Velocidade e rapidez são tudo hoje em dia. A facilidade e agilidade com que conseguimos informação através da internet nos deixou mal acostumados. Já não suportamos mais esperar alguns dias até que a carta chegue (na verdade, alguém ainda envia cartas nos dias de hoje?) , consultamos nosso saldo bancário instantaneamente pelo celular, as crianças não precisam mais ir até a Biblioteca Municipal para fazer pesquisas escolares. Isso mudou nossa maneira de ver o mundo e de encarar as coisas.
Já não temos a paciência para esperar as coisas. Tudo tem que ser para hoje, para ontem. Em todos os aspectos da vida. Essa característica inerente aos seres humanos do século XXI tende a trazer muitos benefícios e avanços, mas pode atrapalhar muito em alguns casos, principalmente quando se fala em treino com pesos e recuperação de lesões.
Certas lesões levam algum tempo para se recuperar. Mas como todo bom marombeiro – sempre queremos treinar e melhorar, superar nossas velhas e desatualizadas versões de ontem.
Mas quando uma lesão acontece, é preciso ter paciência e sabedoria para conseguir segurar a vontade e respeitar o tempo necessário para que tudo fiquei antes de voltar aos treinos. Isso já é difícil para o tradicional rato de academia ( levem isso como um elogio), imagine quando estamos falando de atletas se preparando para competições importantes.

Me submeti a uma pequena artroscopia para corrigir o menisco do joelho direito em 2009. Antes que me perguntem, a lesão ocorreu durante um jogo de futebol com os colegas de academia. Um antigo professor de Anatomia me reencontrou uns dias. Conversamos um pouco para botar o papo em dia e, ao saber dessa cirurgia, ele proclamou solenemente – “Miguel, meu Caro, você deveria saber que atleta não deveria jogar futebol nunca!”
De volta ao presente
Este ano resolvi dar uma real chance ao Powerlifting. Até então, mesmo tendo competido com extremo sucesso por dois anos no Levantamento Terra, meu treino era um hibrido que englobava 85% de noções e princípios do bodybuilding e 15% de princípios do powerlifting. Resolvi que era hora de ir mais fundo nesse negocio de powerlifting. Comecei a ler tudo oque eu podia – comprei livros, e-books, investi em seminários online com alguns treinadores de renome como Louie Simmons, Tate, Andy Bolton, pedi ajuda a experts Nacionais no assunto como o Ricardo Barros.
Além disso, conversei com um casal de fisioterapeutas, amigos meus há muitos anos, e comecei a fazer um treino que engloba princípios do pilates e exercícios para flexibilidade e mobilidade.
Com uma mudança expressiva nos treinos (nesse momento do ano, posso dizer que meu treinamento engloba 60% de princípios de powerlifting e 40% de princípios de bodybuilding), e com os treinos de mobilidade e toda a pre-habilitação, minha performance no Levantamento Terra subiu muito.
Graças aos treinos semanais com a fisioterapeuta e mais um esforço em tentar reproduzir esses treinos sozinho mais duas ou três vezes por semana, consegui treinar totalmente livre de dores pela primeira vez em muitos anos. Além de tudo, esses fatores novos tem me ajudado a notar uma maior separação muscular.
Não que eu pareça um senhor quase centenário, mas treino há 18 anos e todos que têm pelo menos alguns anos sérios de treino na mochila sabem do que estou falando – pequenas dores aqui e ali. Dores que não te matam no dia-a-dia, mas acabam te segurando um pouco na academia.

Os treinos estavam indo muito bem, tudo progredindo como deveria ser até que meu joelho – o mesmo da cirurgia – começou a inchar. Havia um derrame articular ( aumento do volume de liquido dentro da capsula articular ) e as dores chegaram. Tive que mudar um pouco os esquemas de treinos para gerenciar essa crise. Diminui alguns exercícios, cortei outros definitivamente e estou tendo que esperar a completa recuperação para voltar alguns outros.
Mesmo com essa crise aguda, resolvi competir no Paulista de Levantamento Terra e acabei sendo Tri-Campeão e ainda por cima batendo meu record pessoal – com 260kgs. Eu estava relativamente bem no dia, mas longe das condições ideais e isso me faz pensar onde eu poderia ter chegado, caso estivesse tudo bem.
O tempo passa e agora faltam apenas onze semanas para o Mundial. Onze semanas parecem soar como um tempo bem longo para a maioria das pessoas, mas quando está se preparando para uma competição, seja ela de culturismo ou Powerlifting, perceberá que onze ou doze semanas passam num piscar de olhos. Quando você vê, já está se aquecendo para subir no palco ou no tablado e caso não tenha feito o progresso necessário nesse período de tempo – será esmagado impiedosamente pelos seus competidores.
No final das contas não foi nada tão sério e vou poder retomar minha rotina de treinos especifica para o Mundial nesta semana. Os anos de experiência nos trazem sabedoria para saber esperar a hora certa de voltar e respeitar as orientações do médico e fisioterapeuta. Paciência é vital!
Enquanto isso, vou continuando os outros treinos com o meu parceiro Henrique Meia Noite. Até a próxima!
