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Larissa Reis Vence o Atlantic City Figure
Este parece ser o ano dos Brasileiros na IFBB Pro. Eduardo Correa venceu seu primeiro show Pro, o Pittsburgh 202 e é um dos favoritos da categoria no Olympia. Agora, Larissa Reis chega com um ótimo físico e leva o título no Atlantic City Figure pro.
Ela se classifica para o Olympia pela primeira vez e consegue o sucesso em uma categoria onde as brasileiras não têm dado certo. Até mesmo a Larissa só havia tido resultados inexpressivos até o ano passado.
A próxima apresentação será no New York Pro Figure neste final de semana.
No Atlantic City ainda tivemos a participação outras duas brasileiras, Andrea Carvalho e Patricia Mello. As duas foram mal e nem ficaram entre as 15 primeiras.
Patricia Mello tem vaga garantida no Olympia desde o ano passado quando ficou em terceiro lugar no Kentucky Pro. Ela me pareceu muito pequena, mesmo para os padrões da categoria ( que não privilegia volume extremo ) e com aspecto mole na musculatura.
Todas elas irão participar do New York Pro Figure este final de semana. Além delas, Juliana Malacarne também estará por lá!


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Atlantic City Pro 09 – Badell se reinventa
O último show antes do Olympia já foi! O Atlantic City Pro deu as três últimas vagas para o Olympia. Foi um show sem muita emoção.
O favorito era Melvin Anthony. O japonês Idedata Yamagishi e troy Alves corriam por fora. Badell, que havia ido muito mal no Arnold Classic este ano, era carta fora do baralho.
Mas como o culturismo pode ser surpreendente as vezes, as coisas mudam. Badell se apresentou em excelente forma. Suas pernas ainda estão um pouco pequenas em relação ao tronco mas a sua ótima definição e cintura ( que está muito sob controle ) deram ao Porto-Riquenho a vitória. Com isto, Badell volta a ser considerado candidato ao TOP do Olympia.
Idedata ficou em segundo trazendo um físico compacto e com muito detale muscular. Troy Alves confirma o bom ano e chega no pódio mais uma vez.
Melvin decipcionou e só ficou em Quarto. Lembrando que isso já havia acontecido em 2007. Melvin era obrigado a competir no Atlantic City por contrato. Ele foi muito mal. Semanas depois, no Olympia, chegou na melhor forma de sua vida.
Melvin disse que na ocasião, ele apenas havia feito a dieta e foi se apresentar no Atlantic City sem desidratar ou manipular sodio, água ou carbo. Ele relatou que colocar o corpo em uma situação tão estressante ( o processo de desidratação para um show ) duas vezes em duas semanas, seria uma péssima idéia. O corpo simplesmente não reagiria adequadamente no Olympia.
Provavelmente foi isso que ocorreu desta vez. Aguardem Melvin se apresentando em ótima forma nesse Olympia!


AC 202
O galês Flex Lewis venceu novamente. Ele confirmou o favoritismo. Agora resta esperar para ver um fantástico show no Olympia 202 semana que vem.

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Ingestão de Carbo nas últimas refeições do dia
Sempre ouvimos falar sobre os “mitos” da musculação; Ainda mais agora, com a internet, onde qualquer pessoa pode escrever algo e postar onde bem entender. Um assunto que sempre gera muita discussão e muita polêmica é – Quando ingerir carboidratos?
Existe uma recomendação para que não se consuma nada de carboidrato logo após as seis da tarde, ou a noite. Não coma carbo a noite. Só coma carbo até as seis da tarde. Entre outras coisas.
Muito se questiona se esse artifício é realmente funcional e necessário. Óbvio que os menos compromissados coma dieta vão preferir acreditar que devemos comer carbo nas útlimas refeições do dia ( notem que eu disse ÚLTIMAS REFEIÇÕES do dia e não o termo ‘A noite’ ).
Sempre que aguém com algum conhecimento quer perder gordura, ele para de ingerir carbo a noite. Isso provavelmente o ajudará a obter os resultados esperados. Outros, pretensos experts da internet, que nunca fizeram uma dieta na vida, tentam argumentar que isso não é necessário.
Sobre esse assunto, muitas dúvidas vêm à tona. Aqueles que argumentam a favor do consumo de carbos nas últimas refeições do dia dizem que a única coisa que conta é o défcit calórico. Se você tem um gatso calórico de 2000 cal e ingere apenas 1800, já vai perder gordura. Simples assim.
“Comer carbo a noite” ou “Ingerir carbo nas últimas refeições do dia”?
Qual o termo correto? O Correto seria dizer ‘ingerir carbo nas últimas refeições do dia’. O termo comer a noite é muito vago.
Temos pessoas que acordam as cinco da manhã e vão dormir as 10 da noite. Outras acordam as 10 da manhã e vão dormir as Três da madrugada.
A primeira pessoa, vive a noite das cinco as seis da manhã ( ainda está escuro, é noite ) – Nesse momento é noite, então não pode carbo. Vive das sete da manhã as seis da tarde de dia – Nessas horas ele pode comer carbo. E depois das seis da tarde até as dez da noite – de novo, não pode comer carbo. Se contarmos as horas que ele fica acordado, temos 5 horas de noite e 11 horas de dia.
A segunda pessoa vive das dez da manhã até as seis da tarde de dia – pode comer carbo. E das seis da tarde, até as três da manhã de noite – não pode comer carbo. Mais uma vez, se formos contar as horas acordadas desta pessoa, teremos 8 horas de dia e 9 horas de noite.
Como faríamos? E quando chegasse o horário de verão? E se formos considerar uma pessoa que trabalha de noite e dorme durante o dia? Ela nunca iria comer carboidratos?
Óbviamente, diversos mecanismos fisiológicos no ser humano são associados ao ritmo circadiano, e são influenciados pelo simples fato de estarmos no claro ou no escuro. Mas nesse caso, seremos obrigados a pensar em outros fatores.
Por isso, vamos ter em mente que o correto seria não ingerir carboidratos nas últimas refeições do dia. Quantas? Depende do objetivo, do biotipo e de outros fatores.
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Dois argumentos ( fracos ) para comer carbo a noite:· O metablismo basal ( MB ) é responsável por queimar cerca de 75% da energia total diária. Portanto mesmo dormindo estamos queimando calorias. Se dividirmos a quantidade total necessária de carbo no dia pelo número de refeições, estamos bem.
Portanto se a pessoa vai comer 300 grs de carbo no dia, é só ele dividir isso por seis. Seriam 50 grs de carbo por refeição. Mesmo que as duas últimas tenham 50 grs de carbo cada, o MB vai continuar queimando essas calorias durante o sono.
· A insulina liberada pelos carbos vai impedir grande parte da liberação de GH noturno. Mas vale mais a pena ter energia circulando pelo organismo do que o GH.
Voltando ao básico:
Dividir as calorias e macronutrientes em quantidades exatamente iguais durante o dia é algo extremamente desatualizado e incoerente. Em determinados horários do dia, temos um maior gasto energético. É fato que durante o sono temos um menor gasto metabólico.
Ao acordar, como ficamos um longo período sem nos alimentarmos, a captção e armazenamento de nutrientes pelo organismo é otimizada. Conseguimos absorver mais glicose e armazenar uma quantidade maior de glicogênio. Por isso faz muito sentido consumir a maior parte de seus carbos na primeira metade das refeições – cerca de 70 -75% dos carbos nas primeiras três refeições do dia. Cerca de 25% nas duas próximas e nenhum carbo nas duas últimas ( ou última, depende de quantas refeições faz por dia ).
O maior problema, com o maior número de informações erradas ou equívocos é acerca da liberação de GH noturna.
O GH é um hormônio conhecido por seus efeitos anabólicos. Mas ele tem uma interação muito forte com as células adiposas. Os adipócitos, especialmente os localizados na região abdominal, têm receptores de GH. Ao se ligar nesses receptores, o GH estimula a liberação ácidos graxos livres para a corrente sanguínea. Ou seja, o GH estimula as células de gordura a liberarem a gordura ( ácidos Graxos livres ) na corrente sanguínea para serem utilizados prontamente como energia. Esse evento protege o tecido muscular e impede que aminoacidos sejam necessários para obter energia durante o sono neste caso.
A gordura é armazenda nas células adiposas na forma de triglicérides. É um conjunto formado por três moléculas de ácidos graxos e uma de glicerol. Para que seja possível usar a gordura como energia, o primeiro passo é que ocorra a Lipólise.
A lipólise é um processo que ocorre ainda dentro da célula de gordura. Quando certos receptores no adopócito são estimulados, uma enzima chamada Hormone sensitive Lipase entra em ação quebrando a gordura em três moléculas de ácido graxo e uma de glicerol. Acaba de ocorrer a lipólise e agora os ácidos graxos estão livres na corrente sanguínea para serem utilizados como energia. Se as gordura permancerem na forma de triglicérides, elas não poderão ser utilizadas como energia.
Algumas substâncias são conhecidas por ter papel fundamental no desencadeamento dessa reação (lipólise) – Neurotransmissores como a epiniefrina ( é dessa maneira que agem a maioria dos queimadores de gordura vendidos – cafeína, efedrina e sinefrina ), beta2-agonistas como clembuterol e o GH.
Devo lembrar que as células de gordura da região abdominal são as que têm o maior número de receptores de GH e que dessa forma, o GH desempenha papel fundamental no controle da gordura corporal.
Se ainda formos considerar as ações anabólicas do GH, podemos perceber o quão importante ele é para nossos objetivos. Normalmente, temos uma grande liberação de GH durante o sono ( a menos que você coma carbo nas últimas refeições do dia ). Mas quem treina com pesos tem o benefício de uma segunda liberação forte de GH, que ocorre durante o treino e continua por um breve período após o final dele.
Quem é a favor de comer carbo logo antes de ir dormir, diz que se já temos um pico de GH no treino, por que outro pico durante a noite?
Mas se podemos ter DOIS PICOS de GH no dia, porque ter apenas UM???
Ainda sim, é claro que se tivermos a quantidade de proteína adequada ingeriada nas últimas refeições, o organismo será perfeitamente capaz de se recuperar e construir novo músculo usando a proteína consumida ao longo do dia ( especialmente nas duas últimas refeições ) e gordura ( viabilizada pelo GH ) como energia. Fiquem tranquilos, se tudo estiver bem alinhado, vocês não ficarão sem energia para se recuperar durante o sono.
Outros Fatores a se considerar:Dentro deste contexto, temos muitos fatores e variáveis a se considerar. Estamos descrevendo uma situação geral, onde temos uma pessoa que acorda as seis ou sete da manhã, trabalha no horário normal comercial e vai se deitar entre dez e onze horas da noite.
O horário do treino é um fator muito importante a se considerar. Em geral, organizamos as refeições de acordo com o horário de treino. Dessa forma podemos ter um consumo apropriado ( para cada situação ) de nutrientes no pré, intra e pós treino.
Em linhas gerais, é CONSIDERADA uma boa idéia consumir carboidratos logo após o treino com pesos.
Mas como farão aquelas pessoas que treinam a noite? Perto da hora de ir dormir?
Tomam o carboidrato e perdem a liberação de GH noturna ou deixam o carbo para lá ( atrapalhando um pouco a recuperação pós treino ) para que o GH noturno venha forte?
Para aqueles cujo objetivo é ganhar massa, ambas as opções são ruins. A alternativa é simples. CONSUMIR CARBO DURANTE O TREINO, logo antes do último exercício.
Durante o exercício, não é necessário insulina para os nutrientes ( especificamente glicose nesta situação ) entrem nas células. Os receptores Glut-4 ficam na superficie da membrana muscular prontos para fazer o transporte.
NOTA: Esse é um assunto muito interessante e será discutido no próximo artigo – Por que não precisamos de insulina durante o treino – e porque não teremos hipoglicemia se ingerirmos carbo durante o treino entre outros beneficios da suplementação intra-treino.
Voltando, como não precisamosde insulina para absorver glicose durante o treino, devemos tomar nossa malto, dextrose ou Waxy Maize ( fubá não! Pelo Amor de Deus ) logo antes do último exercício. Isso fará com que as reservas de glicogenio se reesltabeleçam sem a liberação de insulina. Dessa forma conseguimos amplificar a recuperação pós-treino e nos beneficiar do pico de GH noturno.
Se a pessoa em questão está em fase de queima de gordura, poderá tomar o carbo no meio do treino, ou simplesmente não tomar carbo. Isso vai depender do biotipo e de como a pessoa têm feito a dieta.
Outro fator é o biotipo da pessoa. Endomorfos e ectomorfos típicos tem respostas amplificadas a certos estímulos. Para esse tipo de pessoas precisamos controlar certos parametros. Por exemplo, um ectomorfo típico ( digo típico me referindo àqueles que tem características fortes do biotipo. Muitas pessoas têm caracteristicas misturadas – ex – Ectomorfo com traços de mesomorfo, ou mesomorfo com traços de endomorfo. ) poderia deixar apenas a última refeição do dia sem carbo. Um endomorfo típico, talvez ainda acumule gordura mesmo deixando as duas últimas refeições do dia sem carbo.
Por isso dissemos que nem tudo é receita de bolo. Nem tudo mesmo, mas sempre temos linhas gerais para seguir. Mas ainda sim é importante procurar pessoas que tenham experiência em treinamento e dietas para te auxiliarem.
Em refeições com pouco ou zero carboidrato, as gordura têm um papel significativo. Precisamos das calorias delas. O ideal é consumir gorduras boas nessas últimas refeições do dia como por exemplo as mono insaturadase poli insaturadas. Como a cadeia de carbono dos acidos graxos dessas gorduras é bem menor, a disponibilidade para seu uso como energia aumenta muito.
O que os treinadores TOP do Mundo pensam sobre isso?
Todos os treinadores TOP do mundo do culturismo com quem pude conversar ao longo desses anos são enfáticos em uma coisa: É vital evitar carboidratos nas últimas refeições do dia. A única exceção ( em alguns casos ) é caso o atleta treine no final da noite. Brian Dobson, Dave palumbo, Milos Sarcev, Charles Glass e Hany Rambod entre outros afirmam isso.
Mesmo os atletas com os quais tive contato e pude perguntar sobre suas dietas, me disseram a mesma coisa.
Estudando o livro “The PreContest Bible”, de quase 500 páginas, que traz todos os detalhes da preparação de 32 atletas IFBB Pro como plano de dieta, aerobios, trenos com pesos, protocolos de desidratação etc… pude fazer uma pequena estatística – 79% dos atletas não consome Carbos nas últimas refeições do dia.
Quando consideramos atletas profissionais, precisamos pensar que eles consomem alguns “suplementos” que ajudam em alguns ascpectos. Portanto, eles têm um suporte hormonal muito maior do que aqueles que são naturais.
Por isso, aqueles que treinam sem o uso destes recursos, precisam de muito mais atenção aos pequenos detalhes da dieta e recuperação para que consigam o melhor físico possível.
Referências:
Spina LCD, Soares DV, et al. Glucose metabolism and visceral fat in GH deficient adults: 1 year of GH replacement. Growth Hormone & IGF-1 Research, 2004;14:45-51.
Veldhuis JD, Iranmanesh A. Physiological regulation of the human growth hormone (GH)-insulin-like growth factor type I (IGF-1) axis: predominant impact of age, obesity, gonadal function, and sleep. Sleep 1996 Dec;19(10 Suppl):S221-4.
Kim KR, Nam SY, et al. Low-dose growth hormone treatment with diet restriction accelerates body fat loss, exerts anabolic effect and improves growth hormone secretory dysfunction in obese adults. Horm Res1999;51(2):78-84.
Nam SY, Marcus C. Growth hormone and adipocyte function in obesity. Horm Res 2000;53 Suppl 1:87-97.
Malmlof K, Johansen T. Growth hormone-mediated breakdown of body fat: Insulin and leptin responses to GH are modulated by diet composition and caloric intake in old rats. Horm Metab Res 2003 Apr;35(4):236-42.
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DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym Parte 2 – Fotos
Metroflex por dentro:
Era hora de treinar, só tínhamos dois dias em Arlington. Depois de 13 horas de avião e aeroporto, mais seis horas andando pela cidade e conversando com Brian, era hora de treinar. Ou tentar pelo menos. O cansaço era enorme a essa altura. Meio da tarde, uma noite praticamente sem sono, enfiado numa poltrona apertada de avião. A última refeição decente havia sido há umas 28 horas. Nesse período só refeições rápidas e shakes. Mas lá estava eu, na academia mais hardcore do mundo. Óbvio que eu iria treinar.
Antes disso, fui checar a academia, explorar o prédio e ver com os meus próprios olhos tudo o que eu só havia visto por foto ou vídeo.
A academia é bem menor do que aparenta nos vídeos de Coleman e Branch Warren. Basicamente temos uma sala de recepção, onde fica Brian Dobson, sua escrivaninha, um armário com portas de vidros cheio de suplementos e fotos, muitas fotos coladas nas paredes. Ao lado, temos uma outra salinha bem pequena com mais fotos, desta vez o foco não bodybuilding, mas as caçadas de Brian e seus amigos. Depois, existe a sala de musculação propriamente dita, cheia de maquinas, ferro e muito peso.
Já antes de entrar na sala de recepção, já temos uma idéia do que nos espera. Ao sair do carro já podemos ouvir a música arrebentando os auto falantes. Não espere ouvir Mariah Carrey, Ricky Martin ou qualquer coisa parecida. Para Brian a música é um fator essencial para que a mente entre no estado adequado de excitação para um treino brutal. Rammenstein, Metallica, AC/DC, Tupac e DMX além das trilhas sonoras de todos os filmes de Rocky, o Lutador são escolhas certas na Metroflex.
Na salinha de recepção já podemos notar as paredes. Coladas nelas temos dezenas e dezenas de fotos e muita teia de aranha. As fotos são um show a parte na Metroflex. Elas estão por toda a academia, inclusive banheiros. Nesta sala, temos muitas fotos bem antigas de Coleman e Branch Warren. Nosso Brasileiro Miguel de Oliveira também está lá, assim como praticamente todo culturista que já pisou na terra. Tom Platz, Flex Lewis, Markus Ruhl e a lista é enorme. As fotos são principalmente tiradas em treinos ou sessões de pose na própria academia. Ainda nesta salinha, podemos ver um forno microondas pré-histórico para que o pessoal esquente suas refeições.
Ao adentrar na sala principal da academia, já nos deparamos com uma parede roxa, cheia de pôsteres (para variar) e muitas frases de motivação escritas pelos próprios membros da academia.
“Intensity, Intensity Intensity”
“IF the mind is willing, the body is able.”
“Success is more attitude than aptitude.”
“Hard can beat talent when talent doesn´t work hard.”
“IF it doesn´t scare you – it´s not heavy enough.”
Essas são apenas algumas, existem paredes inteiras com inscrições como essas e se um dia você estiver desanimado lembre-se destas frases. A minha preferida não estava rabiscada na parede, mas sim em um quadro:
“Train Like a Champion Today.”
Era isso o que eu pretendia fazer! Continuando a visita pela academia, pude ver algumas esteiras e bicicletas amontoadas em um canto. Todas cobertas de poeira e teias de aranha. A visão me remetia a algum filma de ficção cientifica, onde ruínas de uma civilização antiga eram encontrados. Todas as esteiras devem ter no mínimo uns 25 anos e a maoria tinha um bilhete pregado dando um aviso:
“Out of order” Fora de serviço, ou simplesmente quebrada. O papel com o aviso parecia tão velho quanto a própria esteira. O que demonstra a vontade (ou falta de) de consertá-las. Tenho certeza que o pessoal de lá não sente falta delas.Agora eu tenho uma visão completa da academia, o chão tem tapetes espessos de borracha, mas nem sempre eles cobrem toda a superfície. Logo abaixo dos tapetes de borracha, areia é o terreno. A cada passo dado, a cada halter jogado no chão, uma nuvem de poeira espessa se levanta. Me dirigi aos racks de halteres. Eles ficam bem em frente ao espelho. Acima do espelho mais fotos, desta vez o destaque são competições. Avisos colados ao longo dos racks pedem em vão aos usuários que guardem os halteres no lugar após seu uso.
Os halteres são outro espetáculo á parte nesta pequena academia. Eles vão desde 10 libras ( 4,5 kgs) até 250 libras (115 kgs aproximadamente). Temos os famosos halteres hexagonais, mostrados nos DVDs de Ronnie e Branch, temos os halteres redondos, que parecem que vão desmontar a qualquer segundo. Um fato bem inusitado é que aqui, todas as barras são tortas. O numero de pessoas que usa muito peso nas barras é grande por lá. Por isso, ao longo dos anos, as barras foram se entortando. Mas mais curioso que isso é o fato de que até os halteres têm suas pequenas barrinhas entortadas! Sim! Você por acaso não acha que alguém vai usar um halter de 40 kgs e colocá-lo no chão cuidadosamente na academia mais hardcore do mundo, acha? Ao final de cada série, os halteres são carinhosamente jogados ao chão. Com isso, eles foram entortando com o tempo.
À medida que andamos em direção ao lado dos halteres mais pesados, maior se torna a bagunça, muitos deles estão amontoados no chão. Tentei tirar o monstruoso halter de 115 kgs do rack, mas ele nem se moveu do lugar!
Andando um pouco mais às frente, cheguei à parede onde estão fixadas as duas barras paralelas usadas para fazer mergulho. Quem viu o vídeo de Branch Warren, onde ele faz mergulho para peito com várias correntes no pescoço sabe do que estou falando.
Continuando a peregrinação pela academia, avistei um banco de supino curioso. Ele foi feito com suportes para halter. No lugar de um suporte para guardar a barra, existem dois suportes para que se coloquem os halteres. Isso ajuda quem adora fazer supino com halteres, pois permite que se pegue o peso já em uma posição favorável. Poucos academias no mundo poderiam se dar ao luxo de ter um banco de supino exclusivo para o uso de halteres. Para a maioria não é economicamente viável.
A academia possui uma quantidade enorme de máquinas bem antigas, muitas delas feitas sob encomenda para a Metroflex, outras delas reminiscentes da era Nautilius. Por outro lado, encontramos algumas das melhores peças de equipamento que o dinheiro pode comprar como Leg-Press Nebula, o qual Ronnie usa no vídeo “The Cost of Redemption” fazendo séries de 8 – 10 reps com mais de 1100 kgs. Não treinei pernas na Metroflex, mas experimentei esse leg-press e posso dizer uma coisa – Ele é bem pesado.
Além desse leg-press, também experimentei, em umas duas séries, a cadeira extensora que Ronnie usa no mesmo vídeo. Ele faz umas 20 repetições com a pilha toda e mais duas anilhas de 45 libras (20 kgs) presa na máquina. Não sou um monstro, nem um gigante, mas sou bem forte nas pernas. Em um bom dia consigo fazer agachamento com 180 kgs para 6 a 8 repetições bem fundas. Sentei na tal cadeira extensora, obvio que o aquecimento nem o foco mental estavam em treino de pernas, mas coloquei metade da pilha e consegui fazer 8 repetições. Claro que se eu fosse treinar pernas, estivesse descansado, comido bem etc conseguiria fazer talvez umas 12 reps com metade da pilha. Isso colocou em perspectiva para mim como Ronnie é extremamente forte.
Em um outro canto da academia, perto de um banco de supino oficial para powerlifting, estavam uma dezena de barras de todos os tamanhos e formatos, uma caixa enorme de madeira cheia de pegadores, ganchos, presilhas tudo quebrado. Tentei revirar um pouco as coisas para ver o que encontrava, mas preferi não fazer por receio de encontrar a aranha que havia feito todas aquelas teias pela academia. Talvez eu encontrasse coisa pior! Melhor deixar a “caixa” sossegada.
No mesmo canto, pude encontrar algumas bolas de concreto, barras que se assemelham troncos de arvore e outros materiais especificos para treinos de strongman. Para combater o calor, imensos ventiladores industriais são distribuídos pelo prédio. Um pouco mais ao lado, encontraria uma coisa que me surpreendeu de verdade. As correntes:
Presa á parede, uma espécie de trave dá suporte a várias correntes penduradas. As correntes tem mais ou menos 1,60 m de comprimento e cada um de seus gomos é imenso. A espessura e peso de cada corrente varia e elas são posicionadas por cima dos ombros para aumentar o peso corporal em exercícios livres como mergulho ou barra fixa. Volto a citar o DVD de Branch Warren. Nele, o texano faz algumas séries de mergulho na paralela com até três correntes enormes no pescoço. Temos correntes de até 60 kgs ali. Achou a idéia das correntes meio rústica? Lembre-se que estamos na Metroflex.
Um pouco mais ao lado das correntes, fica outro ponto famoso da Metroflex. É naquele lugar que são realizados o terra e o agachamento nos vídeos de Coleman. Ao fundo, encostado na parede, um banquinho bem simples de madeira. É nele que Ronnie se senta para amarrar as faixas elásticas em torno dos joelhos logo antes de uma série pesada agachamento.Bem à minha frente, estavam os dois postes onde se apóia a barra de agachamento. A academia tem um ou dois racks – espécies de gaiolas – para que se apóie a barra com segurança na hora do agachamento. Mas a grande maioria prefere usar estes postes com suportes hidráulicos que mais parecem um macaco para trocar pneus de carreta. Provavelmente postes comuns, encontrados por aí nas academias não suportariam a pressão de “trabalhar” na Metroflex. Agachamentos com mais de 280 kgs são acontecimentos quase que diários por lá. Por isso a necessidade de um equipamento especial.
Estamos chegando perto de outro canto da academia, passo por mais um daqueles ventiladores industriais enormes. Bem no canto da sala descansa uma barra. Uma de suas extremidades está fixada em uma espécie de suporte articulado junto à parede. Na outra ponta, duas anilhas estão colocadas. Nesse canto é realizada a remada cavalinho, ou T-Bar Row.
Este é mais um local imortalizado pelos vídeos e certamente mais um local inusitado. É óbvio que assistir aos treinos de um Mr Olympia vai te influenciar positivamente sempre. Você vai querer usar as técnicas dele e os mesmos exercícios que ele. Por isso a remada cavalinho é outro exercício que 100% das pessoas que treinam na Metroflex fazem.
Muitos juram que este exercício, junto com o levantamento terra, é o responsável pelo desenvolvimento dos melhores dorsais da América. O chão, bem onde as anilhas colocadas na barra descansam, é afundado. Um buraco arredondado causado por anos uso. Como ninguém treina leve e ninguém guarda os pesos com carinho após uma série. Durante anos, toneladas de peso foram sendo jogados naquele mesmo ponto do chão, causando uma deformação, uma valeta.
Há alguns anos, sabemos que era preciso que alguém pisasse na extremidade livre da barra para que ela não se levantasse. Mesmo apoiada no canto da parede, ela poderia se soltar e levantar quando muita carga é utilizada. Quem já fez esse exercício sabe do que estou falando. Portanto, era sempre necessário um parceiro que pisasse na barra para você. Outro ponto que os donos de academia não gostam muito é que o atrito da ponta da barra acaba arrebentando tudo na parede – rodapé, piso, reboque etc. Claro que isso não é problema por lá.
Quando cheguei lá, notei algo bem interessante. Eles haviam construído um suporte no canto da parede. São três faces de ferro, soldadas. Uma fica no chão, as outras duas encostadas na parede. Nesse suporte, existe uma luva, onde encaixa a ponta livre da barra. Essa luva tem duas articulações que permitem que a barra se movimente livremente para cima e para e para os lados. A foto ilustra melhor.
Andando um pouco mais, tentando me desvencilhar das teias de aranha, cheguei ao local onde estão quase todas as maquinas de perna. São uns dois suportes de agachamento tipo gaiola; um leg press 90º muito antigo; maquinas Smith que também não parecem ser novas. Testei uma delas e o deslizamento é perfeito, tudo balanceado e dá pra treinar muito bem nela. Logo ao lado duas panturrilheiras gigantescas. Uma com pilha de tijolos de pesos e outra onde é preciso colocar anilhas.
No meio de tudo isso, encontrei um pull-over Nautilus, com cinto de segurança para amarrar o sujeito firme no lugar. Já bem perto de uma das portas da academia, cheguei a uma espécie de cemitério de máquinas. Nesse local ficam amontoadas diversas maquinas muito antigas, provavelmente quebradas e sem condições de uso. No mesmo local temos um pneu gigante de trator usado em competições de Strongman e até alguns barris de chopp!!A essa altura, tive que esgueirar por entre as maquinas para ter acesso a um dos banheiros. Temos dois banheiros lá, um reservado, onde ninguém tem acesso; e esse outro que fui conhecer. Nenhum dos dois tem chuveiro ou qualquer utensílio que nos traga as palavras higiene ou conforto à mente.
Na parede fora do banheiro, mais frases de incentivo rabiscadas. Dentro do banheiro fotos e mais fotos dos atletas. Para quem viu o vídeo, percebeu minha expressão de alegria ao entrar no banheiro. Lá dentro podíamos encontrar pôsteres de Dorian, Arnold, Ronnie. Como deve ser a sensação de fazer força juntamente com seus maiores ídolos? Um pequeno espelho, um vaso meio sujo e um desentupidor de privada é o que podemos encontrar lá dentro. Ah, e claro, mais um quadro com uma frase de incentivo – bem em frente ao vaso sanitário – “Do it for your health.”
Após esse pequeno tour pela academia mais hardcore do mundo, finalmente era hora de treinar.VEJA TODOS OS POSTS DO DC USA TOUR 08 – CLIQUE AQUI
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DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym Parte 3
Treinando em Território Sagrado
O primeiro treino nos EUA. Primeiro treino na Metroflex. Como seria? Isso vinha me perseguindo há alguns meses. Lá estava eu, quase 14 horas de aeroporto, seis horas vagando pela cidade e conversando na academia. Uma noite praticamente sem sono, última refeição decente havia sido há 30 horas. Quem treinaria sob esse cenário? Não seria possível. Mas eu estava em Arlington, na Metroflex Gym, tinha pouco tempo por lá. É claro que eu treinar, mesmo que desmaiasse no meio do treino eu ia treinar.
O engraçado é que mesmo com essa situação de esgotamento físico, eu parecia novo e queria muito treinar. O ambiente, o som, a academia realmente hipnotizam e te fazem treinar. Mantendo as proporções, isso me lembrou quando estive em Londrina, alguns anos atrás, para treinar na IronWorks. Academia que era do Waldemar Guimarães na época. Eu me lembro que fiquei lá por alguns dias. Passava o dia todo na academia, observando a tudo e a todos. Alguma coisa naquela academia me fazia querer treinar o tempo todo. A qualquer hora, eu queria treinar.
Esse é o tipo de ambiente criado por essas academias únicas, alguma coisa no ar te deixa motivado 100% do tempo. Naquele dia o calor estava especialmente alto, o tempo seco. A academia não estava lotada, então me troquei e fui treinar.
Meu primeiro treino por lá foi ombros e tríceps. Comecei com um aquecimento leve, usei o menor par de halteres e fiz algumas séries de elevação e elevação frontal. Comecei o meu treino como de costume. Sempre priorizo a cabeça medial dos deltóides pois é principalmente ela que confere aquele aspecto arredondado aos ombros.
O primeiro exercício foi elevação lateral. Fiz três séries deste exercício, sentado e com 100% de perfeição na forma de execução. A primeira série foi realizada com 20 libras (9kgs) para 12 repetições bem feitas e bem lentas. Usei a mesma carga na segunda e terceira séries, tendo feito 10 reps em cada uma.
O segundo exercício foi um clássico. Desenvolvimento com barra. Quem não se lembra de Coleman fazendo este mesmo exercício em seu vídeo “The Unbelievable”? Claro que usei cargas ridiculamente menores que as dele. Sentei no banco, peguei a barra, sem anilhas ainda, e comecei uma série de aquecimento, só para regular os ajustes do banco e suporte. Nesse instante, enquanto eu realizava aquelas fáceis repetições, visualizava Branch Warren e Coleman fazendo este mesmo exercício, neste mesmo banco , com esta mesma barra.
Não sou muito forte em ombros, na verdade não sou muito forte em nada. Depois que realmente estreitei os laços da relação entre mente e músculos, parei de abusar dos pesos. Na verdade, a questão intrínseca é que precisamos contrair os músculos, e não levantar o peso. O peso é apenas um meio para se chegar ao final – estimular a musculatura. É claro que aquela busca primitiva, quase inconsciente de tentar levantar as maiores cargas possíveis ainda está embutida em minha mente; mas agora entendo o verdadeiro sentido de “maior carga possível.”


Com isso em mente, pensei começar o exercício usando a barra de 45 libras ( aprox 20 kgs) mais uma anilha de 25 libras de cada lado, que totalizariam mais ou menos 45 kgs. Para a primeira série estava bom. Depois eu iria aumentando o peso até chegar ao total de 60 kgs. Acreditem, é o suficiente se a forma de execução e qualidade de contração forem perfeitas.
Procurando as anilhas de 25 libras me dei conta de uma outra característica da Metroflex. Não existem anilhas pequenas por lá. Só temos as anilhas de 45 libras (aquelas grandonas que vemos nos vídeos e fotos) e algumas poucas de 35 libras (15 kgs). As anilhas menores provavelmente estão escondidas no meio do entulho de maquinas velhas no canto perto do banheiro.
Comecei a primeira série coma barra e uma anilha de 35 libras de cada lado, totalizando uns 50 kgs no total. Foram 12 reps perfeitas, descendo bem a barra. Na série seguinte, resolvi manter a carga. Só iria aumentar o peso na última. Consegui apenas 8 reps com muita dificuldade. O calor era imenso, o ar seco, a academia abafada. Resolvi dar um intervalo de descanso um pouco maior que o comum. A carga não foi aumentada. Na terceira série, fechei os olhos e visualizei mais uma vez os monstros Branch e Ronnie na tentativa de reunir forças para uma boa série. Consegui 7 repetições e quase desmaiei.
Era hora de partir para o terceiro exercício – a remada alta com pegada aberta. Realizo este exercício com a pegada bem aberta para focar a contração dos deltóides e não do trapézio. Utilizei a mesma barra com a qual havia feito o desenvolvimento. Foram três séries de 12 , 10 e 10 reps. A essa altura, o cansaço, calor absurdo e falta de alimentação adequada estavam começando a pesar. Mas nada ia me tirar dali até que eu terminasse meu treino. De jeito nenhum.
Precisava fazer alguma coisa para a parte posterior dos ombros. Crucifixo inverso com halteres estava fora de questão. As circunstancias pediam uma maquina, onde eu pudesse ficar apoiado e só me preocupar em contrair os deltóides. Andei pela academia e encontrei um PEC-deck. Ele estava ajustado na posição de crucifixo para peitoral. Eu precisava ajustá-lo para a posição de crucifixo inverso. Enquanto olhava para a maquina com uma expressão de duvida, pensava como iria fazer o ajuste. Será que eu teria que soltar alguma trava e girar os braços até que se posicionem do outro lado. Ou teria que trocar os braços da maquina por outros?
A resposta veio em poucos segundos. Um cara que estava treinando pernas em uma maquina ali perto veio até mim e me ajudou com os ajustes. Era um cara alto, grande e moreno. Seu nome era Mark e ele treinava lá há muitos anos. Agradeci a gentileza e ofereci ajuda caso ele precisasse.
O crucifixo inverso na maquina foi muito bom. Consegui isolar bem a parte posterior do músculo. Foram 3 séries de 10 repetições com cerca de um terço da pilha de tijolos.
Agora só faltavam algumas séries de encolhimento para trapézio e poderia começar a treinar tríceps. Novamente, me dirigi ao rack de halteres. Eu iria realizar o encolhimento de ombros com halteres. Peguei um par de halteres hexagonais, inteiriços, pesando 100 libras (45kgs) cada. Ainda estava me acostumando com o fato dos halteres estarem curvados, provavelmente de tanto serem jogados no chão. Com eles fiz três séries de 10 reps de encolhimento. Depois de cada série, como manda a tradição, o peso era gentilmente jogado no chão.
Me dirigi até uma estação de polias com cross-over que fica bem no centro da sala. A intenção era fazer tríceps no pulley, mas não conseguia encontrar a barrinha correta. Mais uma vez, sem eu nem mesmo pedir, meu amigo Mark veio até mim e deu uma força. Agradeci novamente e ele só respondeu: “Go Hardcore Man!” Isso me motivou a terminar o treino. Faltava pouco agora.

Fiz as três mais difíceis e suadas séries de tríceps no pulley da minha vida. Sinceramente não me lembro o peso que utilizei, sei que fiz 10 reps na primeira série, oito na segunda e apenas 7 na terceira, mesmo dando um intervalo maior de descanso.
Terminei o treino, ainda ali perto dos halteres, com tríceps coice bilateral. Ou seja, me inclino até o tronco ficar praticamente paralelo com o chão e realizo o movimento do coice como dois braços simultaneamente. Foram três séries também utilizando halteres de 20 libras. Com isso terminava nosso primeiro dia em Arlington, nosso primeiro dia do Tour pelos USA. Com certeza muita coisa ainda nos aguardava.
Treinando costas como Ronnie Coleman
Voltamos à Metroflex no dia seguinte. Brian já havia partido em sua viagem de caça. Só voltaria em alguns dias. Felizmente ele deixou à nossa disposição seu braço direito, Chris. Ele é um cara alto e grande. Certamente Chris tinha um braço com mais de 50 cm, porém não posso dizer que ele era do tipo “rasgado”. Enfim, ele nos ajudou e tratou da melhor forma possível.
Depois de uma boa noite de sono e algumas refeições decentes, estava na hora de mais um treino em um dos lugares mais sagrados para os bodybuilders. Era dia de costas. Como ir até a Metroflex Gym e não treinar costas? Seria um sacrilégio!

No segundo dia, aquela emoção e excitação inicial já haviam se dissipado a níveis mais adequados. Eu conseguia ver melhor as coisas na academia, perceber mais detalhes. Depois de um breve aquecimento, me dirigi ao tablado onde fica o suporte especialmente construído para que se faça remada curvado com barra. Já havia uma barra lá – torta, é claro – e só precisei colocar as anilhas.
Meu treino de costas seria o mais básico possível, para aproveitar alguns pontos interessantes e únicos da Metroflex. Comecei com a remada curvada com barra, arma importantíssima na trajetória de praticamente todos os Mr Olympia, especialmente dos últimos quatro até então – Jay, Ronnie, Dorian e Haney. A primeira série foi leve, com 60 kgs. Nas últimas séries usei 100 kgs e consegui fazer entre 8 e 10 repetições.
A essa altura, o relógio marcava 10 da manhã em Arlington. O calor novamente nos castigava. Ao terminar as séries na remada curvado, fui até o canto mais famoso da academia para fazer a remada cavalinho. Talvez esse fosse o momento que eu mais aguardava em toda a viagem. O grupo muscular que eu mais gosto de treinar são os dorsais. Meus exercícios preferidos são Remada cavalinho e agachamento respectivamente. Por isso eu não via a hora de treinar costas na Metroflex. Nos vídeos nós vemos Coleman e Branch fazendo esse exercício com aquela mesma barra. Mas a barra deles sempre estava com anilhas até o final. Geralmente 10 ou 12 anilhas de 20 kgs são colocadas nesta barra pelos dois. A minha realidade seria um pouco diferente.
Comecei com 40 kgs, duas anilhas de 45 libras. Fiz uma série curta para “sentir” como estava o peso. Foi leve. Coloquei mais uma anilha de 45 libras (20 kgs); agora a coisa começava a ficar desafiadora. Fiz oito repetições bem feitas. Os intervalos eram bem curtos, curtíssimos. Podemos observar isso no vídeo. A terceira série tinha que começar. Adicionei mais 20 kgs à barra, que agora contava com 80 kgs. Em um bom dia, com o sono em dia, alimentação ok eu consigo usar 100 kgs para umas seis repetições. Naquela ocasião, 80 kgs foi o mais pesado que consegui para fazer boas 9 reps.
Para fazer o próximo exercício me dirigi até o rack com os halteres. Era hora de fazer remada com halteres unilateral. Comecei com um halter hexagonal de 80 libras (36 kgs), a segunda e última série foi com um halter de 45 kgs. As duas séries tiveram uma média de 6 a 8 repetições. Foram séries curtas; mais curtas do que eu gostaria. Agora, eu iria fazer mais três séries de remada no cabo. Desta vez eu iria diminuir o peso e tentar fazer mais repetições. Utilizei uma maquina de remada que fica anexada ao Cross-over.
Na primeira série, usei um terço da pilha de pesos e fiz 11 ou 12 reps com ótima qualidade. Na segunda série coloquei mais ou menos meia pilha de pesos. O descanso foi curto, como de costume, mas o calor e clima extraordinariamente seco estavam drenando toda a energia. Fiz sete ou oito repetições na segunda série. Mas sabia que podia fazer melhor. Resolvi fazer uma terceira série, que inicialmente estava fora dos planos. Aumentei um pouco mais a carga, respirei fundo e consegui uma ótima série com oito repetições. Se o Branch estivesse lá, certamente ele iria se orgulhar de mim.
O último exercício de costas do dia seria puxada pela frente no pulley com pegada aberta. No mesmo cross-over, além do acessório de remada baixa no cabo, temos um puxador pulley. Fiz a primeira série com oito tijolos de carga. Dez repetições macias e suaves. A segunda e última série, foi feita com a mesma carga, dez ou onze repetições muito boas também.
Depois de aproximadamente 50 minutos acabava-se o treino. O calor infernal nos castigava duramente. A experiência de treinar na Metroflex, local sagrado para todos nós, foi de tirar o fôlego. Nunca vou me esquecer das emoções marcantes – avistar a academia de longe, ainda do carro, conhecer pessoalmente Brian Dobson, ver ao vivo os equipamentos, halteres e barras da Metroflex e treinar lá. A atenção que recebi de Brian e Chris e a ajuda de Mark demonstram que lá existe um sentimento de fraternidade, são uma legião de fanáticos por levantar peso e fazem questão de honrar os seus “Irmãos de Ferro.”
Era hora de seguir em frente, nos despedir da Metroflex. Nosso vôo para Los Angeles partia no outro dia bem cedo, mas ainda havia um lugar para visitar. Precisávamos conhecer o restaurante mais famoso de Arlington para os fãs de musculação – o “Black-Eyed Pea”.
Almoço à Moda Texana
Na verdade eu já havia ido ao Black-Eyed Pea no dia anterior. Mas descobri que era uma filial. Ronie ia no principal, situado na Cooper Street, a mesma da academia. A comida lá foi a melhor que eu comi nos EUA em toda a viagem.
O restaurante tem uma decoração característica do Texas, com a fachada toda em madeira. O estado do Texas é conhecido como estado da estrela solitária, alusão feita á sua bandeira, que é formada por duas faixas horizontais branca e vermelha e um quadrado azul com uma estrela dentro. A comida é simples, mas deliciosa. O restaurante tem como público alvo famílias texanas comuns. Nas duas oportunidades que estivemos lá, muitos casais de idosos estavam presentes.
Quando cheguei no restaurante da segunda vez, disse ao garçom que eu só estava lá por que era um fã de Ronnie Coleman. Ele imediatamente chamou a gerente do lugar. Pensei: “Será que falei uma besteira? Será que Ronnie é Persona non grata aqui agora?”
A gerente chegou e o garçom disse a ela que éramos fãs de Ronnie. Ela abriu um belo sorriso. Disse que Ronnie ia sempre lá. Sempre se senta no mesmo lugar e sempre pede o mesmo prato. Ela ainda disse que estava quase na hora de ele chegar. Ele vem quase todo dia aqui. De vez em quando, duas vezes por dia. Iríamos comer, sem pressa, e esperar um pouco. Quem sabe ele não chega.
A entrada é uma cestinha com bolo de milho e pão de milho, quentinhos, direto do forno. Eu não gosto muito de milho. Mas aquele pãozinho e o bolo são simplesmente deliciosos. Junto vem uma manteiga, mais macia, aerada. Muito bom. Pouco tempo depois, um rapaz vem até a mesa. É ele o garçom preferido de Ronnie. O rapaz fala um pouco sobre o Mr Olympia e seus hábitos alimentares pouco comuns. Ele come “muito” segundo o rapaz.
Parece que todos os pratos vendidos em restaurantes dos EUA têm batata frita como acompanhamento. Pedimos a mesma coisa do dia anterior – Frango grelhado, arroz amarelo – que não era nem um pouco gostoso, brócolis e batata frita. Eles não servem e nem fazem arroz branco no Black-Eyed Pea. Quando pedi arroz branco, a garçonete não fez uma cara muito boa. Disse que só tinham os arrozes temperados.
Depois de uma ótima refeição, esperamos um pouco mais para ver se Ronnie aparecia. Ele não apareceu. Fomos dar uma volta rápida pela cidade e depois voltamos ao Hotel para fazer as malas. Na manhã seguinte precisávamos voltar para Dallas/Fort Worth e pegar nosso vôo para a ensolarada Los Angeles. Califórnia aí vamos nós!Vejam os Vídeos:
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DC USA TOUR 08 – Capitulo 2 – A Ensolarada Califórnia
Na Quarta-Feira, 17 de Setembro de 2008, acordamos bem cedo – mais ou menos quatro da manhã. As malas já estavam prontas, mas precisávamos tomar um café reforçado no hotel, dirigir 50 km até o aeroporto, devolver o carro e embarcar no avião para Los Angeles. Seriam mais três ou quatro horas de vôo. Enquanto esperávamos, junto ao portão de embarque, podíamos ver alguns típicos Businessmen texanos vestindo belos ternos, botas e chapéus de vaqueiro. A TV começava a mostrar as primeiras consequencias da crise mundial.
Mais um vôo tranquilo, sem qualquer problema. A segurança no aeroporto era imensa, com agentes por todos os lados e uma dura fiscalização. Pousamos em Los Angeles, no aeroporto internacional LAX. Mais um aeroporto enorme. Mais uma vez, pegamos as malas e fomos procurar a locadora de carros. Um microonibus nos levou até lá. Arlington é uma cidade grande, mas não muito. O Texas tem um clima de interior, as pessoas são mais simpáticas, atenciosas. Em Los Angeles tudo é diferente. O contraste entre o Texas interiorano e uma das maiores e mais importantes cidades do mundo é bem grande. O simples ato de conseguir algumas informaçoes de localização era dificil.
Chegamos à locadora, pegamos nosso carro com tanque cheio, GPS e fomos embora diretamente para Venice. Tinhamos muita coisa à fazer pouco tempo. Passava um pouco da hora do almoço, Estávamos há uns 40 km de Venice. Decidimos almoçar por lá mesmo, no FireHouse Cafe.
Mesmo com o trafego pesado, conseguimos sair rapidamente de Los Angeles e rumar para a vizinha Venice. Pouco tempo depois, o GPS indicava que estávamos há apenas 300 metros da academia. Eu já podia avistar a fachada do prédio. Lá estava escrito “The Mecca of Bodybuilding”. Mais uma vez, a tremedeira nas pernas começava. Bem na minha frente estava a academia mais importante da história. Nos anos 70, 80 e início dos 90, se você quisesse ter sucesso no bodybuilding, era praticamente obrigado a mudar para Venice e treinar na Gold’s Gym.
Paramos o carro no estacionamento dos fundos e fomos até lá. Antes de entrar parei bem na frente. Olhei para o prédio tentando me certificar que não estava sonhando. Era mesmo verdade. Lá estava a Gold’s Gym, Meca da musculação mundial. Local onde centenas de campeões foramconstruídos. Vários pensamentos vieram à minha cabeça. Como seria treinar lá? Como se comporta o pessoal de lá? Quem será que eu iria ver ali? Até agora eu havia encontrado Brian Dobson, dono da Metroflex e perdido a chance de encontrar Branch Warren por uma questão de minutos. Não havia visto nenhum profissional ainda. Nesse momento, no meio deste turbilhão de pensamentos, vejo Bob Cicherillo conversando com um colega na porta da academia. Ia até lá conversar um pouco com ele, mas percebi que ele iria treinar. Não quis incomodá-lo.
Ao entrar pela porta senti imediatamente o espirito do culturismo. Olhei rapidamente ao redor e imaginei todos os atletas, todas as histórias que eu havia lido. Pensei em Arnold, Franco, Zane, Ed Connors, Dave Drapper, Mike Quin, os Barbarian Brothers, Samir Bannout, Cris Dickerson, Tom Platz, Flex Wheeler, Shawn Ray, Chris Cormier, e todos aqueles homens e mulheres que viveram suas vidas dedicadas ao culturismo e que passaram anos treinando ali, naquele mesmo chão que eu estava pisando. O folclore baseado nas histórias de Venice é riquissimo, não é dificil encontrar livros ou histórias na internet sobre as peripécias de Arnold e sua turma, as trapalhadas dos Barbarians Brothers e as disputas épicas entre Chris Cormier e Flex Wheeler, quando eles treinavam juntos.
Logo na entrada da academia fica uma lojinha com roupas e alguns suplementos. A variedade de roupas é enorme, calças, bermudas, camisetas, moletons, jaquetas bonés. Se você usa tamanho “P” ou “M” não vai encontrar nada que te sirva. Tudo lá é grande. O tamanho menor é o “G”, seguido de XG, XXG, XXXG e até o espantoso XXXXG! A menos que seu nome seja Ronie Coleman ou Jay Cutler, você vai ficar ridiculo em uma camiseta tamanho XXXXG.
Nesse recinto podemos encontrar uma geladeira cheia de shakes proteicos Ready to Drink e algumas barrinhas de proteína ao lado. Perto dali, um forno microondas para uso dos alunos e treinadores que não podem perder a hora das refeições. Como vemos, tudo lá é feito para facilitar a vida de quem treina sério.
Bem do lado da lojinha, temos o balcão de atendimento e uma pequena cerquinha que separa a sala de entrada do restante da academia. Enquanto eu falava com o atendente, podia avistar Bob Cicherillo e seu amigo em um canto, Charles Glass e Silvio Samuel em outro, todos treinando. Um pouco al lado também pude ver o IFBB Pro libanês/alemão Aiman Faour. Pedi para entrar na academia para conhecer o local.
A academia é simplesmente enorme. Tem tantas máquinas que praticamente é impossivel ver a parede do outro lado da sala. A academia se divide em três grandes salas. A primeira sala tem muitas máquinas, mas também é onde se encontram os maiores halteres e mais peso livre. Nessa primeira sala temos os quadros ilustrando todos os vencedores do Mr Olympia, Ms Olympia, Masters Olympia e NPC Nationals.
Aos poucos, a Gold’s foi atraindo muitas pessoas fora da cena do culturismo, pessoas que apenas queriam treinar sério e obter resultados. A Gold’s não é simplesmente mais uma academia. Ela é um centro de fitness e treinamento capaz de atender desde competidores de culturismo profissional, atletas de ponta da NFL e NBA até artistas de Hollywood.
Pessoas que vivem em cidades litorâneas geralmente acabam expondo mais o corpo. Isso cria uma preocupação maior com o físico. Em Venice, Los Angeles e outras cidades vizinhas isso não é diferente. É impressionante o número de pessoas com um fisico excelente que podemos ver na Gold’s. Claro que temos um ou outro mais gordinho. Mas em geral, todos que treinam lá estão muito bem. Sejam homens ou mulheres, praticamente todos têm um volume muscular considerável e uma boa definição. É raríssimo ver alguém com o fisico que se enquadra no “Off Pesadão”.
Comentei essa impressão que tive com o treinador Charles Glass. Ele concordou e disse que todos lá pensam e agem como bodybuilders. Muitos podem nem competir, mas nem por isso se consideram menos bodybuilders. Ele ainda ressaltou isso com palavras mais ou menos assim: Se você se considera um culturista, é sua obrigação se manter em uma condição razoável o ano todo. Não precisa se manter em condição de competição como ele faz ( aponta para o Silvio Samuel, que estava há alguns metros tomando um shake). Silvio tem uma genética superior que o permite isso. Mas para nós, mortais, ficar em uma condição razoável, com abdomem aparecendo e veias nos braços é perfeitamente possível desde que se tenha dedicação.
Falando em dedicação e treinamento, Charles Glass é praticamente parte da Gold’s. O simpático rastafari, IFBB Pro e competidor nos anos 80, se tornou simplesmente o maior e melhor treinador de bodybuilding do mundo. Charles é formado em engenharia mas sua paixão pelo culturismo supera tudo. Profundo conhecedor de biomecânica, Charles usa as máquinas, bancos e barras a seu favor ( e de seus clientes) na hora de construir os melhores físicos do planeta.
Glass não é um simples treinador que pega um cara normal e o transforma em gigante deformado. Ele é capaz de pegar um fisíco de ponta, praticamente sem falhas e torná-lo ainda melhor. Se você pega um carro mal cuidado, sujo por dentro e por fora, com pneus carecas, vidros quebrados, pintura riscada etc é muito fácil deixá-lo mais bonito. Com pouco esforço e um pouco de dinheiro você transforma seu carro velho e mal cuidado em um novo. Agora é muito mais complicado pegar uma Ferrari zero Km completa e tentar modificá-la para melhorar sua aparencia e performance.
É isso que Charles Glass faz – ele melhora o que já é ótimo, faz o impossivel. A lista de clientes famosos de Charles é extensa – Chris Cormier, Flex Wheeler, Dennis James, Gunter, Troy Alves e Silvio Samuel são alguns deles.
Além dos bodybuilders, Charles tem uma legião de clientes que simplesmente querem obter o melhor fisico através do treinamento e sabem que somente com ótima t;ecnica no treino conseguirão seus objetivos. Por isso Charles trabalha tanto. Ele chega na Gold’s as quatro ou cinco da manhã e não sai de lá antes das sete ou oito da noite.Mesmo sendo muito ocupado, Glass é sempre muito simpático com os visitantes da Gold’s Gym. Quando o avistei pela primeira vez, ele estava terminando um treino com Silvio Samuel. Ao acabar o treino me aproximei e perguntei se podia tirar uma foto e se ele teria um tempo livre para conversar um pouco comigo. Ele disse que poderia fazer isso rapidamente logo após treinar seu próximo cliente – Aiman Faour, IFBB Pro. Dito e feito. Como eu teria um tempo razoável até que Charles ficasse livre, resolvi treinar.Vejam os videos do DC na Califórnia:
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