A vida é cheia de fatos marcantes, a primeira bicicleta, o primeiro carro, o primeiro beijo, a primeira vez (não necessariamente nesta ordem). Existem outros momentos que também nos marcam profundamente, como a primeira competição, o encontro com um de seus ídolos ou uma ocasião onde você ou alguém próximo se supera e faz algo que não achava ser possível.
Neste final de semana tivemos uma dessas ocasiões, inesquecíveis e marcantes – com todos ingredientes de uma história cheia de emoção, tensão e suspense.
Sábado, 20 de Julho – 4 semanas para a competição
O ano de 2013 estava complicado. Já era Julho e após duas lesões relativamente sérias no ombro no começo do ano, eu começava finalmente a embalar nos treinos e evoluir tanto na qualidade do físico quanto na força e potencia para as competições de Levantamente Terra.
Era Sábado, o final de uma das semanas mais frias do ano. Os termômetros chegavam a marcar 5° no centro de São Carlos. Eu, o Henrique Meia Noite e o Gustavão estávamos prontos para começar nosso treino de Sábado – o Speed Day – onde fazemos um volume alto de séries curtas de terra com bandas elásticas e saltos profundos. No começo do treino, ao me alongar, senti uma pressão no joelho. Percebi que ele estava inchado. Era o mesmo joelho que havia sido submetido a uma artroscopia para corrigir uma pequena lesão de menisco, anos atrás.
Resolvi que era mais inteligente (realmente?) ignorar esse fato e continuar treinando o mais pesado possível, pois eu tinha o Paulista de Lev Terra dentro de 4 semanas e nada me faria desistir.Claramente que alguma coisa estava irritada no meu joelho. E a situação acabou piorando ao longo das semanas.
Terça, 23 de Julho – Cerca de 3 e ½ semanas para a competição
Na noite anterior, eu e o Meia Noite havíamos treinado costas. Era um treino de esforço máximo de Terra na verdade – parte vital de nossa preparação para o Paulista de Terra. Treino o Meio Noite há alguns anos e conheço a garra que ele tem. Naquela segunda, e nas segundas anteriores, ele estava apagado, meio apático. Se isso continuasse se repetindo, o sucesso no Paulista estaria seriamente comprometido.
Na Terça a tarde, logo após uma rápida viagem a São Paulo, passei na padaria para tomar um café e tentar me esquentar. Eram Cinco da tarde e resolvi ir até o banco onde o Meia Noite trabalha. Era perto dali e fui caminhando. Caminhei uns bons quarteirões por uma avenida, o vento estava congelante, a neblina cobria o topo dos prédios mais altos e não podia se enxergar muita coisa 200 metros a frente naquela fria tarde na qual a temperatura chegou a seis graus.Tive uma conversa sérissima e dura com o Meia Noite. Ou ele mudava para uma atitude mais agressiva e confiante nos treinos ou os resultados nunca iriam chegar.
Ele tinha uma barreira psicológica com os 180 kgs no terra. Chegava bem até os 170kgs, mas só havia feito 180 kgs uma única vez, e com a forma de execução muito ruim.
Segunda, 05 de Agosto – menos de uma semana para a competição
O joelho estava na mesma, ainda inchado e com um pouco de dor. Nessa noite eu teria o último treino de esforço máximo antes do Paulista, que seria realizado no Sábado, dia 10. Como meu joelho ainda estava ruim, não fiz terra. Fiz muitas séries de Good Morning sentado e várias outras de Chair Deadlift – uma espécie de exercício educativo que usamos para melhorar a força dos paravertebrais na saída do Terra.
Nos dias seguintes, a fisioterapia intensiva continuava.Na Quinta-Feira a noite, em uma reunião com o meu fisioterapeuta, resolvi definitivamente que não iria competir. O Mundial WABDL nos EUA estava a apenas 13 semanas de distancia e qualquer lesão mais severa neste momento iria atrapalhar muito meus planos para esta competição.Não existe uma lesão grave no joelho, mas essa inflamação poderia piorar, e quanto mais stress eu coloco no joelho, mais ele vai demorar par ficar bom.
De qualquer forma, na Sexta a noite preparei minhas refeições para o dia seguinte e preparei minha mala para a competição, coloquei meu macaquinho, os meiões, pó de magnésio, talco – tudo preparado como se eu fosse competir. A essa altura eu não sabia o que fazer; e imaginava que se me sentisse realmente bem durante o aquecimento, eu iria competir.
Sábado – 10 de Agosto – Dia da Competição
A competição seria em Rio Claro, a menos de 70 km de São Carlos. Saimos cedo para chegar bem no início da pesagem. O Meia Noite estava extremamente motivado e confiante, bem diferente daquele cara de três semanas atrás.Chegamos lá e fomos nos pesar. O Meia Noite pesou 66,5kgs e caiu na sua categoria costumeira – até 67,5kgs.
Eu costumo competir na Categoria até 90 kgs. Pesei 90,7kgs e precisava perder alguns gramas para me enquadrar nesta categoria. Voltei um tempo depois e fiz o peso. O primeiro round da batalha estava vencido.Faltava esperar o aquecimento e ver se eu me sentiria em condições de competir.
Antes do início da competição, recebi uma placa em homenagem aos resultados alcançados no ano passado e pela minah contribuição com o Bodybuilding e Powerlifting nos meios de comunicação nacionais. Foi uma honra e uma felicidade muito grande.
Após algumas horas de espera, o aquecimento do Terra começava. O Meia Noite ia bem. Eu comecei a fazer algumas repetições e me senti especialmente bem. Resolvi que faria apenas um levantamento, com 220 kgs e torceria para pegar um pódio. De acordo com as cargas na barra, o Meia Noite iria começar e terminar antes de mim. Era perfeito pois eu poderia dar o apoio e suporte que ele precisava sem me preocupar com o meu levantamento. O nosso amigo e parceiro de treinos Bodybuilder Jr da IFBB Lucas também estava lá com sua noiva e nos ajudou muito.
Ele começou com 160 kgs e fez com muita facilidade. O Gelo estava quebrado. Na segunda ele pediu 170 kgs e fez também com uma facilidade nunca antes alcançada por ele. Era o que faltava para dar a ele a confiança de pedir 180 kgs e vencer a competição.
Na hora que ele se posicionou a frente da barra as dúvidas começaram a surgir na minha cabeça – “Será que ele vai conseguir levantar?” , “Será que el evai ter a mente forte neste momento e não se deixar intimidar pelo peso?”
E ele conseguiu! Em um esforço monumental, ele fez o movimento válido, com uma execução muito boa e quebrou essa barreira. Ele acabava de superar uma barreira física de 180kgs, mas além disso superava uma enorme barreira psicológica.
Naquele Sábado, o Meia Noite vencera o Campeonato Paulista de Levantamento Terra, mas, mais que isso, ele vencera a si próprio, seus medos, suas inseguranças e provou para si mesmo – e para todos os outros – que ele era um Homem mais forte, por dentro e por fora.
A Hora
Depois da emoção com o Henrique Meia Noite, era hora de encarar meus medos em relação a lesão no joelho. Estava chegando a hora do meu levantamento. Os anilheiros colocaram 220 kgs na barra e eu fui lá, fazer a minha única pedida. Depois disso eu iria me sentar e torcer para conseguir um pódio.
Fiz o movimento com extrema facilidade. Duzentos e vinte quilos nunca pareceram tão leves. Não senti nada no joelho. A adrenalina estava nas alturas. Eu sabia que isso poderia e iria mascarar qualquer dor ou sinal primário de uma lesão um pouco mais séria que pudesse vir a ocorrer. Mas mesmo assim resolvi fazer uma segunda pedida. Desta vez com 240 kgs.
Esse peso é meio complicado para mim. Já fiz 250 kgs e 255kgs em competições oficiais. Mas nunca fiz mais que 240 kgs na academia. Uma semana antes de sentir meu joelho, eu havia feito 3 reps com 240 kgs, mas havia falhado em levantar 260 kgs. Com os 240 kgs na barra, lá fui eu. Estava muito concentrado. Mais uma vez, levantei o peso com facilidade e sem dor nenhuma. Fui até a mesa e resolvi pedir 260 kgs.
Já estava tudo indo tão bem, por que não tentar bater meu record pessoal?
Poucos minutos depois a barra já estava montada e lá fui eu me posicionar. Fiquei frente a frente com a barra. Aquele peso já havia me vencido duas vezes.
Agora, a história seria outra. Me concentrei, sentia a pulsação de minhas veias, não escutava nada. Encarei a barra fixamente, olhei para frente rapidamente e vi as pessoas gritando. Literalmente vi os gritos – conseguia ver as bocas se movimentando, mas não escutava nada.
Havia chegado a hora.Me posicionei, fiz a pegada, firmei as costas, respirei, travei o ar e comecei a empurrar o chão para baixo. A barra subiu muito rápido até pouco acima dos joelhos – que é a minha parte forte, a luta seria para fazer o lock-out do movimento – e tive que lutar por alguns segundos até travar e finalizar, mas consegui. A barreira de 260 kgs havia sido quebrada e eu era tri-campeão Paulista!
Era realmente um dia que nunca sairia de nossa memória.
O Universo de Hollywood e o universo do culturismo têm algo em comum – Músculos. Essa ligação e sobreposição dos dois mundos sempre ocorreu, mas tem sido muito forte nas últimas três décadas.
Quando Arnold começou a estrelar filmes de ação como “Conan” e ”O Exterminador do Futuro”, as portas se abriram para os atores fortões, o público aprovou e isso virou uma tendência que dura até hoje.
Nos anos 80, Stallone veio junto com Arnold. Depois tivemos Van Damme, Dolph Lundgren. Vin Diesel, Jason Stathan e Dwayne “The Rock” Johnson vieram na sequencia.A partir do final dos anos 90 – e principalmente hoje – ser estrela de filmes de ação em Hollywood sem ter um físico excepcional era impossível. As seleções de atores em filmes como “Os Mercenários” e “Velozes e Furiosos” são a maior prova disso.
E por falar em “Velozes e Furiosos”, esta semana reuni uns amigos em casa para assistir o mais recente filme da franquia. Logo no começo, começamos a nos questionar se o Vin Diesel estaria menor do que estava na época de “Triplo X”. Quando se junta três caras que gostam de musculação para assistir um filme como esses, esse tipo de conversa é inevitável.
“Será que ele era grande mesmo naquela época? Ou será que ele parecia grande por estar ao lado crianças (atores bem menores que ele)?”, disse o sempre contemplativo Gustavo.
“Na verdade, com o The Rock desse tamanho – e ele está enorme – a criança deste filme é o Vin Diesel.” – respondi prontamente.
O mais quieto e pensativo ali era o meu parceiro de competições Henrique. De repente ele logo dispara- “O The Rock está desse tamanho e não vão mostra-lo nenhuma vez sem camisa?”
Nesse momento os olhares se voltam para o Henrique, que se encolhe na poltrona, engole seco e tenta consertar – “É para ver o físico dele, analisar.. só isso.”
Brincadeiras e comentários à parte, apesar de estar gigante – e para o desapontamento de Henrique, The Rock não apareceu nenhuma vez sem camisa – única parte visível nele eram os braços. E pode apostar que ele estava grande e seco. Em uma das cenas, ele aparece dirigindo seu carro, a câmera mostra o ponto de vista do carona. O tríceps direito dele estava trincado, quase rasgando a camiseta. Mesmo estando de roupa o tempo todo durante o filme, pudemos notar a grande qualidade de físico apenas pelos braços.
Isso finalmente nos traz ao final dessa longa introdução. O grande ponto nisso tudo é que os braços são pontos fundamentais em um físico bem estruturado e desenvolvido. É desnecessário dizer que é importante manter o balanço e proporção entre todos os grupos musculares. Mas o foco hoje é braço, mais precisamente tríceps.
O Triceps
O tríceps é um grupo muscular geralmente negligenciado por alguns. Os homens têm a impressão de que tendo bíceps bem desenvolvidos já é o suficiente. As mulheres, de uma forma geral, até treinam tríceps na tentativa de “tonificar” aquela região – mas quase nunca treinam pesado o suficiente para atingir bons resultados por receio de que seus braços fiquem muito grandes. Não se preocupem garotas. Não é bem assim.
O tríceps provê cerca de 2/3 do volume muscular do braço. É um músculo bem mais volumoso que o bíceps. Nos homens, ele vai ajudar a dar mais volume e esticar as mangas da camiseta. Nas mulheres, ele ajuda a dar um visual mais harmônico e enxuto nos braços.
A discussão sobre qual seria o melhor tipo de treino ou quais os melhores exercícios sempre vai existir. Tenho meus métodos e crenças baseados em ciência e prática de quase 20 anos de treino e outros tantos ajudando pessoas atingirem seu verdadeiro potencial físico.
Um exercício que sem dúvida deveria fazer parte do arsenal de qualquer pessoa que treina seriamente com pesos é o tríceps coice com halteres. Ele é um exercício muito simples, mas que traz alguns segredos essenciais para sua boa execução.
O tríceps é um músculo que tem três cabeças – cabeça longa, cabeça medial e cabeça lateral – que se unem e convergem em um tendão único logo acima do cotovelo e se inserem na ulna (um dos dois ossos longos do antebraço), logo abaixo do cotovelo.As cabeças medial e lateral se inserem no úmero, a cabeça longa se insere na escapula.
O fato da cabeça longa estar inserida abaixo do cotovelo e logo após a articulação do ombro, na escápula confere a ela uma propriedade distinta das outras duas. Sua contração e grau de ativação irá variar de acordo com a posição do braço em relação ao ombro. Ou seja, se os seus braços estiverem alinhados com seu tronco, como em um exercício de tríceps na polia, a cabeça longa é ativada de certa maneira. Se os seus braços estão formando um ângulo de 90° com seu tronco, como no tríceps testa, a cabeça longa é ativada de forma diferente. Se os seus braços estão elevados, como no tríceps francês, a cabeça longa novamente sofrerá um tipo diferente de estímulo.
Estou tentando ser o mais simplista e sucinto possível aqui. Poderíamos nos aprofundar nesse tema e discutir por páginas aqui. Mas não é o foco desse texto. Antes de discutir o exercício em questão, vou falar sobre outro ponto fundamental na compreensão do tríceps coice.
A insuficiência ativa –
Para que eu possa explicar e detalhar bem o tríceps coice, é preciso que estejamos familiarizados com o termo “Insuficiência Ativa”. Resumidamente, a Insuficiência Ativa de um músculo ocorre quando tal músculo está tão encurtado durante uma contração voluntária que ele perde a tensão. Você sente a contração de uma maneira forte, quase uma câimbra, mas no final das contas, a tensão no músculo alvo é perdida.
Faça o teste – com o punho cerrado e o braço ao lado do tronco, estenda seu cotovelo ao máximo. Segure assim enquanto tenta levar sua mão para trás a para cima ( como em um movimento de se preparar para dar a tacada com um taco de sinuca, mas sem dobrar o cotovelo). Sentiu a contração fortíssima, desconfortável até?
Triceps coice sem segredo
O tríceps coice tem algumas variações. Ele pode ser feito com um braço por vez, ou com os dois simultâneos. Também é possível realiza-lo no cabo, o que muda significativamente o braço de resistência e função do exercício. Esse é outro assunto que tornaria o texto longo demais e deverá ser discutido em outro artigo.
Vamos simplificar e falar do tríceps coice tradicional, com halteres e unilateral.A posição inicial Apoie o joelho esquerdo em um banco e se curve a frente, apoiando a mão esquerda também sobre o banco, de modo que suas costas fiquem paralelas com o chão. A perna direita fica apoiada no chão o tempo todo. Segure o halter com a mão direita e posicione o braço na linha do tronco, na verdade, lute pra manter o cotovelo um pouco acima da linha do tronco durante toda a série.
Comece o exercício estendendo o braço até que ele bem perto de sua extensão máxima. Não é necessário nem saudável que se “estique” o braço até o limite. Segure na posição de contração por dois segundos e desça lentamente até que o antebraço fique perpendicular com o chão. Ao terminar a série com o braço direito, inverta a posição e faça a série com o braço esquerdo. Sempre tente começar com o seu braço mais fraco.
Pontos importantes –
O primeiro ponto a se notar é a importância de se manter o cotovelo elevado durante toda a série. Nessa posição, a cabeça longa do tríceps fica bem contraída, entra em Insuficiência ativa e não consegue gerar tensão suficiente. Isso acaba recrutando em um grau muito maior a cabeça medial e principalmente a lateral.
Outra observação é em relação à biomecânica. É importante manter o braço paralelo com o chão, ou um pouco mais elevado para otimizar a alavanca. Nessa posição aumentamos o braço de resistência e se impõe mais tensão durante todo o arco de movimento. Na posição de alongamento – com o antebraço perpendicular ao o chão – o halter está logo abaixo do cotovelo (ponto de apoio da articulação) o torque de resistência gerado nesse momento é zero. A medida que vamos estendendo o braço e nos aproximando da contração máxima- com o braço quase completamente estendido – o braço de resistência vai aumentando ao longo do movimento até que chega em seu comprimento máximo na parte final da repetição.
Se permitirmos que o braço desça e se posicione abaixo da linha do tronco, perdemos tensão muscular e amplitude de movimento – o movimento fica mais curto.Imagine que na posição correta, o antebraço sai da posição perpendicular com o chão e descreve um arco de praticamente 90° até a posição final. Se o braço descer, e fica abaixo da linha do tronco, o antebraço ainda sairá da posição perpendicular com o chão, mas acabará descrevendo um arco menor que 90° até chegar na posição de extensão quase completa do cotovelo. Além disso, o braço de resistência no final do movimento será menor, o que irá gerar menos tensão no músculo.
O tríceps coice é um exercício que parece simples, mas acaba sendo complexo se quisermos extrair o máximo de resultado dele. Não é o tipo de exercício no qual vamos poder usar uma tonelada de carga. Prefiram usar cargas mais leves, que permitam a execução perfeita do exercício e procurem aproveitar ao máximo cada repetição.
Fazendo tudo isso, o tríceps coice se tornará um de seus melhores amigos na busca por um físico melhor!
O sempre polêmico baixinho Australiano não compete desde 2006, onde disputou o Night of Champions pela PDI (Pro Division Inc).
Por ter competido na PDI, Lee foi suspenso da IFBB e impedido de competir. A suspensão levou anos para ser retirada.
Por várias vezes Lee disse que voltaria. Ele até chegou a treinar para um show da então categoria 202, mas teve uma lesão e ficou sem condições de competir. Os rumores de que Lee voltaria aos palcos se reptiram mais algumas vezes, sempre sem um final concreto.
Depois de vários desses episódios, Lee perdeu a credibilidade com os fãs. Ele tem morado na Austrália nos últimos anos e aparecido relativamente pouco na mídia.
Ele se encheu de tatuagens, mas parece que tem mantido a boa forma física. Cada vez mais excentrico, Lee anda até pintando as unhas. Seu aniversário de 41 anos aconteceu este fim de semana, no dia 06 de Julho eo tema da festa foi sua paixão – SuperMan!
Pouco tempo atrás ele veio com a chocante notícia de que finalmente voltaria aos palcos. Desta vez o campeonato escolhido é o Universe NABBA 2013. Ele estará na Inglaterra e quem sabe poderemos ver o baixinho de volta aos palcos. Façam suas apostas!
No último fim de semana fui até Catanduva acompanhar meu amigo e pupilo Henrique Meia Noite no Campeonato Paulista do Interior se Supino e Terra. Ele pesou 65,3kgs e estava muito seco. Não a ponto de poder competir em um show de Culturismo, mas quase lá.
Sobre o Campeonato Paulista do Interior, realizado pela FPLBI/Conbrafa – foi um evento bem interessante, com excelentes atletas. Percebi muitas caras novas nos dois campeonatos que pude assistir este ano. Grande parte desse pessoal tem vindo de outras federações. Isso aumenta o número de atletas participando e também aumenta a competição. Mal posso esperar para o meu retorno às competições em Agosto, no Paulista.
Finalizando o assunto do Paulista do Interior, o Meia Noite foi campeão de sua categoria, até 67,5kgs. Ele prova que não precisa ser obeso para levantar cargas altas. Esse estigma de que não se pode ficar sequinho para ter força não é real. Obvio que se você for ter que perder 6,7,10 kgs logo antes de um campeonato, vai perder força ao longo da dieta. Natural. O truque é chegar em uma forma física sem muita gordura e se manter naquela zona várias semanas antes de sua competição.
Verdadeiros atletas treinam e se alimentam como atletas. Alguns alimentos são importantes no aumento de massa muscular e força. Apesar de precisarmos de muitas calorias para poder treinar pesado, não é necessário nem interessante que essas calorias venham de alimentos ricos em gorduras saturadas e hidrogenadas açúcares e outros nutrientes inflamatórios.Alimentos como macarrão são ricos em gluten, mesmo o integral. A grande maioria das pessoas tem algum nível de intolerância ao gluten. Falando a grosso modo, ele é uma substancia que causa inflamação e alergia, o que diminui a performance nos treinos, endurance e força muscular. Existem relatos de avanços absurdos na performance de atletas que cortam totalmente o glutem de suas dietas.
A gordura saturada e hidrogenada diminui atrapalha a absorção de proteína. Isso só par acitar alguns exemplos mais claros.Portanto, é VITAL QUE SUAS CALORIAS SEJAM PROVENIENTES DE ALIMENTOS DE ALTO VALOR NUTRICIONAL e de alimentos “limpos” como frango, carne vermelha magra, arroz, batatam, aveia e uma variedade de vegetais.
Planejamento
Uma das coisas mais importantes para se ter sucesso em qualquer aspecto da vida é planejamento. Você precisa planejar seus gastos e despesas na sua vida pessoal, precisa planejar suas ações na sua vida profissional. Nos esportes não é diferente.É preciso checar o calendário do ano todo e avaliar quais as competições nas quais irá competir.
A partir daí é preciso sistematizar e periodizar seu treinamento de uma forma precisa.É vital chegar no pico de sua performance na data exata da competição. Isso nem sempre é tarefa simples.
Se você está com gordura em excesso, comece a dieta vários meses antes de sua competição. Se a dieta for feita com extrema cautela e precisão, pouquíssima força será perdida. Eu mesmo competi em um campeonato de powerlifting em uma semana e em um de culturismo apenas uma semana depois. Ou seja, quando eu competi ( e ganhei – o paulista do interior de Lev. Terra 2012 ) eu estava em dieta restrita para a competição de culturismo há 14 semanas. Sete dias depois eu estava sendo premiado com a segunda colocação no Paulista de Estreantes de Culturismo Clássico IFBB.
Claro que seria mais tranquilo e seguro fazer a dieta de redução de gordura longe da competição de Levantamento de peso. Um exemplo que gosto de dar é do Henrique Meia Noite. Ele foi mantendo uma dieta regrada e ideal durante um curso de 2 anos e meio. Fazíamos pequenas temporadas de redução de gordura seguidas de períodos com mais calorias. Éramos cuidadosos o suficiente para adicionar apenas as calorias necessárias para que ele ganhasse força e um pouco de massa muscular já que ele não poderia passar muito o limite de peso de sua categoria.
Como ele está cada vez mais perto daquela condição ideal que procuro – maior quantidade de massa muscular possível e menor quantidade de gordura dentro do limite de peso da categoria dele 0 os período de redução de gordura estão cada vez mais curtos e os períodos de calorias mais altas e ganho de força são cada vez mais longos.
Ele compete na categoria até 67,5kgs. Mas seu peso corporal flutua entre 69,0 e 71,0kgs ao longo do ano. Nos dias antes do campeonato, o que precisamos fazer é apenas retirar um pouco de água e ele está pronto para a pesagem. Logo após pesar, fazemos o carb-up e reidratação. Nada muito maluco, não chegamos a um ponto onde ele precisa usar soro na veia para se recuperar. Não sei até que ponto isso é válido.
Desta vez ele estava pesando 69,0kgs dois dias antes e pesou 65,3kgs na pesagem. Acertamos na mosca a desidratação. Ao longo dos campeonatos fomos refinando o protocolo de desidratação dele e agora chegamos a um conceito ideal para ele. Claro que o corpo responde de maneira diferente a cada competição, mas o caminho básico está acertado. Ele conseguiu ficar seco para a pesagem sem muito sofrimento e desconforto.Com isso, sei que posso colocar mais dois kilos de massa muscular nele nos próximos meses e aí estaremos no ponto ideal. Como não temos a intenção de subir de categoria, a manutenção será bem tranquila.
Henrique levantou 170kgs na competição, na terceira tentativa sentiu uma lesão antiga na coxa. Ele sofreu um acidente de carro e tem uma placa de platina de quase 40 cm no fêmur direito. Mas ele vem levantando 180kgs com frequência na academia. Fazendo as contas, ele levanta 2.75 vezes seu peso corporal. Neste campeonato, um atleta com 109kgs levantou 280kgs no terra. O que dá um coeficiente de 2.54 vezes o peso corporal. O que faz o Henrique melhor levantador que ele ( naquele dia especifico) se formos considerar a relação peso corporal/peso levantado. E essa relação é muito importante.
Não adianta levantar 290, 300kgs mas pesar 140kgs de gordura e água como um antigo colega nosso.A nossa meta para o Brasileiro, no Final de Setembro, é que o Henrique chegue aos 190kgs, o que faria um coeficiente de 2,9 vezes o peso corporal dele. O que pode ser considerado praticamente um atleta de nível Mundial.
Não estou dizendo que é preciso estar com 3 ou 4% de gordura corporal; nem que isso é imprescindivel para se ter uma boa performance. Mas é possivel se manter relativamente bem seco. Isso é um pouco variável. No caso do Henrique, seu biotipo facilita nossa tarefa de o manter bem seco. Em outros casos, vai ser preciso um pouco mais de atenção. Mas ninguém disse que ser atleta de ponta seria fácil.
O que quero mostrar que é que não precisa ficar com um excesso de gordura enorme. Além do aspecto estético, creio que os problemas de saúde provenientes da alta quantidade de gordura corporal são bem conhecidos.
O que fazer
Levando em conta a temporada 2012, as principais competições ocorrem no segundo Semestre. Se eu fosse cuidar de um atleta com muita gordura para esta temporada, eu o colocaria em dieta para redução de gordura de Dezembro a Março. Seriam cerca de 4 meses, ou 16 semanas como eu prefiro, em redução de peso.
Nesse período conseguiríamos perder uma quantidade considerável de gordura, mantando a força e massa muscular quase que intactas. Ainda teriamso 5 meses ou 20 semanas mais ou menos para nos dedicar ao ganho de força, um pouco de massa muscular (caso o limite de peso permita ) e ir fazendo alguns outros ajustes.
Preciso lembrar qu eestamos falando apenas do fator nutricional aqui. Os treinamentos continuariam os mesmos em tese. Mesmo na fase de redução de gordura, teriamos treinamento especifico para o Levantamento de peso.
Muitos outros fatores deverão ser levados em consideração como biotipo do atleta, intenção de subir, baixar ou se manter em determinada categoria de peso etc.
Talvez não seja possível levar o atleta na condição ideal no primeiro ano. Mas já sairiamos com uma condição física bem melhor no segundo ano.E quem tem pretensões de competir em campeonatos internacionais deveria seguir este caminho, pois o nível lá fora é altíssimo e eles são extremamente bem preparados e cuidadosos em relação a isso.Quando o nível de competição chega a um nível tão elevado, qualquer detalhe pode contar a favor ou contra você.
Nada Contra
Nada contra quem prefere ficar com uns kilos a mais de gordura. E muitos atletas irão citar nomes de powerlifters e strongmen Top no Mundo que não são secos.
Minha intenção aqui não é enfiar essa visão goela abaixo de ninguém. Não é impor meu modo de ver a situação. É fato que temos excelentes atletas, caras icônicos Nacionais e internacionais ( os quais admiro muito ) que competem com mais gordura corporal. Os resultados falam por si só nesses casos. Se você compete e tem bastante gordura e consegue levantar cargas altas, muito bem. Se você se sente bem consigo mesmo estando bem acima do peso, muito bem. Isso talvez seja o mais importante.
Em contrapartida, podemos citar vários nomes de atletas Top no Powerlifting, Storng e LPO que mais parecem um fisiculturista. Cada um tem um modo de pensar e vai buscar argumentos para tentar se sentir melhor e se justificar.
Mas como atleta, não vejo por que não devemos pensar como atletas e elevar nossa condição física ao extremo. Ao melhor possível. Se queremos chegar ao topo, devemos buscar o melhor possível. Devemos, na verdade, buscar o impossível.
E se é possível levantar cargas muito elevadas e ainda sim ter uma ótima aparência, por que não? Eu quero andar na rua e ser visto como um atleta, uma pessoa acima da média fisicamente, não como uma pessoa normal.
Quero que meu esporte seja mostrado em meu corpo, meu físico. Quero que as pessoas percebam imediatamente que treino com pesos. Não quero que me olhem e vejam uma pessoa normal, ou pior, uma pessoa acima do peso…
Hoje é primeiro de Junho. Me levantei umas oito e pouco da manhã. Já fui preparar meu shake com Whey e caseína Probiótica ( além de aveia e pasta de amendoim) para depois começar a me arrumar para ir treinar.Após tomar meu shake, fui checar e-mails e olhar o facebook. Eu estava cansado, um dia antes eu havia treinado pernas, usei algumas técnicas diferentes, no final do treino eu não estava conseguindo fazer avanço andando nem sem peso nenhum.
Já comecei lendo um post bem bolado e inteligente. A moça dizia – “Bem-vindo Junho! Meio ano já se passou!”Puxa vida.. Só se passaram cinco meses até agora. Quando primeiro de Julho chegar, aí sim! Mas isso é só o facebook e suas loucuras.
O mais importante de hoje seria o fechamento de minha primeira semana de treinos após uma lesão que sofri no ombro. Sofri uma ruptura parcial do supra-espinhoso, um dos músculos que estabiliza o ombro. Além disso, tive uma inflamação na Bursa, decorrente do trauma da ruptura. Fiquei parado por cinco semanas. Repouso absoluto.Teoricamente poderia ter treinado pernas, mas como não poderia, ou não deveria fazer muito esforço com o braço do ombro lesionado, sob o risco de acentuar a bursite ou ter uma nova ruptura, o treino de pernas seria um pouco complicado. Precisaria de alguém para montar o leg-press, me estabilizar durante os exercícios seria outro problema. Enfim.
Esta semana pude treinar bem, voltando a usar cargas um pouco mais elevadas, mas com cautela ainda. NA semana passada eu já havia treinado, mas havia feito apenas alguns grupos musculares e com uma carga quase inexistente ( Supino com halteres reto com halteres de 12 kgs, elevação lateral com 4 kgs etc ) , só para mostrar ao meu corpo que teríamos que entrar no ritmo novamente.
Quando me lesionei, estava no inicio da décima terceira semana de dieta para a preparação do Paulista de Culturismo Clássico. Já estava a todo o vapor e faltava pouco para o campeonato. Mesmo sem treinar me mantive na dieta por mais algum tempo e lentamente fui adicionando calorias. Obviamente não consegui manter minha condição na dieta e ganhei gordura, perdi musculo. Aproveitei esse tempo de parada forçada para comer apenas três refeições por dia e muito pouca proteína.
Mas após duas semanas de dieta mais regrada, comendo de maneira mais estrita e consistente, aumentando o número de refeições e a ingestão de proteínas, meu físico já deu uma boa enchida e a densidade aumentou. Acabei notando que não ganhei tanta gordura como achava. Uma parte era apenas retenção hídrica devido à dieta um pouco mais desregrada. Uma vez que voltei a consumir os alimentos certos nas quantidades certas, meus músculos se encheram e a água saiu debaixo da pele e foi para dentro dos músculos.
Fiquei bem chateado por não poder ter ido competir no Paulista de Culturismo Clássico IFBB. Eu havia ficado com um honroso sexto lugar ano passado e desta vez iria conseguir vir com 3 ou 4 kgs a mais na mesma condição de definição. Teria dado trabalho e brigado pelo pódio.Além disso, sempre é um prazer poder competir nos Campeonatos organizados pelo Presidente da IFBB Paulista Fernando Marques. Ele tem se mostrado um excelente dirigente e faz dos Campeonatos verdadeiros shows, com seu carisma durante a apresentação.
Me resta agora a preparação para os campeonatos de Levantamento terra. Tenho o Paulista, Brasileiro, Sul-Americano e Mundial este ano. Também pretendo chegar maior e mais seco para estes campeonatos, comprovando que não é preciso estar obeso para competir nos esportes de força.Na foto acima estou com um de meus parceiros de treinos, o Henrique. Ele irá competir na próxima semana o Paulista do Interior de Levantamento Terra e tem grandes chances de levar o titulo.
Todo fã de musculação, e conseqüentemente de culturismo, sabe que os EUA são a casa do esporte nos últimos 50 anos pelo menos. É lá que a história da competição mais tradicional e importante de nosso esporte – o Mr. Olympia – tem sido contada.
A evolução do nosso esporte em todos os aspectos nas últimas décadas ocorreu na América. É nos EUA que o Bodybuilding como esporte e como cultura se desenvolveu. Temos dezenas de campeonatos todos os meses, inúmeras federações – que vão desde as mais influentes do mundo como IFBB e NPC até pequenas, porém importantes federações drug tested – Lá são editadas as maiores publicações como revistas e livros.
Os EUA foram o palco do surgimento e desenvolvimento maciço da indústria da suplementação alimentar ( a partir dos anos 80 ) através de nomes como Bill Philips, Michael Zumpano e Scott Conelly. Nessa época a produção e consumo de suplementos se intensificou. Novas marcas surgiram, pesquisas mais profundas foram realizadas, substancias e seus benefícios à saúde foram descobertos.
Os melhores atletas e academias também estão nos EUA. Lá fica a elite do bodybuilding mundial e qualquer atleta não-americano que almeja sucesso tem que se mudar para lá. Em todos esses anos de Mr. Olympia – 42 para ser exato – só dois homens obtiveram sucesso e fama na IFBB morando fora dos EUA, Dorian Yates e Markus Ruhl.
Tudo fez com que a cultura Bodybuilding se desenvolvesse muito na América do Norte. Praticamente todos os nossos ídolos estão lá, as academias legendárias estão lá. Academias onde físicos espetaculares foram forjados ao longo das décadas; lugares sagrados onde se pode sentir o espírito do esporte incrustado nas paredes a halteres.
Existem lojas imensas de suplementos, uma variedade incrível de produtos e até restaurantes que servem exclusivamente comida para Bodybuilders.
Como amante do Bodybuilding, sempre tive o sonho de conhecer os EUA, as academias legendárias onde a história do esporte era escrita a cada dia, conhecer pessoalmente os atletas e lugares que só conhecia através de revistas e vídeos.
Tenho pilhas e pilhas de revistas americanas, dezenas de livros, milhares de fotos salvas no meu PC. Sou um fã incondicional e sempre sonhava em treinar na Gold´s Gym de Venice beach, na Metroflex Gym em Arlington; tomar um café da manhã no FireHouse Café e muitas outras coisas.
Após tantos escrevendo para revistas importantes no Brasil e para o meu próprio site, tive a oportunidade de conhecer muita gente e fazer muitos amigos Brasil afora que compartilhavam o mesmo sentimento sobre o bodybuilding. Em conversas com fãs por e-mail, ou pessoalmente nos diversos eventos dos quais presencio, percebi que esse não era um sonho exclusivamente meu. Todo aquele que treina seriamente e gosta de bodybuilding tem essa vontade de conhecer como são realmente as coisas nos EUA. Como são as academias, como são as lojas de suplementos, como são os atletas pessoalmente e como vive a comunidade bodybuilder e principalmente – como seria presenciar o Olympia Weekend.
A partir daí surgia o projeto do DC USA TOUR 08. Uma realização única no Brasil, que foi viabilizada pela Probiótica. A Probiótica é a empresa que mais investe na área cultural da musculação no Brasil. Vou explicar melhor; A Probiótica é a empresa que mais investe em revistas, apóia publicação de livros, patrocina campeonatos e atletas, promove eventos com seminários gratuitos em todo o Brasil e muito mais.
O que vocês verão a seguir é um retrato das academias legendárias, lugares praticamente exclusivos para bodybuilders como lojas e restaurantes e finalmente o Olympia Weekend 08 e todos os eventos envolvidos. Passamos por três estados, sete cidades e muitas aventuras. Espero que gostem!
Capitulo 1 – A Quente Arlington – TX
Tudo pronto! Eu tinha o projeto, o roteiro, o visto, as passagens. É hora de embarcar! Malas prontas. Nossa equipe consistia em duas pessoas – eu e a minha namorada Carolina. A primeira missão consistia em chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Para isso contamos com uma ajuda extra – Meus pais nos deram uma pequena carona de São Carlos – SP até Guarulhos. Para aqueles que não são familiarizados com as distancias foram 240 km de um lugar ao outro.
Nosso vôo partiria à Meia Noite do dia 15 de Setembro. Para uma tranqüilidade e paz de espírito maior, chegamos ao aeroporto mais ou menos as 21 hrs. Nesse momento a ansiedade já era bem grande e não via a hora embarcar. Poucas horas me separavam do meu sonho.
Já dentro do avião, mais relaxado, morrendo de sono, pensava e imaginava como seria nosso primeiro nos EUA. O primeiro destino seria Arlington, no Texas.
Chegamos ao Texas pela manhã. Foram onze horas de vôo na classe econômica (bem apertado), mais duas horas e meia para sair do avião, pegar as malas nas esteiras e passar pela imigração no aeroporto. Depois de tudo isso estávamos liberados e felizes! Podíamos ficar em pé, esticar o corpo cansado e respirar ar puro.
Estávamos no Aeroporto Dallas / Fort Worth. Arlington ficava há algumas milhas de distância. Sem esperar muito, nos dirigimos até a locadora de carros e pegamos nosso veiculo. Em pouco tempo estaríamos em Arlington. A primeira coisa que fizemos foi procurar comida. Estávamos famintos. Paramos em um Shopping para comprar suprimentos e comida e seguimos em frente. Encontramos nosso hotel, deixamos as malas e já saímos!
O tempo era curto em Arlington, só tínhamos dois dias para conhecer e treinar na academia mais hardcore do mundo – A Metroflex Gym.
Metroflex Gym – A Academia mais Hardcore do Mundo
A Metroflex Gym se tornou famosa no inicio do século graças à Ronnie Coleman. Ronnie é considerado o maior culturista de todos os tempos e o cara que treina mais pesado também. Em 1997, Dorian venceu seu último Olympia. Pouco tempo depois, ele declarou que não voltaria a disputar o titulo em 1998. Isso deixou as portas abertas para grandes nomes que perseguiam o “Sandow” há anos – Kevin Levrone, Paul Dillet, Nasser – mas principalmente para o príncipe Flex Wheeler. Flex era o favorito disparado ao titulo. Finalmente ele alcançaria o que o seu potencial fantástico podia proporcionar – o titulo máximo no culturismo , o Mr. Olympia.
Para todos, só um desastre ou um fato inacreditável ( como o surgimento de um ET ) poderia tirar o Sandow das mãos de Flex em 98. Pois é, o Extra Terrestre apareceu mesmo. Seu nome era Ronnie Coleman. Em uma apresentação sem precedentes, Ronnie chegou ao palco com um físico impecável e conseguiu o impossível – superar Flex Wheeler. Ronnie era o mais novo Mr. Olympia.
Nos próximos meses, todos queriam saber quem era esse cara, onde ele vivia, onde treinava? As respostas a essas perguntas foram aparecendo pouco a pouco. Em 2000, já com alguns títulos na bagagem e firmado como superstar, Ronnie lança seu vídeo “The Unbelievable”, onde ele mostra com mais clareza suas origens, seu local de treino. Nesse vídeo podíamos testemunhar sessões de treinamento brutais em uma academia com um aspecto diferente do que estávamos acostumados a ver. O cenário mostrava halteres imensos, maquinas feitas sob medida, música em um volume ensurdecedor e muita teia de aranha e poeira. Esse ambiente hardcore, que simboliza o espírito de treino de quase todo bodybuilder fez uma legião de fãs. Todos queriam saber mais da Metroflex e queriam saber como seria treinar em um lugar desses. Durante anos este filme serviu de combustível para treinos intensos de pessoas de todo o mundo. Difícil encontrar alguém que treine sério e não conheça Ronnie ou a Metroflex Gym devido a esse vídeo. Eu também, vi esse filme centenas de vezes. Estudava, analisava cada centímetro da academia, cada detalhe. E imaginava se um dia poderia pisar naquele chão, usar aqueles halteres.
O lugar é uma academia situada na área industrial de Arlington. O prédio fica situado em uma viela perpendicular à Cooper Street, uma das principais vias da região. Na vizinhança temos oficinas mecânicas, principalmente de caminhões e maquinas pesadas, cemitérios de carros, caminhões e outras maquinas pesadas, depósitos de ferragens parecidos com desmanches de enormes maquinas industriais e revendas de automóveis. A academia tem como vizinho, uma oficina mecânica. Ao chegar à pequena ruazinha de acesso à academia, já podíamos ouvir a musica alta saindo do prédio. Chegamos lá pouco depois do almoço, o calor era grande – provavelmente entre 35 e 40 graus.
Parei o carro bem em frente à academia, podia ouvir claramente a musica que vinha de dentro do prédio. Era a trilha sonora de Rocky. Desci do carro, olhei para a fachada da academia. Lá pude ler “Metroflex Gym” , “House of Mr. Olympia”. Esperei alguns segundos até que a tremedeira das pernas passasse. Mais alguns segundos para me certificar realmente se estava no lugar certo, se não era sonho ou delírio. Não era. Eu estava lá mesmo!
Encontrando Brian Dobson – O Criador
Entrei pela famosa portinha de vidro que dá acesso ao “escritório” da academia. Na mesa da recepção estava ninguém menos que o dono da academia – Brian Dobson. “Ei Brian, sou um fã de sua academia. Vim do Brasil só para poder treinar aqui uns dias.” Brian sorriu e me estendeu a mão com uma alegria imensa. “Então seja bem vindo!” respondeu prontamente. A partir daí começamos a conversar, ele me falou sobre a academia, sobre ele, sobre Ronnie. Me perguntou do Brasil, como era a musculação por aqui.
Brian Dobson é o dono da Metroflex Gym há muitos, muitos anos. Foi ele quem descobriu Coleman. Ele quem visualizou o potencial incomparável do ex-policial. Ao longo dos anos, Brian foi treinando e moldando o físico de Ronnie, rumo ao profissionalismo e ao topo do mundo. Dobson está no ramo há mais de 30 anos, treinando, competindo e organizando campeonatos de Bodybuilding, Powerlifting e Strongman. Para muitos, o fato de uma academia tão pequena, escondida nos arredores de uma cidade mediana no estado do Texas produzir tantos campeões em diferentes modalidades permanece um mistério. Como Brian conseguiu isso? O que tem de tão especial naquela academia?
Ele define a Metroflex como um local de formação de campeões e não uma academia comum de fitness. Treinar duro é regra por lá. E se você estiver a fim apenas de passar o tempo, ou de conversar, seu lugar certamente não é a Metroflex. Somente treinos hardcore são permitidos. Essa é a filosofia da academia – “Go hard or Go Home” se encaixa perfeitamente.
Sabemos que só é possível ultrapassar todos os limites do corpo em relação aos objetivos do bodybuilding treinando intensamente e insanamente toda vez que vai á academia. Não são permitidos dias leves. Perder um treino? Nem pensar.
O próprio rei da intensidade e regularidade, Dorian Yates, relata o motivo de seu sucesso – regularidade e intensidade, todo santo dia. Ele disse que às vezes Shawn Ray ou Flex Wheeler podiam querer descansar uma semana após o Olympia; ou que em determinado dia eles poderiam escolher passear no parque e não treinar. Pular uma ou duas refeições.
Dorian dizia que ele nunca perdia uma refeição, nem um treino. Tudo era levado ao máximo sempre. Yates, ainda, diz que é fácil ter consistência por algumas semanas. Mas o que vai te trazer o melhor físico possível é ter consistência por anos.
É nesse contexto que a Metroflex se transforma no maior celeiro de campeões da América. Lá, treinar intensamente é estimulado ao extremo. Brian tenta fazer com que tudo seja voltado para que se crie um ambiente favorável a isso. A música alta, o dia inteiro, as centenas de fotos coladas em todas as paredes (inclusive nos banheiros), a quantidade incalculável de peso – anilhas, halteres. A atitude das pessoas que treinam lá é essa. Treinar sempre no limite.
Já se passaram quase 90 minutos e ainda estava conversando com Brian Dobson no balcão da recepção. Ele falou muito sobre sua segunda paixão – caçar. Mostrou fotos e troféus de caça. Outro assunto interessante foi Miguel de Oliveira. Ele me mostrou uma foto do brasileiro colada na parede da recepção. Brian me disse que Miguel costumava treinar lá de vez em quando. Certa vez, decidiram treinar pernas juntos. “I kicked his ass that day!” Disse Brian com um sorriso estampado no rosto. Ele disse que deu pau em muito atleta profissional nos treinos.
A essa altura o papo já estava se aprofundando sobre bodybuilding profissional. Branch havia saído minutos antes de nós chegarmos. Perguntei sobre Coleman. O rosto de Brian mudou de feição. Comentei com ele que Ronnie havia feito uma visita ao Brasil meses antes. Ele disse que Ronnie e suas atitudes não estavam sendo muito bem vistos pelos fãs americanos. Ele confessou que passou um tempo chateado com Ronnie.
Depois que ele perdeu (o Olympia 2006) para o Jay, ele foi até um programa de rádio e disse que não admitia perder para um “garoto Branco”. Esse episódio realmente foi polêmico na ocasião. Lembro que as criticas sobre Coleman foram pesadas e até insinuações de racismo foram feitas. Segundo Dobson, essa declaração ofendeu muita gente, inclusive a ele. “Ele ofendeu os brancos quando disse aquilo. Ofendeu a mim também; sou um ‘garoto branco’ e sempre o ajudei muito. Não foi justo o que ele disse.” Desabafou o dono da Metroflex.
Mas todo mundo comete seus erros, nem sempre perder é fácil. Segundo Brian, todo mundo faz besteira pelo menos uma vez na vida. “Ele se arrependeu e eu o perdoei.”
É claro que não fiquei me aprofundando muito e cutucando Brian, esses são problemas pessoais dele e ele contou somente o que achava ser cabível. Mas ao longo de nossa comprida conversa, pude perceber uma certa magoa dele em relação ao Ronnie. Ele até disse que Ronnie não deveria ter vencido em 2005. É difícil e complicado saber realmente o que houve entre eles. Mas quando perguntei ao Ronnie (em sua passagem pelo Brasil em Maio 08) como iam os treinos na Metroflex, ele respondeu só que treinava em sua academia particular em casa agora, nada mais. Seu mais recente DVD “Invincible” de 2007 teve todos os treinos filmados em sua casa.
O clima estava ficando meio pesado; Então rapidamente mudei o rumo do assunto. Vamos falar de treino! Eu disse ao Brian que a Metroflex (por intermédio de Ronie e seus vídeos) trouxe alguns exercícios esquecidos de volta à vida, como o avanço andando (walking Lunges) e a remada cavalinho (T-Bar Row). Novamente, o rosto de Brian se iluminou e um enorme sorriso se abriu. Nesse momento pude perceber o amor e o entusiasmo desse homem pelo esporte.
Ele me explicou que muitos acham que ele inventou o avanço andando. Isso não é verdade. A história por trás do avanço é a seguinte. Brian sempre adorou caçar. Ele viaja a várias partes do país para caçar. Já veio caçar na Argentina até. Anos atrás (muitos anos mesmo) eles iam caçar ursos nas montanhas geladas. Isso exigia fazer longas caminhadas em terrenos acidentados e altamente íngremes. Para chegar ao topo das montanhas, eram necessários passos largos e altos, para vencer o terreno inclinado demais. Um dia, na academia, ele se lembrou desse exercício e achou que poderia se beneficiar dele em suas caçadas. Eles tinham um espaço de 60 metros bem em frente à academia, onde poderiam realizar o exercício sem perigo de serem atropelados. O pessoal da academia o viu fazendo, começou a realizar o exercício e sentiu melhorias na região posterior das coxas. A partir daí todos os competidores e não competidores da Metroflex começaram a fazer o infame exercício.
Perguntei se foi esse exercício que havia dado aquela qualidade muscular, estriações e separação entre glúteos e flexores de joelhos em Ronnie. Brian disse que Ronnie sempre teve aquela qualidade muscular, mas tinha vergonha de mostrar. Sempre que Brian o aconselhava a puxar a sunga e mostrar os glúteos, suas estriações e separação extrema com os flexores, Ronnie dizia: “Eu não vou mostrar minha bunda para o publico!” Quando Ronnie resolveu ouví-lo, história foi feita.
Ainda sobre o avanço, perguntei quem era o mais impressionante naquele exercício. Dobson disse que Branch sempre usava uma boa carga e realizava uma boa execução. Coleman usava costumeiramente oitenta e poucos kgs andando 50 metros e voltando, totalizando 100 metros. Às vezes, em situações extraordinárias, Ronnie se supera. Nas filmagens de seus vídeos ele sempre usava carga maior do que de costume por exemplo. “Certa vez eu consegui fazer os 100 metros com 160 kgs nas costas. Claro que a execução não foi perfeita, mas consegui fazer.” Se gabava. Ronnie ficou sabendo e também fez com os mesmos 160 kgs.
Ao falar sobre a remada cavalinho, inevitavelmente o assunto Ronnie Coleman voltou à tona. Brian garante que este exercício é responsável por construir os melhores dorsais da América. Mas Brian disse que foi nesse exercício que Ronnie supostamente rompeu seu grande dorsal. Existem controvérsias sobre o estado de aparente atrofia do dorsal e tríceps direitos. Alguns dizem ser um pinçamento de nervos, mas Brian é incisivo afirmando que o dorsal foi rompido durante uma série pesada de remada cavalinho.
Brian disse que ele mesmo já rompeu seu dorsal durante uma série de barra fixa com peso pendurado na cintura. Interessado, descobri que músculos rompidos não são tão raros na Metroflex. Brian me contou alguns casos. Muitas vezes, uma lesão é o preço que se paga por tentar chegar (e na maioria das vezes ultrapassar) os limites do corpo.
A conversa foi se desenrolando, mas Brian precisava ir embora. Foram três horas de papo. Falamos de Culturismo, de comida, caça, sobre o Brasil, sobre o Texas e mais algumas coisas. Agradeci Brian pela imensa atenção. Ele, muito religioso, disse que foi um prazer e que se sente abençoado por Deus quando alguém de tão longe vem o visitar e conversar com ele. Brian é uma pessoa muito gentil, fez questão de dar a maior atenção possível. No outro dia, ele iria viajar e caçar, mas deixou Chris, seu braço direito à nossa disposição. Disse a ele que iria treinar lá por dois dias e perguntei o preço. Ele disse que a minha presença, representando o bodybuilding brasileiro, era uma honra e fez questão de não cobrar absolutamente nada.
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Através dos anos que passei no ambiente das academias eu presenciei muita coisa. Conheci muitas pessoas que queriam crescer, ficar enormes. Fiz muitos amigos, ouvi muita coisa sobre treinamento e nutrição. Muita coisa certa e muita coisa errada.
Pretendo, com essa série de artigos, passar um pouco de minha experiência e trazer um pouco de humor para os leitores. Nosso desafio na academia pode ser muito duro ás vezes. Ficar grande e conquistar um bom físico requer muito sacrifício, dedicação, mas apesar de tudo, requer muito conhecimento.
A história toda de Leo, um menino de 20 anos que sonha em pisar em um palco num campeonato de culturismo, se desenrola na academia onde treino. A maioria dos personagens são reais, exceto Leo.
Queria deixar muito claro aqui que os fatos e as situações descritas nos próximos meses são fictícios e minha intenção é ilustrar a vida de um culturista aspirante à competição de forma bem caricata e engraçada. Com certeza muitos dos leitores poderão aprender alguma coisa com os textos, mas tenham em mente que a maioria dos fatos descritos são caricatos e não devem ser seguidos á risca. Se você quer se tornar um culturista sério, eu aconselho que leia o blog e os artigos do site Diário do Culturismo ou que procure sites com bom material como o Treino Pesado ou WaldemarGuimaraes.
Primeiro Episódio:
Há alguns meses voltei a morar em São Carlos e desde então tenho treinado muito pesado. A convivência com pessoas que amam o esporte em uma academia onde o treino pesado é prioridade aumenta muito a nossa motivação. Depois de todos esses anos treinando eu nunca imaginava que poderia melhorar tanto meu físico em tão pouco tempo.
Sempre fui um amante da musculação, tenho pilhas e pilhas de revistas, nacionais e importadas, Livros sobre treino com pesos e histórias relacionadas se empilham em minha escrivaninha. Fora a coleção de DVDs, horas intermináveis de vídeo com o que há de melhor no esporte.
Essa paixão é alimentada por tudo isso e claro, pelos treinos. Treinos super intensos, cheios de suor, muita dor e pesos extremos. Foi durante um desses treinos que eu percebi este menino me olhando atentamente. Entre as séries eu tentava olhar disfarçadamente para ver se o cara ainda estava lá. Ele estava.
Era uma tarde fria em São Carlos, o vento soprava forte e gelado. Nunca gostei de frio, fico muito mal humorado. Estava treinando peito naquele dia, meu cotovelo doía. Eu não conseguia treinar da maneira que eu queria e ainda por cima ficava este cara me olhando o tempo todo.
Ele estava com uma bermuda Nike, uma camiseta preta onde podíamos ver um copo de milk Shake do Bob´s estampada. Provavelmente ele era um grande fã dessa cadeia de fast food. Parecia pesar uns 90 ou 95 kgs. Nada mal para a altura dele. Apesar de não se enorme podíamos notar que ele treinava. O que realmente chamava a atenção no físico dele era a cintura, bem larga e grande. Podíamos perceber que a gordura caia sobre a bermuda.
Imaginei que ele me conhecia pelo blog DC ou pelos artigos nas revistas e sites onde escrevo. Com certeza ele estava me observando e esperando pela chance de poder tirar um pouco de conhecimento de mim.
Acabei meu treino, estava com pressa. Precisava ir ao mercado comprar comida ( Frango), depois tinha que cozinhar ainda. Coloquei o agasalho e me dirigi à portaria. Ele estava parado ao lado da roleta. Passei por ele e cumprimentei com a cabeça, tentando sair o mais rápido possível.
“Posso falar com você?” O garoto perguntou.
“Pois não, pode falar.” Respondi desanimado…
” Você que é o Miguel? Acabei de voltar para São Carlos e tenho treinado aqui há alguns dias. Parece que todos falam sobre seus treinos por aqui. Eu tenho algumas dúvidas e o Ricardo ( dono da academia) me falou que só você podia me ajudar. ”
Já fiquei puto da vida pois sabia o que o Ricardo tinha me aprontado uma. Conheço o Ricardo há muitos anos, ele dirige a academia muito bem e sabe muito sobre musculação. O problema é que sempre que chega alguém que ele percebe que vai ser um mala, cheio de perguntas bobas e desnecessárias, esse alguém sempre será enviado a mim por ele. Valeu Ricardo por mandar mais um mala me encher a paciência!
“Queria saber se posso te perguntar umas coisas. Percebi que você treina muito bem e tem um bom físico.” Bem parecia que ele não sabia quem eu era, mas pelo menos admirava meu desenvolvimento. Vamos ver se posso ajudá-lo.
” Meu nome é Leo. Você se chama Miguel, certo?” balancei a cabeça positivamente. “Miguel, treino há dois anos. Consegui melhorar um pouco meu físico, mas agora faz uns meses que não vejo progresso. Sempre quis competir. Subir em um palco, mas tudo parece bem difícil sozinho. Hoje sou mais realista e ficaria muito feliz se eu pudesse apenas ver veias saindo no meu antebraço.”
O menino tava parecendo um pão. Com bastante gordura, nenhuma veia aparente. Tava feio o negócio. Pouco tempo depois descobri que seu apelido na academia era Zé Colméia, pela barriga e pela avidez com a qual ele procurava comida.
Ele me pareceu bem sincero e demonstrou um claro interesse pelos treinos mas não sei se tem o amor suficiente pelo esporte a ponto de enfrentar os rigores de uma dieta para competição. Hoje em dia é difícil vermos nas academias pessoas na idade dele realmente interessadas em conquistar um grande físico, completo e simétrico, não posso culpa-lo por ainda não ser assim. Pelo menos ele está interessado em melhorar. A maioria dos garotos só quer fazer peito e bíceps para impressionar as meninas na escola e faculdade. Me parecia que o Léo não era assim.
“Sabe Leo, alguns meninos como você já me pediram ajuda para treinar, mas nenhum foi macho o suficiente para suportar o sacrifício necessário para se tornar um Culturista. Desculpe mas estou cansado de começar a treinar com alguém e depois de duas semanas o cara sumir sem dar satisfação.”
O garoto se enfurece: ” Você não me conhece Miguel, quero muito isso, e estou disposto a fazer o que for preciso. Me dê uma chance e você verá do que sou capaz.”
Já ouvi muito isso, mas resolvi dar uma chance ao menino. Alguma coisa me dizia que ele era diferente.
Abri minha bolsa de treino e mostrei para ele tudo o que tinha dentro, cinto, faixas para o joelho, straps, luvas cotoveleiras e o mais importante: uma coqueteleira vazia e um potinho com algumas cápsulas. ” Leo, isto aqui era um shake, whey protein, dextrose, creatina, gutamina. Neste frasco tem algumas cápsulas de efedrina e cafeína. Treinar pesado não é fácil, nem sempre é confortável e as vezes ficamos escravos de nosso treino para podermos obter o resultado desejado. Em algumas manhãs geladas será preciso levantar da cama antes do sol nascer para fazer aeróbio. Durante os meus doze anos de treino pesado e super intenso acumulei algumas lesões. Você está disposto a fazer tudo isto? ” Fiz de tudo para que o menino se assustasse e dissesse que não queria mais minha ajuda.
“Queria saber se você acha que eu tenho genética boa para competir, ou pelo menos se eu vou conseguir fazer as veias do meu antebraço ficarem aparentes como as suas ?” Ele pergunta meio tímido esperando uma resposta não muito animadora.
“Conheci muitos caras com a genética muito melhor que a minha Leo. Todos eles cresciam muito fácil, acumulavam pouca gordura, mas não tinham a vontade e a dedicação necessárias para ter um bom físico. Uma vez o Branch Warren disse que ele com certeza não tinha a melhor das genéticas para um culturista profissional ( se ele não tem imagina a gente!) . Mas que ele tinha uma ética profissional e uma dedicação e determinação inigualáveis. Ele falou que preferia muito mais ter uma mente determinada, forte e uma ética de trabalho inabalável do que ter uma boa genética. Então não se preocupe muito com a genética por enquanto, TREINE FORTE!.” O garoto sorriu e agradeceu. ” Espero você aqui amanhã ás dez horas. Coma um bom café da manhã e venha preparado para treinar costas.”
“Mas eu treinei costas hoje Miguel.”
“Agora que treinaremos juntos, você fará o que eu disser meu rapaz. Te espero amanhã. Falou.”
Enquanto eu dirigia rumo ao supermercado eu ficava pensando se esse cara sabia onde ele tinha se metido…
Um dos primeiros ideais do treino com pesos era modelar o físico e deixa-lo maior, porém esteticamente agradável. Essa tarefa geralmente dura anos e invariavelmente ninguém chega à perfeição. É uma batalha sem fim, onde procuramos alcançar um objetivo que talvez nunca seja alcançado. Assim como na arte, o treino com pesos é uma atividade onde a forma, proporção, simetria e beleza são o alvo. No mundo das artes, poucos artistas tiveram o mérito, a graça de conceber uma Obra-Prima. Estes são objetos de valor inestimável para a humanidade e seus autores como DaVinci, Beethoven, Van Gogh, Picasso foram imortalizados em virtude de suas obras.
Seja o melhor “você” possível
O objetivo maior da maioria que treina com pesos é alcançar um corpo proporcional, forte, definido. Conseguir é uma tarefa das mais difíceis e desafiadoras. Somos como os artistas, usamos o treino com pesos para esculpir, moldar, desenhar nossos físicos, procurando sempre a perfeição. A perfeição absoluta é muito dificel de se encontrar, e mesmo entre os profissionais, poucos podem se gabar de ter tido um corpo perfeito, sem falhas. Mas como todos os irmãos de ferro, que treinam com pesos, gostam mesmo é de um bom desafio; vamos tentar entender o que é preciso para nos deixar mais perto de nosso físico ideal. Como disse antes, é praticamente impossível chegar a um físico perfeito, mesmo entre os atletas profissionais temos poucos exemplos. Tendo isso em mente precisamos procurar sempre nos comparar com nós mesmos e tentar melhorar a cada ano. Tente sempre ser o melhor “você” possível!
Já faz um bom tempo que eu escrevi o artigo “Construa sua Obra-Prima”. Foi um grande sucesso, ele foi publicado na revista MuscleInform e depois em alguns sites nacionais. A repercussão foi enorme e acabei publicando novamente o artigo no Diário do Culturismo. Novamente as pessoas gostaram muito e a resposta do público foi extraordinária. Com tudo isso acontecendo, pensei em fazer uma série de artigos, explicando e orientando as pessoas sobre o processo de formação e avaliação do físico humano. A cada edição do “Construa sua Obra-Prima” discutiremos um fator diferente no que diz respeito ao físico perfeito. Em alguns casos serão utilizados como exemplos, atletas profissionais, isso vai ajudar a ilustrar mais claramente o que queremos dizer e ajudar você a entender melhor alguns conceitos. Nesta edição vamos falar um pouco das condições estruturais do atleta.
Você tem boa genética?
O que queremos dizer quando falamos que tal atleta não tem boa estrutura para competir? Quando dizemos “Estrutura”, estamos nos referindo à estrutura óssea do atleta. Seu esqueleto e a proporção, tamanho e posição de certos ossos que vão determinar certos tipos de aparência nas pessoas. Podemos mudar quase tudo no físico de uma pessoa que treina com pesos, menos a estrutura óssea, tamanho e disposição de certos ossos. Existe um termo que se diz por aí –”Fulano é dotado de uma genética extraordinária.” – O que seria exatamente essa tal “genética” a que muitos se referem?
Dentro desse termo Genética, estão a facilidade de ganhar massa muscular naturalmente, a habilidade do corpo de captar com mais eficiência os nutrientes ingeridos e drogas administradas, facilidade de perder gordura, e a estrutura óssea. Não podemos mudar nenhuma dessas coisas com treinos ou remédios, poções milagrosas. Um cara que já tem a musculatura relativamente bem desenvolvida desde a infância vai ser forte e terá facilidade em ganhar músculos. Aquele seu amigo que come, come, come besteira – bolacha recheada antes de dormir, lanche e pizza toda noite, mas ainda sim tem veias por todo lado e musculatura fibrada, dificilmente acumulará muita gordura ao longo da vida, e se acumular vai perdê-la facilmente. Existem também pessoas que por algum motivo, conseguem absorver melhor os nutrientes ingeridos e aproveita-los mais rapidamente. O mesmo vale para as droga ergogenicas utilizadas. Alguns atletas conseguem ganhos significativamente maiores mesmo usando dosagens bem mais baixas que o atestado por outros atletas.
Mesmo que não conseguimos mudar alguns fatores acima como a capacidade de acumular massa muscular e perder gordura, absorver os nutrientes com eficácia – ainda sim podemos utilizar alguns subterfúgios para melhorá-los e ainda sim conseguiremos atingir os objetivos. Infelizmente não existe nada que possamos fazer para alterar a estrutura óssea. Uma pessoa com quadril largo, sempre terá quadril largo.
Relação entre largura dos ombros e largura da cintura
Um físico bem proporcional e simétrico é difícil de se alcançar. Logo de cara precisamos ter uma estrutura óssea favorável. A principal característica estrutural é a diferença de tamanho entre a largura dos ombros e a largura do quadril. A distancia entre um ombro e outro, ou seja, a largura dos ombros é determinada pelo nosso esqueleto. Não há nada que possamos fazer para mudar isso. Se uma pessoa tem a estrutura óssea dos ombros estreita, dificilmente ela terá ombros largos, mesmo treinando muito e aumentado muita a sua massa muscular. O mesmo ocorre com a largura do quadril. A estrutura que determina a largura do quadril, é o osso da pelve. Se este osso ( na verdade a pelve é um conjunto de três ossos – ílio, púbis, sacro – que vão se fundindo à medida que vamos envelhecendo). Se uma pessoa tem a pelve larga, dificilmente terá um quadril estreito e fino.
O visual do “corpo em forma de V” que significa que o atleta tem os ombros largos e a cintura fina. Quanto maior esta diferença de tamanho, melhor. Ou seja, quanto mais largos os ombros e costas e mais estreito o quadril, melhor e mais bonito é o físico. Grandes exemplos de estruturas ósseas excelentes são Chris Cormier e Dennis Wolf Eles tem a estrutura óssea dos ombros bem larga e o quadril bem estreito, oque dá uma ilusão de que os seus troncos têm uma forma de “V” bem largos na altura dos ombros e mais estreitos na cintura. Se traçarmos linhas ligando seus ombros as laterais da pelve, percebemos que as linhas são bem inclinadas.
Se você é do tipo de que tem estrutura óssea estreita nos ombros e cintura mais larga, se esforce ao máximo para melhorar a parte medial do deltóide. Elevação lateral das mais diversas formas é a chave para você. Quanto mais a musculatura dos ombros saltarem para os lados, mais largo você irá parecer. Também é importante trabalhar os grande dorsais. Puxadas com pegada bem aberta estimulam o crescimento em largura dos dorsais. Outra coisa importante a se considerar são os músculos oblíquos do abdome. Nunca faça nenhum trabalho direto para eles. Nunca use peso para fazer abdominais, isto pode fazer com que sua cintura comece a ficar mais larga. Agachamentos e Levantamento terra extremamente pesados também de vem ser evitados, pois tendem a recrutar com muita intensidade a musculatura obliqua (para estabilizar a coluna) e assim, podem deixar sua cintura mais larga também. Exemplos desse tipo de físico são Greg Kovacs e Gunter Schlierkamp. Els são enormes, tem braços gigates e geralmente arrbentam a competição em poses como o most muscular. Porém, a estrutura óssea pobre, os limita em quase todas as poses de frente e de costas. Para ficar mais claro ainda, se traçarmos uma linha saindo do ombro e indo até a lateral da pelve, formaríamos um quadrado.
Existem aqueles bem afortunados que têm estrutura óssea bem larga e cintura bem fina. Como disse antes, exemplos são Chris Cormier, Dennis Wolf e Lee Haney. Se você pertence a esse grupo, considere-se um sortudo. Provavelmente não terá preocupações extras para ter um físico bem legal.
Ainda temos aqueles que têm estrutura óssea nos ombros estreita e quadril estreito. Geralmente são as pessoas mais finas, com dificuldade em ganhar massa muscular, e mesmo quando ganham bastante ainda parecem pessoas “normais” se estiverem vestidas. Esse é o caso da maioria que treina com pesos, eu me incluo nessa categoria. Mesmo com essas desvantagens genéticas, ainda podemos chegar lá com muito trabalho e dedicação. É verdade que teremos que nos esforçar em dobro, mas ainda sim podemos alcançar um físico invejável.
Tamanho de Braços e Pernas
Outro fator que influencia de maneira impressionante a aparência de um físico é o comprimento dos braços e pernas. Não adianta muito ter um bom tronco, com ombros largos e cintura fina, tendo uma forma em “V” pronunciada se os braços e pernas forem muito compridos. Braços muito compridos aparentam ser bem menores, além disso é necessária muito mais massa muscular para “encher” aquela estrutura.
O mesmo problema ocorre com as pernas. Não importa o quão grande e bem desenvolvido seja o tronco e braços do atleta. Se pudéssemos medir os braços dos jogadores da NBA, iríamos descobrir que muitos têm braços de 50 cm; o problema é que como eles são muito altos e seus braços muito compridos, a aparência é prejudicada. Lee Priest é um ótimo exemplo de atleta com braços curtos, reparem como seus braços são impressionantes. Pernas muito compridas irão tirar toda a proporção de seu físico. Pernas muito compridas dão a ilusão de parecer mais finas. Com certeza isso pode arruinar um físico. Um grande exemplo nesse sentido é o Alex dos Anjos. Seu tronco é extremamente desenvolvido, seus dorsais são densos e largos, mas suas pernas são muito compridas e acabam com sua simetria. Ele vai muito bem nas competições nacionais, mas terá dificuldades em alcançar bons resultados internacionais.
Tamanho das Articulações
O tamanho das articulações também pode influenciar na boa aparência de um físico. Articulações menores são mais frágeis, porém estéticamente superiores. Se você tem coxas grandes, panturrilhas grande, mas um joelho grande; sua perna parecerá reta de cima a baixo. Agora aqueles que possuem articulações pequenas e conseguirem aumentar significativamente seus músculos, teriam um visual parecido com os dos super-heróis; com cotovelos, punhos, joelhos e tornozelos pequenos com músculos grandes e arredondados. Esse seria o ideal.
Fechando esta edição queria salientar que o primeiro passo é analisar sua estrutura e conseguir apontar quais são as suas características ósseas. Isso pode ser feito por você mesmo ou por uma pessoa mais experiente e de sua confiança. A partir daí é seguir as orientações e lutar a cada treino para conseguir alcançar o melhor físico possível.
Podemos dizer que a estrutura óssea é a moldura de nosso físico, e precisamos saber preenche-la corretamente para termos uma obra de arte!
Ter a informação correta na hora correta é um fato muito importante quando você pretende chegar ao topo. Ter a informação correta na hora correta torna-se especialmente importante quando estamos em um esporte tão cheio de minúcias e detalhes como o culturismo. Nossos esforços podem ser amplificados ou totalmente apagados de acordo com nossa preocupação em reparar nos detalhes e providenciar para que tudo esteja nos conformes.
Uma repetição a menos, alguns segundos a mais durante o intervalo, a hora certa para ingerir certos nutrientes, tudo isso pode interferir em nossos resultados. O timing de ingestão dos nutrientes pode fazer com que seu treino de hoje tivesse sido mais produtivo, ou que todos os treinos da semana passada tivessem sido mais produtivos; Se quisermos ser totalmente francos, a ingestão certa dos nutrientes certos na hora certa, poderia ter mudado os resultados de seus treinos do ano passado todo, ou até da última década.
Um erro simples como não consumir a quantidade necessária de proteínas diariamente pode ter arruinado os treinos e resultados de milhares de desavisados. Hoje sabemos que a ciência vem contribuindo muitíssimo com a fisiologia do exercício e com novas descobertas que trarão uma nova visão e mais luz ao nosso universo do ferro. Mas é preciso saber procurar no lugar certo. Não dá pra apenas ler um artigo cientifico publicado nos confins do mundo e achar que aquilo é tudo verdade.
É preciso ter o conhecimento e sensibilidade para sempre procurar as novas informações no lugar certo. Por isso que o site Diário do Culturismo tem tido tanto sucesso. Tenho pesquisado a ciência do treino com pesos pelos últimos 8 anos, e hoje temos a certeza que sempre estou no caminho certo. E tenho alguns fatos para provar isso. Logo após o lançamento do site, escrevi um artigo sobre uma nova modalidade de suplementação, o shake intra-treino (durante o treino). No artigo eu falava de dois fatores chave nessa situação – A Hiperaminoacidemia ( ingestão de uma quantidade absuradamente grande de um mesmo aminoácido) e a Hiperemia ( aumento exacerbado do fluxo sanguineo para uma determinada região do corpo). Disse naquela ocasião, que esse tipo de shake seria o futuro da suplementação. Em Dezembro minhas previsões se tornaram realidade com a chegada no mercado de um produto da Nutrex que deveria ser ingerido durante o treino. Hoje temos mais algumas empresas lançando seus produtos para tomar durante o treino.
Esse fato comprova como tenho investido nos periódicos certos, e achado as informações mais relevantes e atuais em treino e suplementação do mundo. O leitor do site DC é um privilegiado, pois tem informações de última geração e que realmente vão fazer a diferença na hora de se aplicar na pratica.
Desta vez eu quero aproveitar a deixa e falar um pouco mais profundamente sobre a hiperemia. A Hiperemia é a condição que temos quando o fluxo sanguineo é aumentado drasticamente para determinada região do corpo. Eu já havia discutido um pouco a hiperemia no artigo “Super Shake”, mas como muitas dúvidas têm sido enviadas a mim, resolvi aprofundar um pouco mais o assunto.
Primeiro devo falar um pouco sobre a hiperaminoacidemia. Essa é uma condição atingida quando ingerimos uma quantidade muito grande de um mesmo aminoácido. Por exemplo é diferente tomarmos 15 gramas de whey protein e 15 grs de leucina isolada. Apesar de tudo ser aminoácidos, ou um conjunto deles no caso da whey; na whey temos, em 15 gramas, uma mistura de pequenas quantidades de vários aminoácidos. Quando ingerimos apenas um aminoácido em quantidades elevadas, ele passa a ter outra função além daquela, já conhecida, formar tecidos.
Se formos tomar como exemplo a leucina, quando a ingerimos em grande quantidade, ela ativa e acelera o maquinário da síntese protéica muscular ativando sinalizadores bioquímicos nas reações da MTOR. Se tomarmos 1 grama de arginina, nada vai acontecer, se tomarmos 6 gramas, a enzima do Oxido Nítrico será ativada e assim por diante.
Existem alguns aminoácidos-chave que, em conjunto, farão toda a diferença na hora de crescer ou não. Como foi dito no artigo do SuperShake, esse conjunto de aminoácidos PRECISA SER INGERIDO NA HORA CERTA. Só assim teremos 100% de proveito dessa combinação super anabólica.
HIPEREMIA ATIVA
Hiperemia ativa ocorre segundos após o aumento do metabolismo de determinado tecido. Dessa forma, o fluxo sanguineo (quantidade de sangue enviada áquele local) aumenta. A amplitude da hiperemia depende de quanto o metabolismo foi aumentado.
Hiperemia passiva ocorre quando há um bloqueio de algumas veias, que acaba impedindo a circulação de sangue no local. O sangue vai chegando e como as artérias ou veias estão fechadas, ele não tem como prosseguir e vai se depositando na região.
A hiperemia ativa nos músculos ocorre na hora da contração muscular, outras formas de causar a hiperemia em outros tecidos é um aumento na ativadade mental, cardíaca ou gastrointestinal. Dessa forma aumentamos o fluxo sanguineo no cérebro, coração e intestinos respectivamente. Sempre que um órgão ou tecido tem seu metabolismo aumentado, as artérias da região são mais requisitadas e têm suas paredes distendidas, para que o fluxo de sangue se dirija mais vigorosamente até lá.
Na contração muscular as células musculares utilizam mais oxigênio e glicose enquanto trabalham. Enquanto durar a atividade muscular, mais oxigênio, glicose e outros nutrientes serão necessários. Para que eles sejam entregues corretamente, o corpo precisa de mais sangue chegando no local, aí se instala a Hiperemia. Para que a hiperemia ocorra, é necessário que as artérias e arteríolas se relaxem e dilatem; A vasodilatação, necessária no processo de hiperemia, é ativada bioquicamente por alguns fatores e nutrientes:
Fosfato;
Potássio;
Adenosina
Íons H+ e lactato ( responsáveis pela sensação de queimação durante a série. Isso lhe diz alguma coisa?)
NO e outras prostaglandinas.
Esses nutrientes são liberados pela célula muscular e agem diretamente nas arteríolas e artérias causando dilatação e aumento do fluxo sanguineo.
Uma pessoa mediana tem aproximadamente 5 litros de sangue circulando em seu corpo. Em repouso, todo o sangue fica distribuído pelo corpo e circula normalmente, seguindo seu caminho natural, suprindo os tecidos que necessitam de mais sangue naquele determinado momento e atendendo uma ordem de importância fisiológica. Normalmente os órgãos e outros tecidos tem um fluxo sanguineo maior do que os músculos em repouso, pois a sua importância fisiológica é maior naquele momento.
Portanto, em repouso, apenas 12 a 18% do volume sanguineo total está nos músculos; o restante está distribuído por todo o corpo, seguindo a ordem de importância fisiológica naquele dado instante. A velocidade da circulação é relativamente lenta neste momento.
Quando começamos a treinar, ou andar, correr, fazer qualquer atividade física, nosso coração começa, quase que imediatamente, bombear o sangue mais forte e rapidamente. Em uma sessão de treino com pesos intensa, o organismo se vê forçado a enviar mais sangue para os músculos. A ordem fisiológica de importância muda agora. Em um treino de bodybuilding super intenso o tecido que tem a preferência fisiológica pelo fluxo sanguineo são os músculos. O fluxo sanguineo, então começa a se deslocar a todo vapor dos tecidos e órgãos profundos para a musculatura, suas veias se dilatam, seus músculos começam a inchar.
A cada contração, mais sangue precisa ser enviado aos músculos, mais eles ficam cheios de sangue; e quanto maior a intensidade do treino, maior a sensação de queimação, maior o fluxo sanguineo. A ordem de importância fisiológica agora é totalmente muscular, a enorme maioria do sangue de seu corpo precisa e esta sendo enviada para a parte do corpo que mais necessita dele: SEUS MúSCULOS. A hiperemia em seus músculos leva extraordinários 80% do fluxo sanguineo diretamenta para seus músculos, e a velocidade de circulação sanguinea aumenta em torno de 20 vezes.
É óbvio que podemos e DEVEMOS tirar proveito dessa situação altamente anabólica!
Vamos pensar:
Se queremos ( e queremos, como queremos!!) enviar nutrientes vitais para o anabolismo aos nossos músculos; qual seria a melhor hora?
Antes do treino, onde apenas 12% do sangue está em nossos músculos e o fluxo sanguineo com certeza não será dirigido para lá?
Depois do treino, quando o sangue está SAINDO dos músculos e se dirigindo para as outras partes do corpo?
Ou durante o treino, onde mais de 80% do sangue está se dirigindo aos músculos e ficará por lá? Vamos ampliar o horizonte. O sangue está indo diretamente para o músculo treinado. Se você treina peitorais, eles incham. Incham porque o fluxo sanguineo está dirigido para e o sangue está indo todo para lá. Bem aquele músculo que você tem treinado religiosamente, toda semana, nos últimos anos.
Imaginem agora o que pode ser alcançado, quando 80% do sangue está se dirigindo para aquele músculo que você tem treinado há anos, faça chuva ou faça sol, seja na Segunda-Feira ou no Domingo, seja em um dia normal ou no Domingo de Carnaval?
Tirando Vantagem da Hiperemia
Já sabemos que durante o treino, nossos músculos recebem um fluxo sanguineo muito aumentado, o fluxo sanguineo se dirige dos órgãos em direção aos músculos. Teoricamente essa é uma situação propicia e devemos tirar vantagem dela.
Já que temos muito, mas muito sangue mesmo se dirigindo aos músculos, e ele vai para lá em uma velocidade muito maior que o normal durante um treino intenso, temos a oportunidade única de entregar nutrientes-chave com muito mais efetividade e eficiência.
Portanto é preciso preparar e “carregar” nosso sangue com o que há de mais efetivo e eficiente em termos de nutrientes. É aí que entram os aminoácidos e a idéia de hiperaminoacidemia.
Como o aumento do fluxo sanguineo ocorre durante o treino, é preciso ingerir um coquetel de nutrientes anabólicos e anticatabolicos na hora mais adequada: durante o treino. Imaginem substancias que aumentam a taxa de hipertrofia, amplificam a síntese protéica, aceleram a recuperação muscular, que diminuem a fadiga e acidez muscular, permitindo séries mais longas; imaginem substancias capazes de te fazer chegar onde nunca chegou.
Essa mistura de aminoácidos em quantidades especificas (citadas no artigo SuperShake) vale mais do que ouro para seus músculos e deve chegar em seu destino intactas. Como fazer isso? Ingerindo-as durante o treino e tirando vantagem da hiperemia.
Não mandem sangue VAZIO para seus músculos. É pura perda de tempo. Hoje, o Sedex-10 e o Fedex são a maneira mais rápida e melhor para enviar uma caixa a alguém. Então se liguem e não mandem uma caixa vazia, não enviem um envelope vazio!!! Você pagaria uma fortuna pelo sedex-10 para mandar uma caixa vazia a um amigo seu?
Tenha a certeza de encher o Máximo possível a caixa; pois seu amigo vai adorar os presentes que virão lá dentro. Mandar uma caixa vazia pelo Sedex-10 é a mesma coisa que mandar sangue”vazio” para os músculos durante o treino. Mais uma vez, é perda de tempo.
Ninguém até hoje havia percebido o fato que somente durante um treino de musculação muito intenso nós temos uma situação extremamente vantajosa de hiperemia em nossos músculos. Portanto é muito benéfico se tivermos nutrientes valiosos circulando em nosso sangue nesse momento, no exato momento do treino, onde o sangue está se dirigindo para nossos músculos em uma velocidade bem acima do normal.
Infelizmente a maioria dos ingredientes necessários para o SuperShake não tem a venda permitida no Brasil. Seria necessário comprar nos EUA. Muitos me perguntam se poderíamos ingerir simplesmente whey protein e malto durante o treino. Digo que isso pode ser feito, e tiraremos vantagem da hiperemia também, com certeza. Mas desta forma perderíamos a vantagem da hiperaminoacidemia. A hiperaminoacidemia é um processo muito estudado e discutido pelos maiores especialistas em nutrição esportiva no mundo e provavelmente vai tomar um espaço muito grande no mercado de suplementos nos próximos anos. Por exemplo, hoje sabemos que 10 gramas de leucina são muito mais anabólicos do que 10 grs de BCAAs ou que 40 grs de Whey protein de boa qualidade. Portanto, aproveitem a chance que têm por ler este artigo e façam o possível para consumir os aminos nas doses recomendadas. Se por um motivo ou outro isso não seja possível, faça uso do tradicional shake de whey protein, malto e isotônico em pó no mínimo.