Paulista De Levantamento Terrra
Depois de mais de 16 anos treinando, resolvi competir. Sempre tive isso em minha cabeça, mas sempre preferi competir contra mim mesmo. Descobrir onde eu era capaz de chegar e se depois, seria capaz de me superar.
Não vou mentir que passa pela minha cabeça as vezes subir no palco de um Paulista de Estreantes de culturismo. Mas não almejo nada muito além disso. Sei de minhas capacidades e limitações. Minha filosofia de treinar sem usar esteróides também complica um pouco as coisas. Em geral, competir Natural contra atletas que usam certas substâncias é pedir para ser trucidado no palco. Mesmo em um Paulista de Estreantes.
Caso não faça uma preparação extremamente regrada e completa, um atleta natural não se dará bem em nenhuma competição de culturismo. Sabendo disso, e sabendo de minhas limitações genéticas, estrutura e shape não tão bons, pernas muito longas etc , Nunca realmente pensei em me preparar para um show de Culturismo. Sempre pensava, ano que vem eu vou. E no próximo eu dizia a mesma coisa.
Será que eu nunca iria competir?
Uns anos atrás, em um conversa com o Waldemar Guimarâes enquanto passeavamos de carro por Londrina, ele me disse uma coisa que ficou marcada em minha mente. Estávamos falando justamente sobre esse assunto. Competir ou não. Ele me disse que o fato de não ter a melhor das condições para competir não o deixava chateado. E completou:
“Se eu tivesse uma ótima genética para competição, talvez eu nunca tivesse escrito uma linha de texto.”
Dessa maneira, ele dizia que havia encontrado uma outra maneira de contribuir com o esporte ( e dessa maneira ele contribuiu muito, mas muito maiso do que se tivesse competido ). E eu me identifiquei com aquilo imediatamente.
Então, o fato de nunca competir não me assombra. Mas as vezes penso, que sem competir, a experiência de ser um Bodybuilder, de fazer parte dessa Sub-Cultura não seria completa. Pensava ainda em um dia competir. Mas como disse, meio sem compromisso com a data.
Ano passado tivemos o Paulista do Interior de Terra e Supino aqui em São Carlos. Nunca treinei nem acompanhei o Basismo. Mas achei que eu e uns amigos poderiamos tentar competir naquele campeonato.
Eu sempre fiz o Rack Deadlift, que é o “Meio-terra”, onde descemos a barra até pouco abaixo do joelho. Nunca tive força no peito, supino sempre fo meu ponto fraco. Mas eu adoro treinar costas e pernas e são dois grupos musculares que tenho muita força.
No Meio-Terra, eu costumava fazer séries de 6 reps com 200 kgs usando straps. SEmpre fui forte nas remadas também. Mas nunca havia treinado especificamente para força. Há anos que não fazia séries com menos de sete ou oito reps.
No início do ano vi que teríamos o Paulista do Interior de Terra em Itápolis, e em seguida, O Paulistão aqui em São Carlos. Analisei as cargas dos vencedores nos últimso dois anos. Percebi que talvez pudesse ter alguam chance.
O tempo passou e acabei me desligando disso. Quando vi, faltavam seis semanas para o Paulista do Interior. REsolvi começar a treinar. Na primeria semana, consegui apenas 140 kgs para 3 reps. Resolvi impor uma meta – caso chegasse aos 230 kgs uma semana antes do Paulista do Interior, eu iria competir, pois aí teria chances. Seria legal.
Acontece que o Paulista do Interior foi realizado no mesmo final de semana do Campeonato Mundial NABBA em SP. E eu fui convocado para cobrir o evento para a revista M&F ( Musculação & Fitness, antiga JMF – Jornal da Musculação & Fitness ) e eu não tive condições de competir. teria que ficar para o ano que vem.
Mas , descobri que eu poderia me inscrever no Paulistão, que seria realizado no dia 10 de Julho. O nível seria bem maior e eu não estava muito confiante a principio. Mas resolvi que iria, e que iria dar trabalho para aqueles caras. Treinei mais forte ainda,
Chegada a hora do campeonato, eu já estava com uma marca de 240kgs. Extamente 2,5 vezes o meu peso corporal. Não sabia o que ia encontrar pela frente, nunca nem havia ido a um campeonato desses. Contei com a atenção e disponibilidade do Presidente da FPLBI, organizador do evento e de muitos amigos que fiz por lá no dia.
Ao chegar no Ginásio, pude ver que o Braulio Colmanneti estava lá com dois atletas seus. Depois de tantos anos sendo amigos virtuais, nós haviamos nos encontrado na feria do Mundial da NABBA, duas semanas antes. Mas como os dois estavm com suas obrigações por lá, só pudemos dar um aperto de mãos rapido. No Paulista de Terra foi diferente. Podemos conversar com bem mais calma. No decorrer do campeonato, ele e seus atletas me ajudaram muito, muito mesmo. A ajuda deles foi muito valiosa e eu nunca vou me esquecer.
Comecei a primeira pedida com 200 kgs. Não estava familiar com a maneira como o campeonato era conduzido. fiz os 200 kgs e tive que esperar um tempão. Pois as barras vão sendo montadas de acordo com os pesos pedidos. Então, quando havia 200 kgs na barra, todos os atletas ( mesmo que de categorias diferentes ) que pediram 200 kgs iriam fazer. Depois, os organizadores iriam ver o próximo peso pedido. se fossem 210 kgs, todos os que haviam pedido 210 kgs iriam fazer. Então, dos 200 kgs aos 240kgs demorou um bom tempo.
Minha segunda pedida foi 240 kgs, era meu recorde. Dexei para a segunda pedida, pois se eu fizesse, tentaria uma carga maior dependendo de como me sentisse. Então, tive um bom tempo de espera entre minha primeira e segunda pedidas. Na hora em que meu nome foi chamado para a segunda pedida – 240 kgs, eu me preparei e me foquei no peso. Além da parte física, a preparação psicologica neste esporte é vital. Se você não acreditar que o peso vai subir, ele não vai mesmo. Ao trabalhar no limite, se voc~e tiver um minimo de dúvida em sua mente, você não vai conseguir.
Não estou dizendo que se pensar que vai erguer 600 kgs você vai erguer. Mas você tem que acreditar que aqueles 200 kgs, 220 kgs vão sair do chão. No caminho até o tablado onde estava a barra, senti duas porradas nas costas, foram duas cintadas dadas pelo pupilo de Braulio Colmanneti a pedido dele. Me posicionei e comecei o movimento. Soltei um grito. E a barra saiu do chão com uma facilidade imensa. AO chegar pouco acima dos joelhos, o movimento começou a ficar complicado, soltei outro grito e consegui travar e finalizar.
Não foi fácil, mas havia sido bem mais fácil do que na acadmeia. Eu sabia que poderia erguer 250 kgs na terceira. No meio do caminho, foi sugerido que eu usasse o macaquinho da Débora Ester, atleta do Braulio. Resolvi aceitar a gentileza. Infelizmente o macaquinho ficou muito apertado e eu não conseguiria fazer o movimento. Mas os 240 kgs já eram suficientes para m egarantir o título da categoria até 100 kgs. Fiquei muito satisfeito.
O próximo passo é competir no Brasileiro, que será realizado em Rio Claro-SP no dia 20 de Agosto. De acordo com meu cronograma do ano, os planos iniciais eram competir apenas no Paulista do Interior e começar minha dieta anual no fim de Julho. E pretendo manter este cronogram, pois isso tem a ver com coisas que deverão acontecer no próximo ano. Portanto, comecei minha dieta esta semana, serão onze ou doze semanas.
O Brasileiro será no final da quarta semana de dieta. Não costumo começar a perder muita força antes da quinta semana. Na semana da competição, devo fazer uns dias a mais de carbo alto. Portanto, ainda devo conseguir um aboa marca no Brasileiro, pelo menso os mesmos 240 kgs. Quem sabe um pouco mais? Vamos ver!
Também não posso deixar de agradecer a força e o incentivo da Equipe Tigre aqui de São Carlos. Eles são a elite do basismo no interior do Estado e me deram a maior força durante o campeonato. Espero poder fazer pelo um treino com eles antes do campeonato.
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