do movimento, minhas mãos não poderiam se aproximar uma da outra. Se estivesse usando halteres, o movimento seria um arco, enquento sobe-se o peso, fecha-se os braços, e no final da repetição as mãos estão bem próximas uma da outra. Isso favorece uma contração mais forte na região central do peitoral, na inserção do músculo com o (osso ) esterno.

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    Essa é a máquina. Foto tirada na Koloseum Gym.

    Mas essa máquina é diferente até nisso. Com ela, também podemos começar o movimento com uma pegada relativamente aberta. A principal característica é que, ao chegar no topo do movimento, é necessário fazer mais força ainda para que as mãos se aproximem uma da outra. Por isso digo que ela é uma mistura de supino com crucifixo – é preciso fazer força para cima, na hora de empurrar o peso ( assim como no supino ), e no final do movimento, é preciso fazer força para trazer uma mão próxima a outra. Fiz três séries com mais ou menos sessenta quilos nesta belezinha.

    O último exercício de peitoral foi o cross-over. Usei uma estação de cross-over que também só havia visto em DVDs de treino. Bem interessante. Fechei o treino de peitoral com três séries de cross-over.

    Mesmo estando esgotado, ainda fui treinar biceps. Já pensava na visita que ia fazer à MaxMuscle logo após o treino. O treino de biceps foi curto. Três séries de rosca alternada e três séries de rosca direta na barra W. Fim de treino. Percebi que Charles Glass e Aiman também havia terminado sua jornada. Fui lá falar com eles.

    Após o treino, enquanto conversava um pouco com Charles Glass e Aiman, Silvio Samuel, Bob Cicherillo, Dave Bourlet ( sócio de Jay Cutler na Max Muscle Venice) e Will Harris se juntaram a nós. Todos já haviam terminado seus treinos. Eu disse que era do Brasil. Eles confessaram não se lembrar de nenhum culturista brasileiro. Charles ficou meio de lado e não falou nada. Bob Cicherillo e Will Harris foram muito simpáticos e perguntaram da viagem, se estava dando tudo certo e tudo mais. Inevitavelmente, a conversa mudou de rumo. Mr Olympia era o assunto. Bob perguntou a Silvio se ele iria ficar entre os cinco primeiros. Silvio, cansado do treino só concordou com a cabeça. Dave, sócio e amigo de Jay disse que ele conseguiria o terceiro título, que estava no melhor de sua forma.  Em mais alguns minutos de conversa, mais algumas fofocas ( bondosas e maldosas) sobre outros competidores acabaram saindo.

    Minutos depois Charles Glass foi treinar outro cliente, Bob Cicherillo e Dave foram almoçar e Will Harris me convidou para ir conversar um pouco fora da academia enquanto ele esperava uma cliente chegar. Claro que sim Will!

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    Assim que chegamos no lado de fora da academia, nos dirigimos até um dos bancos situados no estacionamento, debaixo de uma árvore que nos presenteava com uma generosa sombra.  De cara, perguntei porque Will não estava classificado para o Olympia. Só para refrescar nossa memória, estávamos a menos de uma semana da realização do Olympia naquele dia. E Will Harris havia ficado em quarto lugar ( de forma totalmente injusta) no Europa Super Show, atrás do então desconhecido Fouad Abiad, apenas quatro semanas antes. Caso Will tivesse ficado em terceiro lugar, a frente de Fouad, ele teria uma vaga no Olympia 08. Eu ainda disse a ele que estava chateado com aquilo, pois eu esperava vê-lo no palco do Olympia. Sempre achei o fisico de Will muito bom, não é um top, mas deveria estar todo ano no Olympia.

    Ele me respondeu com um sorriso, dizendo que o maior título que ele podia conquistar é a admiração dos fãs. Ele disse que quando um fã de outro continente como eu, chega para ele e diz aquelas palavras, era como se ele tivesse sido campeão. Ainda, Will disse que sabe que o fato de ele sempre dizer o que pensa a respeito das decisões da IFBB, árbitros e dirigentes o atrapalha muito nos campeonatos. “Tenho certeza que sou marcado e os árbitros não me dão as colocações que mereço por isso.” Reporta o simpático Gigante. Ele disse ainda que eu não poderia deixar Venice sem experimentar as panquecas integrais no FireHouse Cafe.

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